Das ondas do rádio e da TV para o gabinete de prefeito, Zé Vicente, a voz do sertão

José Vicente Medeiros, o Zé Vivente (26/7/1941), nasceu no campo, é violeiro, artesão, repentista, radialista, apresentador de TV e foi vereador, vice e prefeito de Montes Claros.

José Vicente Medeiros, o Zé Vivente (26/7/1941), nasceu no campo, é violeiro, artesão, repentista, radialista, apresentador de TV e foi vereador, vice e prefeito de Montes Claros. Uma longa história de vida fazendo rádio por décadas ao lado de muitos colegas que já se passaram e outros que ainda convivem, como Sebastião Remígio, Leandro Aguiar, Alfeu Soares, Adeli Mendes, Deusdete Ribeiro, Schumann Procópio, Aroldo Gonçalves e Cid Durães, entre tantos outros.

Muitos episódios marcaram a vida do eclético comunicador, que começou a trabalhar no rádio e continua até hoje na Terra AM 760 de Montes Claros, sempre com a mesma empolgação, alegria e prazer de fazer ecoar pela região os sons e as riquezas do sertão. Todo comunicador é político, mas Zé Vicente precisava sentir e viver na pele a política. O tradicional “Gente da gente” foi vereador por dois mandatos, vice-prefeito e também ocupo o cargo de chefe do Executivo por sete meses.

Com quase 60 anos de profissão, Zé Vicente se mantém no comando do “Trenzinho vai e vai”, surfando na crista da onda e sempre desbravando horizontes, mas sem jamais esquecer as raízes. “Lembro-me ainda dos antigos companheiros de rádio, José Nardel, Artur Leite, o ex-vereador e presidente da Câmara de Montes Claros, João Hamilton Silveira, Geraldo Sá, entre tantos outros que já partiram dessa vida, mas que foram importantes para a história do rádio no Norte de Minas”, recordou.

Ex-presidente da Associação dos Repentistas, Poetas Populares do Norte de Minas (ARPNM) junto com o cordelista, cantor e compositor Téo Azevedo, Zé Vicente teve a vida marcada por apresentações musicais e times de futebol no Norte de Minas, como o Bola Show, em cima de um caminhão com alto falante, que acontecia entre os municípios de Janaúba e Jaíba. Naquela época, ele gravou o primeiro disco em São Paulo com o amigo Téo Azevedo em alusão ao Rio São Francisco.

O programa tinha grande audiência, segundo Zé Vicente. “Fazíamos farofa e leilões para arrecadar dinheiro para manter a alegria do povo norte-mineiro”. Atualmente, juntamente com o filho Álvaro Vicente, que também é radialista, cantor e graduado em Direito e Letras, Zé Vicente marca presença aos domingos na TV Gazeta, e diariamente na Rádio Terra, onde se une com o neto Lucas, apresentando e cantando músicas caipiras e sertanejas, recordando os sanfoneiros Forró Balanço e a icônica dupla Dourado e Douradinho.

Zé Vicente lembra que se ingressou na radiofonia na Rádio Sociedade, a convite do amigo e jornalista Elias Siufi, além do colega Batista Caldeira, criaram um programa com a participação da população para aumentar a audiência. Anos mais tarde, incrementar o programa tornou-se mais do que uma necessidade, com a chegada da forte concorrência da Rádio Educadora, de propriedade do atual prefeito e ex-deputado federal Humberto Souto, que chegou com um programa com os mesmos propósitos conduzido pelo saudoso Nivaldo Maciel, “Eu daqui falando e vocês daí escutando”, que era transmitido de manhã e à tarde, recorda.

NAS ONDAS DO AR

Nas ondas do ar, o encontro e reencontro diários com inesquecíveis companheiros tornavam as tarefas mais prazerosas. “Tivemos grandes colegas de rádio, como o lendário Gelson Dias, o GD, que tinha o programa “Olha Nós aqui Traveis”, Hertz Ferreira, Alfeu Prates, Wanda Gonçalves, Jair Santos e Cid Mourão, entre tantos outros, que ainda estão por aí aposentados”, destaca Zé Vicente.

“A nossa audiência [na Rádio Sociedade] cresceu tanto, que as cartinhas dos moradores chegavam a toda hora e enchiam sacos e mais sacos, com os radio-espectadores pedindo músicas, dando informações e recados. Comemorávamos aniversários dos ouvintes e aí ampliamos o programa depois da autorização do diretor-geral Elias Siufi”, lembra Zé Vicente.

