[views count="1" print="0"]

Projeto do TJ pode prejudicar a região

Deputados externam preocupação quanto ao acesso da população à Justiça

Deputados reivindicaram a inclusão de critérios sociais para o planejamento, pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), da organização judiciária do estado. A demanda foi feita em audiência pública realizada na manhã dessa quinta-feira para discutir mudanças nas comarcas do Norte de Minas pretendidas pelo Projeto de Lei Complementar (PLC) 40/23.

Durante a reunião, realizada pela Comissão de Participação Popular da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o representante do TJMG, Renato Cardoso Soares, apresentou os caminhos para a apresentação do projeto e falou dos critérios técnicos para as decisões. A principal preocupação dos parlamentares foi com a possibilidade de extinção de uma das duas unidades judiciárias da comarca de Manga, prevista na proposta.

A deputada Leninha, do PT, vice-presidente da Assembleia Legislativa, lembrou que Manga fica distante em mais de 700 quilômetros de Belo Horizonte. Além disso, existe na região um enorme território indígena e comunidades quilombolas. Para ela e para o deputado Ricardo Campos, do PT, autores do requerimento para realização da reunião, essas serão as pessoas mais afeta das pelo fechamento da unidade.

Quem representou o TJMG no debate foi o assessor especial da presidência, Renato Cardoso Soares. Inicialmente, ele ressaltou que o ano de 2023 terminou com acervo de mais de 5 milhões de processos ativos no Estado, sendo que há apenas 933 juízes em atividade. Para distribuir esses processos e organizar a prestação judiciária, o Tribunal se organiza em comissões.

Uma das comissões é a de organização judiciária. Segundo o convidado, é nesse âmbito que são construídos os projetos, como o PLC 40/24. Para tanto, ele informou que são utilizados subsídios técnicos, em especial estatísticos e geográficos. Com esses estudos, decidiu-se, ainda de acordo com Renato Soares, pelo fechamento da unidade de Manga e paralela abertura de unidade em Jaíba.

Os dois municípios estão distantes cerca de 70 quilômetros e a unidade de Jaíba já está em funcionamento. Assim, Renato Soares afirmou que o PLC 40/ 24 apenas formaliza uma situação que, na prática, já existe. Ele informou que, apesar do pouco tempo de funcionamento, a unidade de Jaíba tem atualmente 7.400 processos, enquanto Manga tem 5.800.

Por fim, o representante do TJMG disse que já estão em estudo a instalação de novas comarcas no Norte de Minas Gerais. Os municípios de Águas Formosas, Novo Cruzeiro, Taiobeiras e Medina são alguns dos que podem receber unidades judiciárias nos próximos anos.

Ao final da reunião, diante das críticas, Renato Soares relatou que no último dia 14 foi publicado no Diário do Judiciário um aviso eletrônico listando todas as comarcas que têm carência de magistrados, entre elas Manga. Caso nenhum juiz opte por atuar na cidade, segundo ele, já está na reta final de treinamento na Escola Judicial 64 nomeados em concurso.

Eles devem ser designados provavelmente a partir de julho ou agosto, tendo Manga como um dos destinos, conforme destacou o representante do TJMG. “Não é o ideal, não é a segunda vara, mas é o que é possível fazer no momento”, informou.

REIVINDICAÇÃO – Prefeitos e advogados da região também estiveram presentes e reivindicaram a permanência da unidade judiciária de Manga. O prefeito do município, Anastácio Guedes, indicou que, mais do que manter a comarca, é preciso investir nela. Ele denunciou, em especial, que atualmente não há nenhum juiz lotado em Manga, apenas um plantonista que vai até lá uma vez por semana.

Em complemento ao observado pelo prefeito, o delegado de prerrogativas de OAB (Sub- -seção Manga), Jorge Wianey, afirmou que, embora o município tenha oficialmente duas comarcas, apenas uma está em efetivo funcionamento. A outra, segundo ele, já teve funcionários demitidos e já não funciona.

Como resultado, a população tem encontrado mais dificuldades para acessar a Justiça, segundo os convidados. Jorge Wianey disse que, apenas com juiz plantonista, têm sido necessários 60, às vezes 90 dias, para se conseguir liminar para garantia de pensão alimentar para crianças, por exemplo. Para ele, o fim da unidade jurisdicional tende a piorar o cenário. “Tirar essa unidade de Manga é tirar a dignidade de um povo”, afirmou. Depois de ouvir os convidados, o deputado Ricardo Campos disse que entende os critérios técnicos utilizados pelo TJMG, mas reivindicou o uso de critérios sociais para a tomada de decisões. Os pares apoiaram a colocação.

