[views count="1" print="0"]

Alta do dólar pressiona e ministro prepara opções de cortes de gastos

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, levará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um cardápio de opções de medidas para desindexar os gastos do Orçamento federal.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, levará ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva um cardápio de opções de medidas para desindexar os gastos do Orçamento federal. Entre elas, há a ideia de estabelecer o teto de 2,5% acima da inflação para as despesas hoje vinculadas ao salário mínimo, como os benefícios previdenciários, e também para os pisos da saúde e educação, hoje atrelados à arrecadação do governo.

Por esse modelo, esses gastos, que hoje crescem num ritmo muito superior, ficariam sujeitos ao mesmo limite do atual arcabouço fiscal – corrigindo a distorção de se ter rubricas obrigatórias com crescimento acelerado, que acabam comprimindo gastos para investimentos e para o custeio da máquina pública.

Essa solução já havia sido apresentada por Haddad no encontro com investidores na última sexta-feira, e confirmada pelo Estadão. O que azedou o clima com o mercado, no entanto, foi a certeza de que a decisão não cabe à Haddad e ainda precisará do aval do presidente Lula. Como o ministro disse que é Lula quem decide, e as declarações do presidente no campo econômico são ruins desde o início deste mandato, a percepção de risco aumentou muito da última sexta-feira para cá.

Com isso, o dólar chegou a bater em R$ 5,38 na abertura, ficando abaixo apenas das cotações da virada de governo, quando atingiu R$ 5,48 no dia 5 de janeiro de 2023. Por volta do meio-dia, o aumento havia se atenuado para R$ 5,35, segundo o serviço em tempo real do Estadão/Broadcast, mas com alta expressiva de 3,9% em junho e de 10,41% no ano. Com o dólar mais forte, a pressão sobre a inflação ficará maior, o que diminuirá a margem de manobra do Banco Central para dar continuidade aos cortes da taxa básica de juros.

Nesse sentido, a disparada do dólar acaba sendo um aliado de Haddad na necessidade de convencimento do presidente. Lula está sob influência do ministro da Casa Civil, Rui Costa, e da presidente do PT, Gleisi Hoffmann, que não conseguem compreender a urgência do ajuste fiscal. Mais do que isso: não enxergam o risco político para a própria eleição de 2026, em caso de descarrilamento da agenda econômica.

Haddad levará esse risco a Lula e ainda usará um argumento novo. Em caso de piora dos indicadores, principalmente do dólar, ganhará força no Congresso a ideia de anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro, que hoje permanece inelegível. A eleição de 2026, nesse cenário, poderia ser uma repetição de 2022, e não uma disputa com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas – em tese, um adversário mais fraco para Lula.

Até aqui, Haddad tem conseguido ganhar as principais disputas no campo econômico, como a reoneração dos combustíveis, a manutenção da meta de inflação de 3%, e o pagamento de dividendos extraordinário por parte da Petrobras. O problema é que essas vitórias têm acontecido sempre no “varejo”, e não no “atacado”. Ou seja, ele precisa atuar fortemente nos bastidores para conseguir cada uma das vitórias e não tem carta branca de Lula para adotar as medidas que achar necessárias.

A desindexação do Orçamento pode ser a batalha mais decisiva não só do ministro da Fazenda, mas de todo o governo. Sem essa medida, o arcabouço irá implodir, o que colocará em risco a governabilidade e a reeleição do presidente.

O fato é que se a Fazenda entendia que havia mais tempo para amadurecer esse debate, a disparada do dólar mostra que ele terá que ser antecipado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendadas a você

CLEITINHO
Arquitetos que viabilizaram a vitória de Cleitinho
O PTE-MG é destinado aos municípios que realizam o transporte de alunos da rede estadual residentes na zona rural
Amams cobra e Governo de Minas regulariza pagamento
Processo Seletivo Unificado da AREMG oferece duas vagas para programa com duração de quatro anos; início da residência está previsto para março de 2027
Fundação Dilson Godinho abrirá inscrições para Residência Médica
Promovido pela Pró-Reitoria de Pesquisa, o congresso reúne palestrantes de instituições de ensino e pesquisa do Brasil, da Espanha, Portugal, entre outros países
Cimams participa do IV Congresso Internacional de Educação e Inovação
A Arquidiocese de Montes Claros esteve representada por quatro leigos: Luzia, Claret e Thiago, de Montes Claros, e Leandro, de Salinas
Leigos e leigas refletem sobre esperança e missão
Escolas podem inscrever trabalhos e também cadastrar a visitação de turmas ao evento
Abertas inscrições para a Feira de Ciências da UFMG
Estudantes ocuparam lugares das deputadas e dos deputados, no Plenário da ALMG, e escolheram as sugestões para o documento final do PJ 2026
PJ Minas finaliza plenária com propostas para ampliar a inclusão
Mudanças passam a valer em outubro e facilitam o retorno à doação, eliminam a idade máxima e aprimoram a triagem
Pessoas com mais de 70 podem continuar doando sangue
Interior amplia força política em Minas Gerais após eleições de 2026 
Polarização em Nanuque ganha página no NYT 
Geopolítica e alerta de saúde marcam a África
Dívida bruta supera reservas e altera saldo do pais
Estuprador de garotas da própria família condenado a 64 anos
Cabeleireiro de 60 anos é destaque em corridas
MPF aciona Justiça para garantirrevitalização do Perímetro Irrigado
Estado acata recomendação da Amams
Interior amplia força política em Minas Gerais após eleições de 2026 
Polarização em Nanuque ganha página no NYT 
Geopolítica e alerta de saúde marcam a África
Dívida bruta supera reservas e altera saldo do pais
Estuprador de garotas da própria família condenado a 64 anos