Estudo alerta que mudanças climáticas ampliarão áreas queimadas no continente
A área da Europa atingida anualmente por incêndios florestais pode quase triplicar até o fim do século se as emissões de gases de efeito estufa continuarem em níveis elevados. A projeção consta de estudo publicado na revista Global Change Biology e liderado pelo Instituto de Pesquisa de Impacto Climático de Potsdam (PIK), na Alemanha.
Em um cenário de forte aquecimento, com aumento da temperatura média global de aproximadamente 3,6°C, a pesquisa estima que a área queimada entre 2070 e 2100 será 192% maior que a atual. Mesmo com emissões reduzidas e aquecimento limitado a cerca de 1,8°C, o avanço ainda seria expressivo: 39% mais áreas queimadas por ano.
O alerta ocorre durante uma temporada particularmente severa. Até meados de agosto, mais de 550 mil hectares haviam sido consumidos por incêndios na União Europeia, cerca de duas vezes e meia a média das duas últimas décadas. França, Grécia, Espanha e Bélgica estão entre os países afetados por grandes focos, em meio a ondas de calor, seca e ventos intensos.
Os pesquisadores também apontam que investimentos em prevenção, detecção precoce e combate podem reduzir significativamente os impactos. Em cenários de menor aquecimento, medidas de gestão poderiam diminuir em até 92% a área queimada projetada. Entretanto, os especialistas alertam que incêndios extremos podem ultrapassar a capacidade operacional dos sistemas de combate.
O estudo reforça que a adaptação precisa caminhar junto à redução das emissões. Para os pesquisadores, o aumento do calor e da aridez pode levar o continente a enfrentar incêndios mais frequentes, intensos e geograficamente abrangentes.
