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Zema renuncia para pré-candidatura e Simões assume o governo

Ex-governador discursou em tom de presidenciável no domingo

O governador Romeu Zema (Novo) formalizou na manhã de domingo (22) a renúncia ao governo de Minas Gerais. Seu vice, Mateus Simões de Almeida (PSD), assumiu o posto e deve comandar o estado até dezembro de 2026. Zema é pré-candidato à Presidência da República. Já Simões deve concorrer para governador nas eleições de outubro.

O político do Novo discursou em tom de presidenciável. “Devolvemos o governo de Minas para os mineiros de bem e agora precisamos fazer a mesma coisa pelo Brasil”, afirmou, iniciando as críticas ao governo de Lula (PT).

No discurso de transferência do cargo, Zema defendeu seu legado após sete anos no governo de Minas e teceu críticas à gestão do presidente Lula (PT), acusando-a de “destruir o país”. Na fala de de Zema é de que o governo “que está lá em Brasília” está destruindo o Brasil, e que esse “mesmo sistema” também destruiu Minas Gerais. As principais alegações do ex-governador são de que a população não aguenta mais “a farra da corrupção”, “viver com medo” e “a conta não fechar no fim do mês”. “Nós não somos um país fracassado. Nós somos sim um país roubado. O problema do Brasil não é falta de recursos, é sobra de ladrões”, afirmou.

Na sequência, Zema declarou que o brasileiro não quer um país perfeito, e sim um país que funcione, onde “a lei seja igual para todo mundo” e sem o que chamou de “intocáveis”. “Um país onde o governo respeita os valores da família, onde o empreendedor não é tratado como inimigo, onde o trabalhador pode andar na rua sem medo de ser assaltado. O brasileiro não quer um país perfeito, ele só quer um país que seja dele outra vez e não mais o Brasil dos intocáveis”, disse.

Em momentos anteriores do discurso, o ex-governador elencou conquistas do seu mandato, como o pagamento em dia do salário dos servidores, a construção de hospitais regionais e o que chamou de “contas em ordem”. Também avaliou sua eleição no primeiro mandato, em 2018, não como a vitória de um partido ou de um candidato, mas de “um movimento dos mineiros decididos a se livrar da corrupção e tomar as rédeas do governo nas suas mãos”.

No encerramento da fala, Zema, que é pré-candidato à Presidência, focou em críticas ao governo federal, sugerindo que seu próximo passo na política será em nível nacional. “Foi por isso que nós começamos a mudar em Minas e agora chegou a hora de mudar o Brasil todo”, finalizou. 

O desembarque de Zema ocorre pouco menos de duas semanas antes do prazo final de desincompatibilização exigido pela lei para que ele possa concorrer à Presidência da República, como tem insistido em dizer que fará.

A transmissão de cargo ocorre em duas etapas, com cerimônias na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), onde Simões prestou juramento e assinou o termo de posse, e no Palácio da Liberdade, com a entrega ao novo chefe do Executivo do Colar da Inconfidência. Em discurso, o novo governador diz que assume a cadeira com experiência sobre “a complexa realidade institucional” e conhecedor do “delicado” equilíbrio entre os Poderes.

“Entendo que é necessário promover o exercício pleno das atribuições constitucionais do Executivo ao mesmo tempo em que mantenho em mira as responsabilidades e limites de cada outra esfera de Poder. Só assim a lógica dos freios e contrapesos será de equilíbrio, e não de subserviência, de autonomia, e não de antagonismo”, destacou.

Em fevereiro, Simões afirmou que não iria cumprir a decisão do Tribunal de Justiça do estado (TJMG) para paralisar a política educacional voltada para a implementação de escolas cívico-militares. Na ocasião, a Justiça suspendeu o programa ao acolher um parecer do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), e Simões declarou que não admitiria “interferências” do Judiciário.

“Podem se preparar para mandar me prender, porque eu vou abrir colégios cívico-militares assim que eu entrar no exercício como governador do Estado de Minas, dentro de menos de 60 dias — completou, naquela ocasião.

Simões discursa e faz ataque a programas essenciais do Estado

No discurso de posse, Simões disse ser “inaceitável” que “obras relevantes e programas essenciais” sejam suspensos por “estratégia de interferência político-ideológica por órgãos de controle” e julgou “intolerável” que a violência contra a mulher seja tratada como “traço cultural” em Minas Gerais. “Abusos institucionais” serão combatidos, as mulheres serão protegidas e o crime organizado será “perseguido e expulso” do estado, destacou o político.

O novo governador afirmou que, em 2020, ao receber de Zema a tarefa de coordenar o secretariado o estado, já se considerava “um conhecedor da politica e um mineiro rodado pelo interior”. No entanto, ponderou que, seis anos depois, conhece uma “Minas Gerais institucional e geográfica” que nunca imaginou existir. Ele disse que passará os próximos três meses percorrendo o estado e que, a partir do dia 26, transferirá a capital e a sede administrativa para cada uma das regiões.

“Minas Gerais é muito grande para ser compreendida à distância”, disse ele, que prometeu diálogo com todos os prefeitos mineiros e atenção aos “invisíveis” que a “burocracia” ignora.

Em outro momento do discurso, Simões afirmou que “problemas reais não podem ser resolvidos por planilhas burocráticas, nem por vídeos nas redes sociais”. Não citou diretamente o nome do senador senador Cleitinho Azevedo, que tem recebido o aval do Republicanos para disputar o Palácio Tiradentes e é conhecido pelas gravações publicadas na internet. No segundo evento de transmissão do cargo, Simões voltou a criticar o governo federal e destacou que bandidos serão “caçados” e “expulsos” pela polícia mineira.

Com a renúncia, Zema passa agora a se dedicar à pré-campanha à Presidência da República, anunciada há sete meses. No Palácio Tiradentes, após renunciar, ele fez um balanço dos anos de gestão e disse que “chegou a hora de mudar o Brasil todo”. No discurso, o político fez críticas ao governo federal e reforçou o discurso anticorrupção.

“Ninguém aguenta mais a farra da corrupção, ninguém aguenta mais viver com medo, ninguém aguenta mais a conta não fechar no fim do mês. O Brasil está sendo destruído por esse governo que está lá em Brasília”, declarou.

Zema tem confirmado a pré-candidatura como cabeça de chapa, apesar dos modestos índices em pesquisas de intenção de voto e da especulação de que possa ser escolhido como compor a chapa de Flávio Bolsonaro (PL).

Embora siga afirmando publicamente que pretende concorrer ao Planalto em outubro, Zema vem fazendo gestos políticos que, nos bastidores da direita, são interpretados como uma possibilidade de composição com o senador. Um dos nomes mais cotados para o posto, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) avisou ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que não quer a nomeação e prefere o Senado.

Ex-governador discursou em tom de presidenciável no domingo

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