Lei assegura mamografia gratuita para mulheres a partir dos quarenta anos
O diagnóstico precoce ainda é a ferramenta mais poderosa da medicina na luta contra o câncer de mama. No entanto, apesar dos avanços tecnológicos e da maior disseminação de informações, o caminho entre a descoberta e o tratamento eficaz muitas vezes esbarra no medo e na desinformação.
Para a médica Fabiana Cassiano, mastologista da Santa Casa de Montes Claros e membro titular da Sociedade Brasileira de Mastologia, a conscientização precisa ser contínua. Segundo a especialista, o exame é insubstituível. “A mamografia é o principal método de rastreamento do câncer de mama, permitindo a detecção precoce de lesões ainda assintomáticas, o que favorece maior eficácia terapêutica e redução da mortalidade”, afirma.
Derrubando barreiras e mitos
Muitas mulheres ainda evitam o consultório por receios que não condizem com a realidade clínica. A doutora explica que o procedimento é cercado por conceitos equivocados que acabam afastando as pacientes da prevenção. Um deles é o temor quanto à segurança do aparelho. “Um dos medos mais comuns é o da radiação, quando, na prática, a dose utilizada é baixa e segura, semelhante à de outros exames de rotina”, esclarece a médica.
Outro ponto de resistência é o desconforto físico. Dra. Fabiana desmistifica a ideia de que o exame seja insuportável ou desnecessário na ausência de sintomas: “Outro equívoco é achar que o exame ‘‘machuca’’ ou só deve ser feito quando há dor ou nódulo. A compressão é necessária para melhorar a imagem e dura poucos segundos, e a maioria dos cânceres iniciais não causa sintomas.”
Conquista legal e grupos de risco
O cenário do acesso à saúde pública no Brasil ganhou um reforço importante com a Lei nº 15.284/2025. Agora, o exame é garantido pelo SUS a todas as mulheres a partir dos 40 anos. A médica ressalta que essa oferta pode ser adaptada conforme a necessidade clínica de cada paciente, especialmente para aquelas que possuem predisposição genética.
“Para pacientes com alto risco — incluindo aquelas com histórico familiar significativo, mutações genéticas ou outras condições de risco aumentado — recomenda-se abordagem individualizada, com início antecipado e periodicidade ajustada”, orienta a Dra. Fabiana.
O foco é a vida
A mensagem final da especialista é clara: a prevenção não pode esperar. O cumprimento rigoroso do calendário de exames é o que define o sucesso de um tratamento futuro. “Seguir as orientações de rastreamento permite intervenções oportunas e melhores desfechos clínicos, com o diagnóstico precoce e melhores resultados no tratamento e aumentando as chances de cura. A mamografia salva vidas”, conclui.
Sobre a especialista
Fabiana Cassiano (CRMMG: 63232 / RQE: 44295) é graduada em medicina pela UFMG, com residência em Cirurgia Geral pelo Hospital Julia Kubitschek e em Mastologia pelo Instituto Mario Penna. Atualmente, atende na Santa Casa de Montes Claros.