PROJETO – O PLC 40/ 23, de autoria do TJMG, já foi aprovado em Plenário no 1º turno, mas os deputados Ricardo Campos e Leninha indicaram que a aprovação foi parte de acordo que incluía a presença de representante do TJMG na audiência para esclarecimentos. Eles afirmaram que emendas serão propostas para o 2º turno. Uma delas, segundo Ricardo Campos, exige um juiz titular em todas as comarcas.

Projeto do TJ pode prejudicar a região
Audiência na Assembleia Legislativa discutiu projeto que visa mudanças comarcas do Norte de Minas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendadas a você

Em todo o país, 77% dos municípios estão cobertos com serviços móveis de consultas, exames e cirurgias
Carretas atendem 1 milhão de procedimentos
O lançamento da campanha de Apadrinhamento de Natal ocorreu no auditório da Ejef, em Belo Horizonte
Solidariedade e Pertencimento: O Natal da Criança Acolhida em Minas Gerais
Sancionada lei do Move Brasil para frotas urbanas
Mais de 1 milhão de crianças menores de 5 anos foram vacinadas com a Pneumo 20 pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde o início da estratégia nacional de vacinação, em junho deste ano. O anúncio foi feito na sexta-feira (11) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante visita a serviços de saúde em Montes Claros, na Santa Casa. Incorporada ao Calendário Nacional de Vacinação em 2026, a vacina protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, ampliando a proteção contra doenças pneumocócicas, como pneumonia e meningite. “A inclusão da Pneumo 20 no SUS amplia o acesso das crianças à proteção contra doenças causadas por 20 sorotipos da bactéria pneumococo. Na rede privada, o valor da vacina pode chegar a R$ 600. Desde a incorporação ao Calendário Nacional de Vacinação, mais de 1 milhão de crianças já receberam a vacina no país”, afirmou o ministro da Saúde. A Pneumo 20 oferece cobertura mais abrangente porque inclui também os sorotipos 3, 6A e 19A, associados à doença pneumocócica invasiva no Brasil, e protege contra a otite média, que pode causar complicações, incluindo perda auditiva. A vacinação é a principal forma de prevenir as formas graves das doenças pneumocócicas. Além de proteger cada criança vacinada, a ampliação da cobertura contribui para reduzir internações, complicações e mortes, especialmente na primeira infância, período em que as crianças estão entre os grupos mais vulneráveis. Entre 2023 e 2025, o Brasil registrou 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil mortes pela doença, com taxa de letalidade de 30%. Entre crianças menores de 5 anos, foram registrados 589 casos e 187 óbitos no período. ESQUEMA VACINAL - Com a incorporação da Pneumo 20 ao Calendário Nacional de Vacinação, a Pneumo 10 será substituída gradualmente no esquema infantil. Durante esse período, os estoques disponíveis da Pneumo 10 continuarão sendo utilizados. Por isso, temporariamente, o esquema combinará as duas vacinas. A vacinação será realizada da seguinte forma: • Crianças que estão iniciando o esquema: recebem a Pneumo 20 aos 2 meses, a Pneumo 10 aos 4 meses e o reforço da Pneumo 20 aos 12 meses. O intervalo mínimo entre a segunda dose e o reforço é de 60 dias. • Crianças que já completaram o esquema com a Pneumo 10: não precisam receber uma dose adicional da Pneumo 20. • Crianças que começaram o esquema com a Pneumo 13 ou a Pneumo 15 na rede privada: podem completar a vacinação com a Pneumo 20 pelo SUS, respeitando os intervalos recomendados. Após o término dos estoques da Pneumo 10, todas as doses do esquema infantil serão realizadas com a Pneumo 20. Pais e responsáveis devem manter a caderneta de vacinação das crianças atualizada e procurar uma unidade de saúde para verificar se há doses pendentes. O histórico de vacinação também pode ser acompanhado pela Caderneta Digital de Saúde da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital.
SUS alcança mais de 1 milhão de crianças vacinadas
Terceira unidade do país vai apoiar todo o Sudeste em casos de ondas de calor, enchentes e outros eventos extremos ligados ao El Niño
Força Nacional do SUS recebe base regional no Rio para atender o Sudeste
Primeiro produto da plataforma nacional, vacina contra a Covid-19 avança para testes clínicos
Brasil consolida desenvolvimento de vacinas com RNA
