Município sedia 1º curso de boas práticas de manejo de morcegos

A Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e o Laboratório de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) concluíram, nessa sexta-feira (10/11), o primeiro curso de Boas Práticas de Manejo de Morcegos, que a Sociedade Brasileira para os Estudos de Quirópteros (SBEQ) está ministrando em Minas Gerais.

A Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e o Laboratório de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) concluíram, nessa sexta-feira (10/11), o primeiro curso de Boas Práticas de Manejo de Morcegos, que a Sociedade Brasileira para os Estudos de Quirópteros (SBEQ) está ministrando em Minas Gerais. Dezenas de agentes de controle de endemias de 54 municípios da área de atuação da Superintendência Regional de Saúde (SRS) e técnicos de controle agropecuário do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA) participam do curso com aulas teóricas e práticas.

As atividades acontecem no auditório do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde da Unimontes. O evento contou com a participação do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (CECAV); do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO); da SBEQ; do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS) e da Prefeitura de Montes Claros.

Professor da Universidade Federal de Pernambuco e presidente da Sociedade Brasileira para os Estudos de Quirópteros, Enrico Bernard explicou que a escolha de Montes Claros para o primeiro curso de Boas Práticas de Manejo de Morcegos leva em conta a importância estratégica do Norte de Minas para a implementação do Plano Nacional de Conservação de Cavernas. O trabalho é coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO). Em 2024, o mesmo curso será ministrado em Goiás e na Bahia.

CAVERNAS

“O Norte de Minas possui cavernas de grande importância para a conservação da biodiversidade, entre elas o Vale do Peruaçu e a EQUILÍBRIO AMBIENTAL região da Lapa Grande. Nesse cenário se inserem os morcegos que desempenham importante atividade para a manutenção do equilíbrio do meio ambiente e que, por exemplo, favorecem a produção do pequi e da castanha do baru. Se uma pessoa gosta de chocolate, deve lembrar que a produção de cacau depende da ação dos morcegos. Eles se alimentam de insetos que prejudicam a produção das lavouras de cacau”, observou Enrico Bernard.

MONITORAMENTO

O professor entende que o monitoramento e investigação de morcegos com suspeita de terem contraído o vírus da raiva é importante por parte dos serviços municipais de vigilância. Porém, um morcego contaminado pelo vírus da raiva é exceção e não regra. Daí a importância da capacitação dos agentes de controle de endemias e de atividades agropecuárias”.

Na abertura do curso, a pró-reitora de pesquisa da Unimontes, Maria das Dores Magalhães Veloso, destacou que a interação da Universidade com os profissionais e instituições da área da saúde “constitui momento rico de troca de experiências e de produção de novos conhecimentos”. Já a professora e coordenadora do Laboratório de Doenças Infecciosas e Parasitárias da Unimontes, Thallita Maria Vieira, observou que o curso envolvendo profissionais de dezenas de municípios “possibilita a dispersão de informações na região, o que contribui para o início de um ciclo de trabalho diferenciado que envolve a troca de conhecimentos entre a Universidade e outras instituições que atuam na região”.

CAPACITAÇÃO

Coordenadora de vigilância em saúde da SRS de Montes Claros, Agna Soares da Silva Menezes lembrou que “o investimento na atualização e na capacitação contínua de profissionais que trabalham nas áreas de prevenção e de vigilância em saúde é a forma mais efetiva para se obter o controle da transmissão da raiva no país. Trata-se de um trabalho que precisa ser realizado de forma contínua visando garantir a qualidade de vida da população”, pontuou a coordenadora.

Por outro lado, a integração dos serviços de saúde com as instituições de ensino superior tanto para a capacitação de profissionais como desenvolvimento de pesquisas, foi abordado pela coordenadora de vigilância epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde de Montes Claros, Maria Clara Lélis Ramos Cardoso. “As ações de prevenção e de controle da raiva precisam ser permanentes e, nesse contexto, a troca de experiências e informações entre as universidades e os serviços de saúde são de fundamental importância”, lembrou Maria Clara.

O veterinário e referência técnica da Coordenadoria de Vigilância em Saúde da SRS de Montes Claros, Milton Formiga explica que a partir da capacitação dos agentes de controle de endemias, serão intensificadas as ações de orientação dos municípios para as ações de prevenção e controle da raiva. “Com a construção do mapa de risco de cada município, será possível definirmos um plano de ação regional consistente. Investir em ações de prevenção e controle não deve ser encarado como gasto por parte dos municípios e, sim, como investimento”, alerta Milton .

Município sedia 1º curso de boas práticas de manejo de morcegos
AULA prática do curso de manejo de morcegos

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