Mulheres negras enfrentam maior mortalidade por barreiras no acesso ao diagnóstico
A luta contra o câncer de mama expõe uma disparidade profunda e alarmante na saúde pública brasileira. Dados levantados pelo Ministério da Saúde e divulgados pela Agência Brasil apontam que mulheres negras enfrentam um risco de morte até 3,8 vezes maior em decorrência da doença do que mulheres brancas. O indicador reflete não determinantes genéticos, mas os efeitos diretos das desigualdades socioeconômicas no acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento oportuno.
A disparidade se consolida na ponta do sistema de saúde: mulheres negras encontram maior dificuldade para agendar a mamografia preventivamente, enfrentam filas mais longas para biópsias e, consequentemente, chegam ao tratamento em estágios mais avançados da doença. Essa barreira de acesso compromete significativamente as chances de cura, mesmo em um cenário onde a tecnologia médica oferece altas taxas de sucesso para detecções precoces.
Para Minas Gerais, e de forma acentuada nas comunidades quilombolas e periféricas do Norte de Minas e do Vale do Jequitinhonha, os dados funcionam como um alerta urgente. A descentralização dos serviços de mastologia, a agilidade no encaminhamento dos exames alterados e o atendimento humanizado no Sistema Único de Saúde (SUS) são indispensáveis para reduzir essa assimetria.
Garantir equidade na atenção à saúde feminina e combater gargalos estruturais é dever do Estado para assegurar que o direito à vida e à cura alcance todas as mulheres, sem distinção de raça ou classe social.