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou, de seminário “Desafios e Perspectivas para a Saúde do Brasil”, promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) Justiça, no Rio de Janeiro. O encontro abordou principalmente os impactos da judicialização de medicamentos e das mudanças climáticas na saúde pública, reunindo especialistas, representantes do Judiciário e da sociedade civil, que puderam acompanhar as estratégias do Ministério da Saúde para enfrentar esses desafios. Durante o seminário, foram apresentadas ações para aprimorar a gestão das demandas judiciais e garantir o cumprimento das decisões, como a priorização da entrega direta de medicamentos ao paciente. Essa estratégia contribui para gerar economicidade aos cofres públicos, considerando o poder de compra do Governo Federal, que possibilita aquisições em maior escala e com descontos. No ano passado, foram realizadas mais de 4,7 mil entregas, sendo quase 70% dos medicamentos fornecidos pelo Ministério da Saúde e não por depósito judicial. “Os gastos com a judicialização no SUS caíram consideravelmente nos últimos anos. A construção de um arcabouço jurídico mais claro e seguro, com diretrizes objetivas para a tomada de decisões em diferentes instâncias da Justiça, tem papel fundamental na garantia da melhor aplicação dos recursos públicos e na efetivação do direito constitucional à saúde de qualidade para todos”, reforçou o ministro, Alexandre Padilha. Além disso, o ministro Padilha destacou a Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), iniciativa que amplia a oferta de medicamentos para o tratamento do câncer no Sistema Único de Saúde (SUS), com a incorporação gradual de 23 novos fármacos de alto custo a partir de outubro, contribuindo também para a redução da judicialização na oncologia. O enfrentamento dessa temática também envolve o fortalecimento da avaliação e incorporação de tecnologias, o aprimoramento dos processos de aquisição e distribuição, a ampliação da transparência e o diálogo entre Executivo, Judiciário e demais instituições envolvidas na garantia do direito à saúde. Para o enfrentamento das mudanças climáticas, sobretudo diante dos impactos associados ao El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e que pode alterar os padrões de chuva e temperatura, o Ministério da Saúde tem intensificado sua atuação por meio da Sala Nacional de Situação de Emergências Climáticas em Saúde. A estrutura permanente é voltada ao monitoramento e à resposta coordenada a eventos extremos, como enchentes, secas e queimadas. Outra iniciativa é o AdaptaSUS, plano destinado a ampliar a resiliência estrutural de hospitais e unidades básicas de saúde diante de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, enchentes, secas e queimadas. A estratégia também integra informações ambientais e epidemiológicas para subsidiar a tomada de decisões e fortalecer a capacidade de resposta do SUS. Padilha reforça que “o impacto das mudanças climáticas e do aumento da temperatura no Brasil exige uma reorganização do SUS, voltada não somente às tragédias, mas, com preparação. Isso é o que estamos fazendo, a partir do uso de evidência e previsibilidade, antecipação por monitoramento e análise e previsão epidemiológica, com foco nas especificidades territoriais e demográficas de cada região” Ainda no Rio de Janeiro, o ministro participou da 2ª Conferência Nacional Livre, Democrática e Popular de Saúde 2026, promovida pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). O encontro reuniu entidades da área da saúde, movimentos sociais, trabalhadores, pesquisadores e representantes da sociedade civil para discutir os desafios atuais do SUS e os caminhos para seu fortalecimento. Entre os principais temas debatidos estiveram a defesa do caráter público e universal do sistema, a participação social na construção das políticas de saúde, a valorização dos trabalhadores e os desafios sanitários contemporâneos. Padilha também participou do encerramento do 64º Congresso Científico do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), que teve como tema central “Saúde 5.0: Conectando Tecnologia e Humanização”. O evento ocorreu entre os dias 24 e 28 de agosto e teve como objetivo discutir os impactos da inteligência artificial, da transformação digital e da inovação diagnóstica, sem perder de vista o acolhimento ao paciente. O HUPE é referência em assistência especializada no estado e certificado como hospital de ensino. A unidade possui 518 leitos destinados ao SUS, distribuídos entre as áreas de terapia intensiva, obstetrícia, cirurgia, pediatria, cuidados a pacientes crônicos e psiquiatria.
MS destaca ações para enfrentar a judicialização
larissa jaiba
Minas Urbano incentiva jovens em Jaíba
AGU garante piso mínimo do frete e fiscalização
Padre realizará romaria em julho
Atendimento ao CAIC Maracanã
Prorrogado prazo para isenção da taxa de inscrição do Enem
Filhos da Terra” leva arte e identidade a escolas públicas
Esquadrão da Vida atua há mais de três décadas no cuidado e prevenção em comunidades
Maus-tratos poderão ter sistema nacional
Feira Brasil na mesa começa hoje
JF aponta os desafios na área da saúde 
Aplicativo e-Título passa a enviar alertas com orientações
Carretas atendem 1 milhão de procedimentos
Mulher morre atropelada por moto
Vitória perde para o Cruzeiro