“Anos depois, criamos o programa Rancho da Gente, que conseguiu ter grande audiência, com as pessoas participando com a gente ao vivo, através do telefone, que não parava de tocar. Os ouvintes nos mandavam seu recado sempre com aquela frase: Alô! e eu respondia, ‘Tem Gente no Rancho’, quase não tinha música”, declara.

“Naquela época, o montes-clarense parece que tinha vergonha de falar no ar, mas fomos aos poucos conquistando a amizade e o carisma dos ouvintes. Depois, fomos mudando para que eles participassem e tudo deu certo, pois os ouvintes gostavam da programação e das músicas. Então, a gente levava a nossa dupla musical para o circo e o Parque Municipal, por ocasião do aniversário da cidade no dia 3 de julho”, recorda o comunicador.

MIGRAÇÃO

Zé Vicente nasceu na localidade rural de Claraval, distrito de Claro dos Poções, conhecida como Vereda do Ouro, hoje comunidade rural de Montes Claros. Chegou à cidade em meados de 1962, trazido pelo primo João de Deus, conhecido como Zé Alambique, que fazia um programa sertanejo em Belo Horizonte e era muito experiente. “Depois, ele me convidou para ir para a Rádio Sociedade, pois antes eu trabalhava com carros de propagandas volantes”, conta.

“Comecei na rádio com o carDas ondas do rádio e da TV para o gabinete de prefeito, Zé Vicente, a voz do sertão FOTOS: ROGERIANO CARDOSO SESSENTA ANOS NO AR go de sonoplasta e observava Zé Alambique fazer o programa ao vivo. Aos pouquinhos, fui pegando e apreendendo a profissão, com apoio de Elias Siufi e tantos outros colegas que já partiram e outros que ainda continuam entre nós, que me deram muita força”, reconhece o artista e político.

PARCERIAS E IDEIAS

“Tínhamos excelentes colegas do rádio, como o radialista e músico Rogério Pereira Niza, pai do jornalista e narrador esportivo da Rádio da Terra, Rogeriano Cardoso, o Buiu, e seus irmãos bacanas cana, cana, e sempre levávamos os programas brincando”. “Alô, tem Gente no Rancho! Às vezes, as ligações caíam e ficávamos falando sozinhos”, lembra Zé Vicente, que é casado com a educadora Mirtes Alves Fróes Medeiros, que foi professora e diretora da Escola Francisco Peres, no povoado do São Geraldo II e Santa Rita.

“Fazíamos ainda outros programas, como Campina e Campinense, entre outros com a participação de violeiros e promovemos há seis anos em Nova Porteirinha alguns deles. Os rezeiros cantavam cada um por cinco minutos. Não consegui ganhar dinheiro, mas criei minha família e considero a pessoa mais rica de amizade em Montes Claros e no Norte de Minas”, comenta o comunicador.

A Rádio ZYD-7 funcionou num prédio antigo na Rua Simeão Ribeiro (Quarteirão do Povo) e depois na General Carneiro, perto da Praça Capitão Enéas Mineiro. “Minha carteira de trabalho foi assinada no dia 1º de junho de 1966 pelo jornalista Elias Siufi, ao lado de seu filho Hervê, que depois o convidou para participar de programa sertanejo na antiga TV Montes Claros, filiada TV Bandeirante, na década de 80.

Depois, a emissora passou a ser afiliada da Rede Globo, onde Zé Vicente apresentou o programa Parada Sertaneja. Alguns programas eram gravados na Fazenda Rocinha, do empresário e jornalista Américo Martins Filho, no Bairro Jaraguá II, debaixo de uma antiga e frondosa gameleira.

NUANCES

Pelo túnel do tempo, Zé Vicente faz constantes viagens, sem qualquer ordem cronológica, épocas ou fatos. Se recorda das jornadas dos seus familiares pelo Trem Baiano com destino a São Paulo, frisando que seus pais Caetano Félix Medeiros e Ana Pereira Prates tentavam ganhar dinheiro na colheita de café, milho nos Estados do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. “Tinha apenas um ano de idade e fiquei por aqui mesmo, com parentes”, disse. Depois de alguns anos, Zé Vicente se matriculou e cursou o 2º ano primário no Grupo Gonçalves Chaves, em Montes Claros.

