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Transição climática neste ano eleva incertezas

Clima global entra em fase de transição e amplia riscos agrícolas

O clima impõe desafios ao agronegócio brasileiro

O ano de 2026 começa com um cenário climático de transição que traz maior variabilidade do tempo e reduz a previsibilidade para o Hemisfério Sul. De acordo com análise da StoneX, a La Niña fraca, que se instalou em outubro de 2025, tende a perder força durante o verão, com previsão de retorno à neutralidade do El Niño–Oscilação Sul (ENSO) até março.

Segundo Carolina Giraldo, analista de Inteligência de Mercado, essa condição intermediária — sem o domínio claro de um fenômeno climático global — explica os extremos de chuva e seca observados no final de 2025.

As tendências climáticas que podem afetar diretamente as principais commodities agrícolas foram detalhadas no relatório “Perspectivas para Commodities 2026”, divulgado em 27 de janeiro pela empresa global de serviços financeiros.

Giraldo destaca que a Oscilação Madden–Julian (MJO) permaneceu ativa no início do ano, provocando chuvas intensas no Sudeste Asiático e na Indonésia. Contudo, o fenômeno não gerou conexões fortes com o clima da América do Sul, o que deixou Argentina e Uruguai mais sujeitos a variações locais e sistemas meteorológicos pontuais.

As projeções de diversos modelos climáticos para o período de janeiro a março de 2026 indicam temperaturas elevadas em boa parte do globo. A analista alerta que a elevação da evapotranspiração — especialmente durante as noites — pode impactar a eficiência fisiológica de culturas sensíveis, como o café, reduzindo o acúmulo de reservas energéticas e afetando a frutificação.

Na América do Sul tropical e subtropical, o principal desafio será a irregularidade das chuvas. Mesmo que os volumes acumulados se mantenham próximos da média, a má distribuição temporal prejudica a implantação de lavouras de soja e milho, aumentando a variabilidade de produtividade e dificultando projeções de oferta agrícola.

“Esse padrão é típico de anos de transição do ENSO, quando não há um fenômeno dominante para direcionar o comportamento climático”, explicou Giraldo. Segundo Giraldo, isso não caracteriza uma seca consolidada, mas um regime de chuvas mais irregular justamente no período crucial que encerra a colheita da soja e inicia o plantio do milho safrinha.

O mês de fevereiro, essencial para reposição hídrica do solo, concentra o principal risco. Déficits temporários de umidade podem comprometer emergência, vigor inicial e desenvolvimento radicular do milho, enquanto temperaturas elevadas aumentam a demanda hídrica das plantas. Em casos de atrasos na semeadura, o cultivo pode avançar para o outono, quando a menor radiação solar e a redução térmica ampliam as chances de perda de produtividade.

Apesar de não haver indícios de crise global de oferta, o início de 2026 deve ser marcado por riscos climáticos distribuídos, reforçando a necessidade de monitoramento constante e manejo adaptativo. “A vantagem competitiva no agronegócio virá da leitura precisa do comportamento climático, da ajuste de manejos conforme as fases das lavouras e do uso de dados atualizados, indo além das médias históricas”, conclui Giraldo.

Foi publicada a 34ª edição do seu relatório anual, que reúne análises sobre os mercados de grãos, energia, fertilizantes, soft commodities, metais e câmbio. O documento, elaborado pela equipe de Inteligência de Mercado com apoio de especialistas internacionais, aponta que o final de 2025 e o início de 2026 devem ser marcados por tensões comerciais, instabilidade monetária e fatores específicos que influenciam cada segmento do agronegócio global.

Clima global entra em fase de transição e amplia riscos agrícolas

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