Transição em Minas vira palco de atritos com medidas de fim de mandato
O processo de transição governamental em Minas Gerais converteu-se em um tenso embate político e administrativo. A derrota do governador Mateus Simões nas urnas — com desempenho eleitoral aquém das expectativas da chapa — abriu caminho para uma transição tumultuada, na qual o atual chefe do Executivo passou a encampar pautas de elevado impacto fiscal para o início do próximo mandato. A conduta gerou atritos diretos com a comissão de transição liderada pelo governador eleito Cleitinho Azevedo e pelo vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão, expondo a gravidade de uma herança financeira mal resolvida.
A gestão que se encerra falhou em repactuar adequadamente a dívida bilionária de Minas Gerais com a União, deixando um déficit projetado superior a R$ 10,5 bilhões para os cofres estaduais a partir de 2027. Em meio ao encerramento do mandato, Simões passou a enviar à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) propostas de grande impacto, como o piso para ajuda de custo dos servidores, o projeto de passe livre nos ônibus metropolitanos e a redução do IPVA. Para a equipe do novo governo, as medidas representam manobras de fim de mandato voltadas a comprometer o Orçamento e constranger o caixa público antes mesmo da posse.
A postura do atual governador motivou Cleitinho a acusar abertamente a gestão de atuar com atitudes desnecessárias para inviabilizar o início do futuro mandato. O desgaste das declarações públicas e a repercussão no meio político exigiram a intervenção direta de Romeu Zema, que buscou se reunir com Cleitinho e Falcão para amenizar os ruídos na Cidade Administrativa e reestabelecer um canal mínimo de civilidade na transição. Diante de projeções que indicam escassez de recursos livres já no início de 2027, o vice-governador eleito Luís Eduardo Falcão e a equipe técnica miram quadros do Tesouro para assumir a Secretaria da Fazenda e blindar os pagamentos essenciais do Estado.
Após o encerramento do mandato e o desgaste acumulado na disputa, Mateus Simões deve deixar a linha de frente do Poder Executivo para reassumir seu cargo de carreira na ALMG, onde seu comportamento e movimentações partidárias continuarão sob atenta observação dos bastidores da capital. Para o eleitorado e as lideranças dos Geraes — no Norte de Minas, Noroeste e Vales —, o fim das vaidades do Palácio da Liberdade é premissa indispensável para que o caixa estadual seja preservado e o Governo de Minas possa honrar os compromissos com a segurança hídrica, o desenvolvimento, a saúde e as rodovias do interior.