Integrante do grupo político do ex-prefeito Luiz Tadeu Leite, Zé Vicente lembra que sempre teve bom trânsito com o também ex-prefeito Antônio Lafetá Rebelo, o colega de rádio repentista Nivaldo Maciel, assim como a educadora e ex-secretária municipal de Educação, professora América Eleutério, mãe do ex-vereador Júnior de Afrânio, apesar das diferenças políticas. “A ex-vereadora Maria Aparecida Bispo era diretora da escola e amiga particular da gente e do nosso grupo político”, declara.

O radialista revela que naquela época, o grupo político deles ajudou muito, mesmo sendo adversários de Tadeu Leite. Eles doaram um terreno de 300 m2 para construir a escola e não media esforços para atendê-lo em suas reivindicações.

Zé Vicente é pai de Ricardo, do radialista e ex-policial militar João Fróes, taxista Lauro Alex, Álvaro Vicente, radialista-advogado, acadêmico de Letras, Cleonice, Mônica e Áurea, sua ex-chefe de gabinete na Câmara Municipal e no período em que foi prefeito por sete meses em substituição ao médico, educador e empresário Ruy Muniz, cassado pela Justiça e netos Farley Lélis e Lucas (radialista e apresentador de programa sertanejo às 18h, na Rádio Terra).

Lealdade a Tadeu Leite e boa relação com os grupos adversários

José Vicente Medeiros foi vereador por dois mandatos; o primeiro em 2000, sendo secretário da Mesa Diretora. Anos depois, assumiu a prefeitura com a saída de Ruy Muniz. Admitiu que não tinha conhecimento da administração pública, mas como sempre pensava em fazer de Montes Claros uma cidade boa de se viver, assumiu o grande desafio e conseguiu “colocar as coisas nos seus devidos lugares”.

A primeira vez que se candidatou a uma vaga na Câmara Municipal foi na época da administração do prefeito Pedro Santos, na década de 70, quando não conseguiu se eleger. Mas não desistiu e foi em frente, chegando a dois mandatos de vereador, vice-prefeito e prefeito por sete meses.

“Depois disso, fiquei prejudicado com servidores que não receberam seus salários, que estão na Justiça para decisão e aguarda o pagamento dos precatórios prejudicando 40% dos comissionados”, destaca. Ele lembra ainda que sempre acompanhou o ex-prefeito Tadeu Leite (MDB) na política, partido pelo qual sempre continuou em suas fileiras, sendo eleito vereador e depois compôs chapa com Ruy Muniz, nas eleições de 2012-2016, saindo vitorioso ao derrotar o atual deputado federal Paulo Guedes (PT).

Zé Vicente se diz admirador e correligionário do ex-deputado federal, estadual e ex-secretário de Estado, Luiz Tadeu Leite, pai do presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), Tadeu Martins Leite (MDB). Ele destaca que, na década de 70, Tadeu ainda muito jovem conseguiu ser o vereador mais votado, vindo depois, em 1982, se eleger o prefeito mais votado, superando todo os seus adversários e antigos grupos políticos da cidade.

“O ex-prefeito Luiz Tadeu Leite foi sempre um vitorioso e líder político, quando ganhou duas eleições contra o ex-prefeito Jairo Ataíde e uma de Athos Avelino Pereira, perdendo outra, que foi seu vice-prefeito no segundo mandato e teve como vice em 82, Mário Ribeiro da Silveira e no terceiro mandato, Cristina Pereira, esposa do deputado nortemineiro Gil Pereira”, recorda Zé Vicente.

A comunidade recorda que, no primeiro mandato, Tadeu conseguiu realizar grandes obras, como a Central de Abastecimento do Norte de Minas (Ceanorte), Mercado Central, praças públicas nos bairros periféricos, Ginásio Poliesportivo Tancredo Neves, no Bairro Monte Carmelo, entre tantas outras importantes obras para a população, principalmente calçando inúmeras ruas na periferia, onde moradores e comerciantes sofriam com a poeira e lama.

ROMARIA

Além da comunicação e da política, o ex-prefeito Zé Vicente apoia e participa, há 47 anos, em todo mês de julho, da Romaria do Senhor do Bonfim, que sai às 4 horas da manhã da Paróquia do Alto São João e às 5 horas da Igreja São Judas Tadeu, com destino à Igreja do Senhor do Bonfim, em Bocaiúva, percorrendo a pé 50 quilômetros entre as duas cidades pela BR-135. Percursos que voltará a fazer em julho chegar, sempre de forma fervorosa e de gratidão a Deus e ao Senhor do Bonfim por tudo que tem conquistado na jornada da vida. Caminhada para festejar 83 anos. (Hermano Constantino – repórter)

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