O promotor Franklin Reginato Mendes, Coordenador Regional das Bacias do Rio Verde Grande e Pardo de Minas, fez um alerta sobre o risco de desertificação do Norte de Minas, por causa dos grandes empreendimentos que são instalados sem o licenciamento ambiental, como foi na década de 80 com o reflorestamento, e anos anteriores, com a ampliação da pecuária, e agora com a energia fotovoltaica. O representante do Ministério Público abordou o assunto durante a etapa regional da semana leonística mundial, realizada pelo Lions Clube Montes Claros Sertanejo, na noite dessa quarta-feira em Montes Claros, em evento que teve como temática “os impactos das mudanças climáticas.” A reunião contou com a participação de representantes de diferentes setores da sociedade montes-clarense.
O promotor lembrou que os impactos das mudanças climáticas são visíveis no Norte de Minas, como foi a produção de eucaliptos, sem o licenciamento ambiental, concorrendo contra a perenização dos rios e córregos nesta parte do estado. Da mesma forma, prosseguiu, aconteceu na expansão agressiva da pecuária, onde ocorreram desmatamentos de áreas florestais e que deixaram veredas degradadas. Por conta isto, agora o MPMG, em parceria com a Maçonaria, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), estará recuperando veredas na região, a partir de 5 de novembro. Franklin Reginato mostrou que a seca é a demonstração dos impactos das mudanças climáticas no Norte de Minas, reafirmando que assim, há risco efetivo de desertificação desta porção do estado.
Ao prosseguir com a manifestação, o representante do Ministério Público lembrou que o Norte de Minas sempre será uma matriz de energia, anteriormente com a produção de carvão, e agora com a energia solar fotovoltaica, que ao invés de pedir para desmatar novas áreas, onde querem implantar suas unidades, deveriam usar as áreas já desmatadas, visando a preservação ambiental. Franklin Reginato afirmou que poucos municípios da região contam com Plano Municipal de Saneamento Básico, e com isto o esgoto é despejado no leito dos rios e córregos, contribuindo para constantes agressões ambientais, com prejuízos irreparáveis à população norte-mineira. O MPMG está aplicando R$ 4 milhões na elaboração destes planos.
O promotor lembrou que a atuação do MPMG tem permitido que o Norte de Minas se destaque com o fim dos lixões, apesar de ainda estar muito atrasado nesta área. Mesmo, assim, 50 lixões foram eliminados na região e criados aterros sanitários, em cidades polos, através de consórcios municipais, para receber e tratar o lixo coletado. Ele espera mais avanços no setor em futuro próximo.