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Montes Claros chora a morte de escritora e acadêmica

Acadêmica Amelina Chaves morreu na noite dessa segunda-feira, na Santa Casa

Montes Claros perdeu na 23h30 de segunda-feira (22) uma das maiores expressões culturais dos últimos anos, a escritora Amelina Fernandes Chaves, aos 92 anos. Ela era membro de todas as academias de letras montes-clarenses, do Norte de Minas, de Corinto e de outras partes do Estado, além de pertencer ao Instituto Histórico e Geográfico de Montes Claros (IHGMC). Amelina nasceu na antiga fazenda Sapé, em Capitão Enéas, no dia 26 de outubro de 1931.

A escritora e acadêmica deixa um legado de 36 livros escritos em vários estilos, lembra ao NOVO JORNAL DE NOTÍCIAS, o cantor, compositor e cordelista Téo Azevedo, que teve parceira de algumas músicas, inclusive a música que dá título a um dos seus livros “O Andarilho do São Francisco”, Crônicas de Amor Eterno, entre tantas outras.

Também uma poesia de autoria de Amelina, que o escritor Téo Azevedo, de Alto Belo, Bocaiúva, Norte de Minas, musicou e foi gravada por Djalma Lúcio, em homenagem ao maior seresteiro do Norte de Minas, João Chaves. Ela teve 15 filhos e perdeu dois deles para a covid-19.

Para Azevedo, Amelina representa uma perda muito grande, pois a considera como uma das melhores pessoas que já viu na vida. Nem lá fora, resumiu o compositor. “Era a minha melhor amiga durante todos os dias da vida e sempre ela esteve ao meu lado e de minha esposa e tabeliã Maria de Lourdes Chaves (Lola Chaves)” relatou com lágrimas.

Ela, além de tantas coisas boas que ela fez na vida, ajudou a fundar com mais alguns colegas a Associação dos Repentistas e Poetas Populares do Norte de Minas (ARPPNM), no início dos anos 80. E atualmente, era relações públicas do grupo de seresta Amo-Te-Muito, contou ao NJN.

DOUTORA HONORIS CAUSA – Além de acadêmica, Amelina Chaves recebeu uma das maiores comendas Doutora o Título Doutora Honoris Causa da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), em 2019. Como membro do Conselho Universitário, foi apresentado a essa importante expressão da cultura montes-clarense pelo professor Wagner Rocha.

Em 2022, a convite dele, Amelina Chaves participou ativamente do colóquio sobre o antropólogo, político e montes-clarense Darcy Ribeiro, uma das obras que escreveu, bem como do escritor, político e do jurista sãofranciscano Memórias de um Mestre sobre Petrônio Braz, sendo membro da Academia de Artes, Letras e Cultura do Vale do São Francisco (Aclecia).

A academia foi fundada no dia 6 de outubro de 2001, durante as comemorações dos 500 anos do Rio São Francisco pelos acadêmicos José Luiz Rodrigues, o empresário e escritor Luiz Ferreira de Paula, da Coteminas, João Botelho, João Naves, Petrônio Braz, entre outros escritores de São Francisco, Januária, Pirapora, São Romão, Várzea da Palma e Montes Claros, no Norte de Minas.

Amelina foi internada na última terça-feira (16), na Santa Casa de Montes Claros, após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e seu quadro ficar delicado e ser intubada no final de semana depois de os pulmões se complicarem em função da idade avançada, segundos os seus familiares informaram à reportagem do NOVO JORNAL DE NOTÍCIAS, um dos filhos, o jornalista e produtor rural Aldecy Chaves.

A secretária municipal de Cultura, Júnia Rebelo lamentou a morte de Amelina Chaves, assim como o ex-secretário João Rodrigues, coordenador do Psiu Poético, Aroldo Pereira, Josecé Santos, Augusto Gonzaga, entre outros do segmento cultural local.

O velório aconteceu durante o dia de ontem, no Centro Cultural Hermes de Paula e sepultado às 17 horas, no Cemitério do Bonfim, no gazigo do marido Almir Chaves.

No Centro Cultural, várias homenagens foram realizadas pelos escritores e presidente da Academia de Letras de Montes Claros, Edson Andrade, que afirmou que a cadeira dela não ficará vazia. A advogada e cantora Liege Rocha, além do representante da Academia de Corinto fizeram homenagens e antes uma missa foi celebrada pelo Padre Reginaldo na manhã. Andrade destacou “que ela tem uma importância na literatura brasileira e não só daqui da região e deixou grande legado para nós”, disse emocionado.

Montes Claros chora a morte de escritora e acadêmica
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