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Revolução sustentável para o agronegócio

O cânhamo, uma variedade de cannabis com baixo teor de THC, apresenta um enorme potencial para o agronegócio e para diversos setores industriais no Bras

O cânhamo, uma variedade de cannabis com baixo teor de THC, apresenta um enorme potencial para o agronegócio e para diversos setores industriais no Brasil. Com aplicações que vão desde a produção de fibras mais sustentáveis e resistentes que o algodão até o uso na construção civil e na fabricação de plásticos biodegradáveis, a planta pode ser uma alternativa viável para a promoção de práticas agrícolas regenerativas e sustentáveis. No entanto, sua regulamentação é um obstáculo que precisa ser superado para que esse mercado floresça no país.

No Uruguai, a planta já é legalizada para diversos usos, e os dados indicam que o Brasil possui cerca de 15 mil hectares com potencial para o cultivo de cânhamo. Segundo o relatório “Impacto Econômico da Cannabis”, produzido pela Kaya Mind, essa área colocaria o país entre as maiores potências mundiais no setor. A planta, que já registra grandes áreas de produção no Canadá, França, Lituânia, Chile, China e Rússia, produziu cerca de 275 mil toneladas de fibras de cânhamo em 2019, segundo a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD).

Além de ser uma matéria-prima valiosa para a indústria têxtil, as sementes do cânhamo são ricas em proteínas e ácidos graxos essenciais, enquanto suas fibras são uma alternativa mais sustentável ao algodão. Outro destaque é a capacidade da planta de substituir o petróleo na fabricação de plásticos biodegradáveis e seu uso em materiais de construção, como o concreto de cânhamo, que oferece resistência ao fogo e melhor desempenho térmico, conforme explicado por Mercedes Ponce de León, cofundadora da Latinnabis e da ExpoCannabis Uruguay.

DESAFIOS

Apesar desse vasto potencial, o Brasil enfrenta desafios regulatórios que limitam o desenvolvimento do setor. A regulamentação do cânhamo poderia abrir espaço para novas práticas agrícolas e industriais, contribuindo para a revitalização de solos desgastados e a promoção de uma agricultura mais sustentável. Segundo Maria Eugenia Riscala, CEO da Kaya Mind, o mercado de cannabis medicinal já é regulado no Brasil, mas ainda há muito a avançar. A executiva ressaltou que, apesar das restrições, o setor tem crescido, especialmente na importação de produtos à base de cannabis, que aumentou 35% no último ano.

Atualmente, o Brasil conta com 550 mil pacientes em tratamento com cannabis medicinal, e o potencial é de atingir 6,9 milhões de brasileiros, com uma demanda que cresce de 15 a 20 mil novos pacientes por mês, segundo Maria Eugenia.

Para Larissa Uchida, CEO da ExpoCannabis Brasil, o país tem condições de se tornar o maior produtor de cannabis do mundo, graças ao seu vasto território e clima favorável. A executiva ressaltou que o Brasil pode explorar não apenas o uso medicinal da planta, mas também sua aplicação nos setores alimentício, têxtil e de biocombustíveis, promovendo práticas mais sustentáveis.

A ExpoCannabis Brasil 2024 buscará ampliar o debate sobre as múltiplas utilidades do cânhamo e da cannabis, além de fomentar o conhecimento público e a aceitação da planta em diversas indústrias. O evento contará com conferências internacionais, abordando temas como saúde, pesquisa científica, regulamentação e sustentabilidade, promovendo a troca de experiências entre especialistas de diferentes áreas.

Com uma regulamentação adequada, o cânhamo pode se tornar uma ferramenta poderosa para a transformação do agronegócio brasileiro, impulsionando práticas mais sustentáveis e ajudando a mitigar os efeitos das mudanças climáticas. A ExpoCannabis Brasil surge, portanto, como um marco importante nesse processo de conscientização e desenvolvimento do setor.

