Calor, fumaça e eventos extremos ampliam riscos para a população idosa
As mudanças climáticas e o envelhecimento populacional colocam um novo desafio para as políticas públicas brasileiras: proteger os idosos dos efeitos cada vez mais frequentes de ondas de calor, queimadas, fumaça, chuvas intensas e outros eventos extremos. Em entrevista exclusiva ao canal VIVA, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que a população com 60 anos ou mais já é considerada prioridade nas ações do governo.
Segundo o ministro, crianças e idosos estão entre os grupos mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas, principalmente diante da elevação das temperaturas e da piora da qualidade do ar provocada pelos incêndios.
A resposta envolve diferentes áreas do governo. De acordo com Capobianco, 22 ministérios atuam de forma coordenada na prevenção e no controle das queimadas, incluindo o Ministério da Saúde.
Uma das medidas citadas é a implantação de uma rede de monitoramento da qualidade do ar nas capitais da Amazônia, permitindo ampliar a disponibilidade de informações e orientar a população sobre os riscos da exposição à fumaça.
O governo também prepara ações específicas relacionadas ao enfrentamento do El Niño, com alertas e orientações direcionados aos públicos mais vulneráveis.
A preocupação não se limita à saúde. O ministro destacou investimentos para ampliar a acessibilidade de idosos e pessoas com mobilidade ou visão reduzidas em unidades de conservação, com rampas, passarelas e outras estruturas que favoreçam o contato com a natureza.
Outro ponto abordado foi a importância dos idosos das comunidades indígenas e tradicionais. Para Capobianco, a perda desses conhecimentos representa o desaparecimento de um patrimônio brasileiro, já que os saberes acumulados por gerações contribuem para a conservação da natureza e podem ajudar na construção de políticas ambientais mais eficientes.
A relação entre conservação e produção também foi ressaltada. Segundo o ministro, a preservação de biomas influencia a disponibilidade de água, o abastecimento, a geração de energia e a atividade agropecuária. Nesse cenário, proteger territórios e valorizar os conhecimentos tradicionais passa a ser também uma estratégia de adaptação às mudanças climáticas.