Megaprojeto saudita tem obras paralisadas e contratos bilionários em revisão
O megaprojeto Neom, símbolo da transformação econômica planejada pela Arábia Saudita, enfrenta um impasse após o reino investir mais de US$ 50 bilhões na construção de uma metrópole futurista no deserto. Segundo investigação do Wall Street Journal, baseada em documentos internos e imagens de satélite, obras de diferentes empreendimentos do complexo foram interrompidas ou estão sendo gradualmente encerradas.
O impacto financeiro pode aumentar. O orçamento do projeto para 2026 a 2030 prevê cerca de 60 bilhões de riyals, equivalentes a aproximadamente US$ 16 bilhões, destinados ao encerramento de contratos de longo prazo. Entre os projetos afetados está o The Line, cidade linear de 160 quilômetros que representa a principal vitrine de Neom e teria as obras suspensas até pelo menos 2030.
Lançado em 2017, o empreendimento chegou a ser estimado em US$ 500 bilhões e integra a estratégia do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman para diversificar a economia saudita e reduzir a dependência do petróleo. O custo crescente, porém, passou a desafiar a capacidade de financiamento e execução do plano original.
Os sinais de retração se acumulam desde 2025. O adiamento dos Jogos Asiáticos de Inverno de 2029, previstos para Trojena, e relatos de desaceleração das obras reforçaram as dúvidas sobre o futuro do complexo. Apesar de declarações anteriores de que nenhum projeto havia sido cancelado, novas informações apontam para uma revisão profunda das prioridades.
O cenário deixa no deserto estruturas parcialmente construídas e expõe o desafio de transformar projetos de escala extraordinária em empreendimentos economicamente sustentáveis.
