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Los Fuleros: a essência do carnaval de rua

Mais do que música, o grupo celebra a vitória das políticas públicas que mantêm viva a arte de Montes Claros

O Carnaval de Montes Claros tem ganhado cores e ritmos cada vez mais vibrantes, e no coração dessa folia reside o Bloco Los Fuleros Sideral. Nascido em 2017 da união de cinco amigos apaixonados por música, o bloco celebra não apenas a festa, mas a resistência cultural e a democratização do espaço público.

Fundado por Naty Maia, Débora Guedes (que permanecem na linha de frente até hoje), Guilherme Sizílio, Márcio Durães e Camila Alves, o bloco fez sua estreia oficial nas ruas em 2018. Desde então, os “fuleros” já ocuparam diversos pontos da cidade, do Morada do Parque ao Morada do Sol, zona sul da cidade.

Uma marca histórica do grupo foi ser o primeiro bloco a ocupar o Corredor Cultural de Montes Claros com o circuito “Georgino Júnior”, homenageando o saudoso artista e sociólogo local. No entanto, para 2026, o grupo decidiu mudar a rota: o novo ponto de encontro é a Rua Raimundo Penalva, ao lado do estacionamento da Prefeitura, no coração da Vila Guilhermina.

Naty ainda diz que um dos grandes desafios dos blocos é furar a bolha cultural e territorial. Por isso que para o Los Fuleros é importante esse compromisso de estar sempre circulando por outros pontos da cidade. “Agora estamos chegando mais próximo da gente, que é na Vila Guilhermina. Por isso que nos mudamos do Corredor Cultural, porque estamos com o intuito de nos aproximar mais da nossa comunidade”, explica a coordenadora.

Diferente dos blocos de cortejo, Los Fuleros é um bloco parado, focado em garantir a infraestrutura de palco e som para que o folião possa aproveitar sem pressa. O repertório é um capítulo à parte pela sua diversidade. “Agora vamos participar da terceira vez do Encontro de Blocos, no quarto Encontro de Blocos e nós sempre termos um repertório variado. A gente traz um repertório variado, com axé, samba-reggae, samba, salma. Um estilo mais antigo, brega, mas tudo no clima do carnaval’’, diz Naty Maia, coordenadora do Bloco Los Fuleros, socióloga e docente na Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes).

A liberdade também se estende ao visual. Após anos utilizando camisas padronizadas, o bloco agora incentiva o uso de fantasias individuais, permitindo que cada integrante expresse sua criatividade.

Nem tudo é confete. O bloco aponta a burocracia e a falta de recursos financeiros diretos como as maiores barreiras. Realizar um carnaval de qualidade custa caro — cerca de R$ 15 mil em despesas básicas — e, muitas vezes, o investimento sai do bolso dos próprios organizadores.

Apesar disso, o Los Fuleros se orgulha de sua trajetória social. O grupo inicialmente, tinha o projeto de incluir jovens da periferia, custeando transporte e alimentação para ensaios. Hoje, como um Ponto de Cultura certificado pelo Ministério da Cultura, o bloco utiliza sua sede (a casa da própria Naty) para manter viva a chama da arte, tendo inclusive adquirido instrumentos próprios através de políticas de fomento durante a pandemia.

“Temos orgulho do que conseguimos fazer. A gente conseguiu trazer jovens da periferia para integrar o bloco. O nosso ideal era incluir esse pessoal, só que em determinado momento com a saída alguns componentes da diretoria esse projeto teve que ser repensando, inclusive porque a gente não tinha condições econômicas de manter. A gente custeava alimentação e transporte dos nossos bolsos’’, relembra.

Apesar das dificuldades práticas enfrentadas pelo bloco, a foliã reconhece a importância das políticas públicas na área da cultura, principalmente depois da pandemia. “Antes não existiam políticas públicas que a gente tem hoje. Elas facilitaram inclusive a compra dos instrumentos do bloco. Nós conseguimos captar esse recurso. E essa política atual, que financia a cultura, que protege a cultura, ela tem nos possibilidade nos manter e seguir o nosso caminho’’

Para o Los Fuleros, o retorno do Carnaval de rua é uma vitória coletiva. A organização ressalta que a festa gera renda para hotelaria, bares, profissionais de eventos e comunicação, além de atrair turistas.

O sentimento é de união, não de disputa. Tendo ajudado na fundação de outros blocos icônicos como Maria Bonita e Maracangaia, ela celebra o crescimento da folia montesclarense, que saltou de um punhado de grupos para mais de 23 blocos espalhados pela cidade.

Neste ano, o Los Fuleros irá se apresentar na Rua Raimundo Penalva (ao lado do estacionamento da antiga prefeitura), na próxima segunda-feira (16), às 17h.

Mais do que música, o grupo celebra a vitória das políticas públicas que mantêm viva a arte de Montes Claros

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