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Mudanças climáticas ameaçam pastagens e aceleram desertificação

O destaque é para a Mata Seca – no Vale do São Francisco, caracterizada por árvores como baraúnas, ipês, entre outras vegetações no Norte de Minas

O Norte de Minas é uma zona de transição ecológica entre Cerrado (81% da área), Mata Atlântica (10%) e Caatinga (9%)

Estudos científicos recentes alertam para uma crise iminente nas pastagens mundiais, com perdas de até 50% das terras adequadas para gado, ovinos e caprinos até 2100, impulsionadas pelo aquecimento global. No Norte de Minas Gerais, zona de transição entre Cerrado, Mata Atlântica/Mata Seca e Caatinga, a desertificação avança rapidamente, agravada por desmatamento e pecuária extensiva, colocando em risco a subsistência local.

Pesquisadores do Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático (PIK), na Alemanha, identificaram um “espaço climático seguro” para pastagens, definido por temperaturas de -3°C a 29°C, precipitação de 50 a 2.627 mm anuais, umidade de 39% a 67% e ventos de 1 a 6 m/s. Publicado na revista PNAS em fevereiro de 2026, o estudo prevê que 36% a 50% dessas áreas globais, que cobrem um terço da superfície terrestre e sustentam 1,6 bilhão de animais, tornar-se-ão inviáveis dependendo do cenário de emissões.

África e Regiões Vulneráveis em Risco Existencial

A África desponta como o continente mais ameaçado, com perdas potenciais de 16% a 65% das pastagens, afetando mais de 100 milhões de pastores em nações já frágeis economicamente. Temperaturas no limite superior do espaço seguro aceleram a migração de nichos para o sul, mas o continente termina no Oceano Índico, limitando adaptações. “Estratégias tradicionais como migração de rebanhos podem falhar”, alerta Prajal Pradhan, coautor do estudo.

Um paradoxo agrava a crise: a pecuária responde por até 20% das emissões globais de gases de efeito estufa, mas enfrenta colapso pelo clima que ajuda a criar. Países de baixa renda, com fome e instabilidade, concentram 51% a 81% das populações impactadas.

Terra à Beira do “Efeito Estufa” Irreversível

Complementando o alerta, pesquisa na One Earth (11/02/2026) adverte que a Terra aproxima-se de uma trajetória autossustentável de +5°C, com pontos de inflexão em calotas polares, Amazônia, permafrost e AMOC. Com CO₂ acima de 420 ppm – o maior em 2 milhões de anos –, retroalimentações como derretimento do gelo da Groenlândia podem desencadear cascatas irreversíveis, convertendo florestas em savanas. “Estamos perto demais”, diz Johan Rockström, do PIK.

William Ripple, da Oregon State University, enfatiza: após 11 mil anos de estabilidade climática que permitiu a civilização, entramos em território inédito.

Norte de Minas: Desertificação em zonas de transição

O Norte de MG é uma zona de transição ecológica entre Cerrado (81% da área), Mata Atlântica (10%) e Caatinga (9%), com destaque para a Mata Seca – Floresta Estacional Decidual – no vale do São Francisco, caracterizada por árvores como baraúnas, ipês e angicos. Cerca de 60% da região apresenta suscetibilidade média à desertificação, segundo estudo de 2017 no Boletim Geográfico, baseado em declividade, erosividade, solos e aridez – picos em Espinosa, Monte Azul e Mocambinho.

Em cinco anos, o Semiárido mineiro duplicou para 217 municípios, com área árida na fronteira com a Bahia, detectada via satélites LAPIS. Desmatamento, pecuária extensiva e secas degradam essas formações, assoreiam rios e reduzem chuvas. Estudos do INPE (2020) e UFU (2013) usam NDVI e MODIS para mapear áreas expostas persistentes, propondo geoprocessamento.

Impactos Locais e Chamado à Ação

Produtores rurais de Montes Claros enfrentam solos empobrecidos, perda de biodiversidade e migração forçada nas transições biômicas. Com pecuária como pilar, urge transição sustentável: restauração da Mata Seca e Caatinga, monitoramento por satélite e políticas contra desmatamento.

Reduzir emissões fósseis é crucial globalmente, mas localmente agroecologia salva as zonas de transição. “Evitar o pior é viável agora”, concluem os cientistas.

O destaque é para a Mata Seca – no Vale do São Francisco, caracterizada por árvores como baraúnas, ipês, entre outras vegetações no Norte de Minas

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