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Judiciário celebra cultura antirracista e premia iniciativas de equidade no país

Os vencedores da primeira edição do Prêmio Equidade Racial do Poder Judiciário foram anunciados pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, nessa terça-feira (5/11).

Os vencedores da primeira edição do Prêmio Equidade Racial do Poder Judiciário foram anunciados pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, nessa terça-feira (5/11). O ministro destacou a relevância das iniciativas inscritas pelos tribunais que representam ações concretas para a mudança cultural e o enfrentamento ao racismo. As cortes vencedoras foram premiadas durante o Seminário de Boas Práticas em Equidade Racial.

Instituída pela Resolução CNJ n. 519/2023, a premiação pretende estimular as boas práticas nessa matéria. O ministro registrou que o prêmio teve um amplo engajamento dos tribunais do país, com “iniciativas criativas, sustentáveis e replicáveis, capazes de promover mudança real e criar uma cultura antirracista”.

Na modalidade Boas Práticas, o CNJ premiou 10 projetos, que foram apresentados durante o Seminário de Boas Práticas em Equidade Racial. Nessa categoria, a prática “Equidade Racial do Poder Judiciário”, do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO), conquistou o primeiro lugar. Já o “Curso de acesso afirmativo racial de acesso à carreira da magistratura”, da Escola Superior da Magistratura do Rio Grande do Sul, ficou em segundo lugar. E, em terceiro lugar, venceu a iniciativa “Narrativas e Escutatórias do Caminhar das Mulheres Negras”, do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA).

No eixo Desempenho, em que foram contabilizados o percentual de pessoas negras presentes na composição de comitês e comissões, como palestrantes em eventos, e a realização de eventos, campanhas e capacitações sobre o tema, o Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) ficou em 1.º lugar. Em 2.º lugar, ficaram empatados os Tribunais de Justiça do Amazonas (TJAM), da Bahia (TJBA) e o Tribunal Regional do Trabalho da 23.ª Região (Mato Grosso). Em 3.º lugar, venceu o Tribunal de Justiça do Amapá (TJAP).

Ainda receberam menção honrosa o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), no eixo Boas Práticas, e o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), no eixo Desempenho.

Para o presidente do Fórum Nacional do Poder Judiciário para a Equidade Racial (Fonaer), conselheiro João Paulo Shoucair, a premiação enalteceu ações que funcionam. “Essas práticas refletem o compromisso do Judiciário em enfrentar, discutir e aperfeiçoar o tratamento da questão racial”. Ele destacou ainda que “é muito duro ver o número pequeno de negros na magistratura”, mas que essas iniciativas podem ser uma semente para uma política racial nas promoções para os tribunais.

Consciência Negra será comemorado em um feriado nacional pela primeira vez.

No mês de novembro, são celebradas as ações pela equidade racial, especialmente pela comemoração do Dia da Consciência Negra, no dia 20, que neste ano será comemorado em um feriado nacional pela primeira vez. Ao longo do mês, são realizadas ações e propostas reflexões de combate ao racismo e de promoção da equidade racial dentro do Poder Judiciário.

Conforme destacou o ministro Barroso, ao longo das últimas décadas, o Brasil conseguiu mudar a forma de pensar da maior parte da população sobre a questão racial. “Hoje, há uma compreensão e uma percepção geral de que há um racismo estrutural. A cor da pele faz diferença no comportamento das pessoas, na acessibilidade aos espaços públicos, nos espaços de poder, e esse diagnóstico adequado tem contribuído para uma superação progressiva desse contexto”, disse.

Para o ministro, em uma sociedade marcada pela exclusão, pela marginalização, por uma subalternidade forçada, o Judiciário assumiu o papel de uma atuação “que precisa ser antirracista e reconheça os privilégios que todos nós herdamos de uma estrutura que condenava esses aspectos referentes a pelo menos metade da população brasileira”.

Nessa luta, Barroso citou ações que o CNJ tem implantado, como o programa de bolsas de estudo para fomentar o ingresso de candidatos negros e indígenas na magistratura. A princípio, serão 100 bolsas de R$ 3 mil ofertadas aos candidatos aprovados no primeiro Exame Nacional da Magistratura (Enam). O ministro destacou que o chamamento público para doações ao programa continua aberto. “Nossa expectativa é arrecadar mais R$ 7 milhões para oferecer pelo menos outras 100 bolsas de estudo e, assim, mudar a demografia da magistratura brasileira”.

Já o Protocolo de Julgamento com Perspectiva Racial deve ser lançado ainda neste ano. A medida, assim como foi feito na questão de gênero, deve mudar as perspectivas das decisões judiciais ao promover uma abordagem consciente das realidades vivenciadas pelas pessoas negras historicamente marginalizadas.

Ainda na terça-feira (5/11), o presidente do CNJ anunciou o lançamento do painel de Justiça Racial, que traz o acompanhamento da atuação judicial na temática. Desenvolvido em parceria com os programas Justiça 4.0 e Justiça Plural, ambos do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a ferramenta apresenta o panorama dos casos criminais relacionados a casos de racismo e crimes correlatos. Também traz um mapeamento da representatividade racial entre magistrados e servidores. “Ainda temos um déficit evidente de representatividade e de compreensão de realidades diferentes que provêm da questão racial e do racismo estrutural”, destacou Barroso.

