Estado tomba Centro Histórico de Januária

O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico, IEPHA-MG declarou o tombamento, aprovado por unanimidade em reunião do Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (CONEP).

O Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico, IEPHA-MG declarou o tombamento, aprovado por unanimidade em reunião do Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (CONEP). A Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG) apresentou o dossiê de tombamento do Centro Histórico de Januária, importante cidade ribeirinha do Rio São Francisco, no Norte de Minas.

As referências históricas e culturais estão associadas ao comércio e às navegações desde as primeiras ocupações coloniais no Estado, a cultura dos derivados da cana de açúcar e tradições como a do Caboclo d’Água, muito presente na vida dos pescadores ribeirinhos na formação da cultura mineira das Gerais e do Cerrado.

O IEPHA-MG iniciou as suas ações de conhecimento na região em 1985, quando realizou o Inventário de Proteção ao Acervo Cultural (IPAC-MG), em que cadastrou 192 edifícios de interesse cultural na área urbana de Januária.

No mesmo ano, tombou as Ruínas da Igreja do Bom Jesus de Matozinhos, em Várzea da Palma, a Ponte Marechal Hermes, que liga os municípios de Pirapora e Buritizeiro, e o Vapor Benjamim Guimarães, situado no município de Pirapora. Alguns anos mais tarde, em 1989, tombou a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, no povoado de Barro Alto do distrito de Brejo do Amparo, em Januária.

A necessidade de ampliar o conhecimento sobre a diversidade de bens culturais e de identificar elementos e valores orientadores de proteção que expressam os modos de vida no Rio São Francisco motivaram um novo levantamento da região entre os anos de 2012 e 2015.

O Inventário Cultural de Proteção do São Francisco realizado pelo IEPHA-MG em parceria com o Núcleo de História Regional da Universidade Estadual de Montes Claros teve o objetivo de conhecer o patrimônio cultural de dezessete municípios lindeiros ao Rio no trecho navegável de Pirapora ao município de Manga.

Os bens inventariados, dessa vez pelo viés do patrimônio cultural de natureza imaterial, referem-se aos saberes e tradições relacionados ao cultivo, a pesca e a navegação, a produção dos derivados do buriti e da cana de açúcar, as celebrações religiosas, expressões musicais, dança, culinária, entre outras práticas associadas.

A proposta de eixos temáticos de proteção a partir do inventário apresentada ao CONEP conduziu ao tombamento, em 2017, da Antiga Escola de Aprendizes Marinheiros, em Buritizeiro, e à conclusão do tombamento da Ruína da Capela de Mocambinho, em Jaíba. É, portanto, no contexto temático dos Vestígios da navegação comercial no rio São Francisco: Portos e Cais de Januária, Manga, Pirapora, São Francisco e São Romão e dos Marcos construtivos da colonização – Séculos XVII, XVIII e XIX que se insere a proposta de proteção do Centro Histórico de Januária.

Assim, em 2019, deu-se sequência aos estudos para proteção e do processo administrativo para tombamento do Centro Histórico de Januária. O dossiê de tombamento avalia os sentidos e significados do centro histórico, do porto de Januária e das referências espaciais e construídas existentes que materializam as diversas narrativas de processos históricos, econômicos e culturais dos modos de viver da região Norte de Minas e do Rio São Francisco.

O Centro Histórico junto ao antigo cais é formado a partir de três centralidades: Igreja Matriz, Igreja de Nossa Senhora do Rosário e Capela de Santa Cruz, onde ocorrem as festividades religiosas dos pescadores e pessoas ribeirinhas que vivem do Rio. O tombamento estadual do Centro Histórico de Januária inclui também a proteção de 54 edificações classificadas representativas de uma arquitetura regional em estilo colonial, eclético e um estilo regional encontrado nas cidades ao longo do Rio São Francisco.

A proteção do Centro Histórico de Januária contribui para a preservação da memória do modo de viver e de elos da cultura material do povo ribeirinho do São Francisco. Contudo, sua salvaguarda dá visibilidade e testemunho a novos estudos; potencializa processos criativos, a economia local e o desenvolvimento do turismo na região, além de fortalecer o sentimento de pertencimento dos moradores e a valorização da cultura na região.

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