O cânhamo, uma variedade de cannabis com baixo teor de THC, apresenta um enorme potencial para o agronegócio e para diversos setores industriais no Bras

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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou, de seminário “Desafios e Perspectivas para a Saúde do Brasil”, promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) Justiça, no Rio de Janeiro. O encontro abordou principalmente os impactos da judicialização de medicamentos e das mudanças climáticas na saúde pública, reunindo especialistas, representantes do Judiciário e da sociedade civil, que puderam acompanhar as estratégias do Ministério da Saúde para enfrentar esses desafios. Durante o seminário, foram apresentadas ações para aprimorar a gestão das demandas judiciais e garantir o cumprimento das decisões, como a priorização da entrega direta de medicamentos ao paciente. Essa estratégia contribui para gerar economicidade aos cofres públicos, considerando o poder de compra do Governo Federal, que possibilita aquisições em maior escala e com descontos. No ano passado, foram realizadas mais de 4,7 mil entregas, sendo quase 70% dos medicamentos fornecidos pelo Ministério da Saúde e não por depósito judicial. “Os gastos com a judicialização no SUS caíram consideravelmente nos últimos anos. A construção de um arcabouço jurídico mais claro e seguro, com diretrizes objetivas para a tomada de decisões em diferentes instâncias da Justiça, tem papel fundamental na garantia da melhor aplicação dos recursos públicos e na efetivação do direito constitucional à saúde de qualidade para todos”, reforçou o ministro, Alexandre Padilha. Além disso, o ministro Padilha destacou a Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), iniciativa que amplia a oferta de medicamentos para o tratamento do câncer no Sistema Único de Saúde (SUS), com a incorporação gradual de 23 novos fármacos de alto custo a partir de outubro, contribuindo também para a redução da judicialização na oncologia. O enfrentamento dessa temática também envolve o fortalecimento da avaliação e incorporação de tecnologias, o aprimoramento dos processos de aquisição e distribuição, a ampliação da transparência e o diálogo entre Executivo, Judiciário e demais instituições envolvidas na garantia do direito à saúde. Para o enfrentamento das mudanças climáticas, sobretudo diante dos impactos associados ao El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e que pode alterar os padrões de chuva e temperatura, o Ministério da Saúde tem intensificado sua atuação por meio da Sala Nacional de Situação de Emergências Climáticas em Saúde. A estrutura permanente é voltada ao monitoramento e à resposta coordenada a eventos extremos, como enchentes, secas e queimadas. Outra iniciativa é o AdaptaSUS, plano destinado a ampliar a resiliência estrutural de hospitais e unidades básicas de saúde diante de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, enchentes, secas e queimadas. A estratégia também integra informações ambientais e epidemiológicas para subsidiar a tomada de decisões e fortalecer a capacidade de resposta do SUS. Padilha reforça que “o impacto das mudanças climáticas e do aumento da temperatura no Brasil exige uma reorganização do SUS, voltada não somente às tragédias, mas, com preparação. Isso é o que estamos fazendo, a partir do uso de evidência e previsibilidade, antecipação por monitoramento e análise e previsão epidemiológica, com foco nas especificidades territoriais e demográficas de cada região” Ainda no Rio de Janeiro, o ministro participou da 2ª Conferência Nacional Livre, Democrática e Popular de Saúde 2026, promovida pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). O encontro reuniu entidades da área da saúde, movimentos sociais, trabalhadores, pesquisadores e representantes da sociedade civil para discutir os desafios atuais do SUS e os caminhos para seu fortalecimento. Entre os principais temas debatidos estiveram a defesa do caráter público e universal do sistema, a participação social na construção das políticas de saúde, a valorização dos trabalhadores e os desafios sanitários contemporâneos. Padilha também participou do encerramento do 64º Congresso Científico do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), que teve como tema central “Saúde 5.0: Conectando Tecnologia e Humanização”. O evento ocorreu entre os dias 24 e 28 de agosto e teve como objetivo discutir os impactos da inteligência artificial, da transformação digital e da inovação diagnóstica, sem perder de vista o acolhimento ao paciente. O HUPE é referência em assistência especializada no estado e certificado como hospital de ensino. A unidade possui 518 leitos destinados ao SUS, distribuídos entre as áreas de terapia intensiva, obstetrícia, cirurgia, pediatria, cuidados a pacientes crônicos e psiquiatria.
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