Ele informou ainda que o Judiciário tem trabalhado com o letramento racial da magistratura para lidar com maior capacitação dessas questões de maneira geral. “É uma batalha longe de estar terminada, mas já mudamos um padrão de conduta que vigorava. Talvez, não na velocidade desejada, mas na direção certa. E, por isso, já temos o que comemorar”.

Para a ministra do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Vera Lúcia Santana Araújo, que esteva presente no seminário, a magistratura brasileira assumiu a vanguarda no enfrentamento ao racismo estrutural e institucional, e as resoluções do CNJ já ganham tradução também no funcionamento jurisdicional do Poder Judiciário. “Estou emocionada de participar dessa celebração. Juntamente com a ministra Edilene Lobo [do TSE], somos prova inconteste de que estamos caminhando para frente e no rumo certo”, afirmou.

Os vencedores da primeira edição do Prêmio Equidade Racial do Poder Judiciário foram anunciados pelo presidente do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, nessa terça-feira (5/11).

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O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou, de seminário “Desafios e Perspectivas para a Saúde do Brasil”, promovido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) Justiça, no Rio de Janeiro. O encontro abordou principalmente os impactos da judicialização de medicamentos e das mudanças climáticas na saúde pública, reunindo especialistas, representantes do Judiciário e da sociedade civil, que puderam acompanhar as estratégias do Ministério da Saúde para enfrentar esses desafios. Durante o seminário, foram apresentadas ações para aprimorar a gestão das demandas judiciais e garantir o cumprimento das decisões, como a priorização da entrega direta de medicamentos ao paciente. Essa estratégia contribui para gerar economicidade aos cofres públicos, considerando o poder de compra do Governo Federal, que possibilita aquisições em maior escala e com descontos. No ano passado, foram realizadas mais de 4,7 mil entregas, sendo quase 70% dos medicamentos fornecidos pelo Ministério da Saúde e não por depósito judicial. “Os gastos com a judicialização no SUS caíram consideravelmente nos últimos anos. A construção de um arcabouço jurídico mais claro e seguro, com diretrizes objetivas para a tomada de decisões em diferentes instâncias da Justiça, tem papel fundamental na garantia da melhor aplicação dos recursos públicos e na efetivação do direito constitucional à saúde de qualidade para todos”, reforçou o ministro, Alexandre Padilha. Além disso, o ministro Padilha destacou a Assistência Farmacêutica Oncológica (AF-Onco), iniciativa que amplia a oferta de medicamentos para o tratamento do câncer no Sistema Único de Saúde (SUS), com a incorporação gradual de 23 novos fármacos de alto custo a partir de outubro, contribuindo também para a redução da judicialização na oncologia. O enfrentamento dessa temática também envolve o fortalecimento da avaliação e incorporação de tecnologias, o aprimoramento dos processos de aquisição e distribuição, a ampliação da transparência e o diálogo entre Executivo, Judiciário e demais instituições envolvidas na garantia do direito à saúde. Para o enfrentamento das mudanças climáticas, sobretudo diante dos impactos associados ao El Niño, fenômeno caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico e que pode alterar os padrões de chuva e temperatura, o Ministério da Saúde tem intensificado sua atuação por meio da Sala Nacional de Situação de Emergências Climáticas em Saúde. A estrutura permanente é voltada ao monitoramento e à resposta coordenada a eventos extremos, como enchentes, secas e queimadas. Outra iniciativa é o AdaptaSUS, plano destinado a ampliar a resiliência estrutural de hospitais e unidades básicas de saúde diante de eventos climáticos extremos, como ondas de calor, enchentes, secas e queimadas. A estratégia também integra informações ambientais e epidemiológicas para subsidiar a tomada de decisões e fortalecer a capacidade de resposta do SUS. Padilha reforça que “o impacto das mudanças climáticas e do aumento da temperatura no Brasil exige uma reorganização do SUS, voltada não somente às tragédias, mas, com preparação. Isso é o que estamos fazendo, a partir do uso de evidência e previsibilidade, antecipação por monitoramento e análise e previsão epidemiológica, com foco nas especificidades territoriais e demográficas de cada região” Ainda no Rio de Janeiro, o ministro participou da 2ª Conferência Nacional Livre, Democrática e Popular de Saúde 2026, promovida pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). O encontro reuniu entidades da área da saúde, movimentos sociais, trabalhadores, pesquisadores e representantes da sociedade civil para discutir os desafios atuais do SUS e os caminhos para seu fortalecimento. Entre os principais temas debatidos estiveram a defesa do caráter público e universal do sistema, a participação social na construção das políticas de saúde, a valorização dos trabalhadores e os desafios sanitários contemporâneos. Padilha também participou do encerramento do 64º Congresso Científico do Hospital Universitário Pedro Ernesto (HUPE), que teve como tema central “Saúde 5.0: Conectando Tecnologia e Humanização”. O evento ocorreu entre os dias 24 e 28 de agosto e teve como objetivo discutir os impactos da inteligência artificial, da transformação digital e da inovação diagnóstica, sem perder de vista o acolhimento ao paciente. O HUPE é referência em assistência especializada no estado e certificado como hospital de ensino. A unidade possui 518 leitos destinados ao SUS, distribuídos entre as áreas de terapia intensiva, obstetrícia, cirurgia, pediatria, cuidados a pacientes crônicos e psiquiatria.
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