Norte de Minas perde comando na Casa, mas ganha espaço estratégico na Corte de Contas
O presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), deputado Tadeu Leite (MDB), o Tadeuzinho, consolidou sua escolha para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) como resultado de uma articulação política que unificou todas as correntes da Casa. Com apoio formal dos 77 deputados estaduais, ele será candidato único à vaga aberta com a aposentadoria do conselheiro Wanderley Ávila.
A movimentação começou ainda antes do Carnaval, quando Tadeuzinho percorreu gabinetes para medir apoios e evitar disputa interna. Deputados que ensaiavam candidatura — como Ulysses Gomes (PT), Sargento Rodrigues (PL), Tito Torres (PSD), Thiago Cota (PDT) e Ione Pinheiro (União) — recuaram diante da construção de consenso. No dia 23 de fevereiro, o requerimento eletrônico foi disponibilizado no sistema interno da ALMG e, em menos de duas horas, já havia superado as 16 assinaturas mínimas exigidas, alcançando 43 apoios iniciais. No dia seguinte, o documento físico foi protocolado, culminando na adesão unânime dos parlamentares.
A bancada do Norte de Minas teve papel decisivo no alinhamento inicial, com nomes como Arlen Santiago, Ricardo Campos, Leninha, Carlos Pimenta, Oscar Teixeira e Gil Pereira declarando apoio imediato. O movimento foi interpretado como estratégia para evitar racha e preservar a estabilidade institucional da Assembleia.
Na Reunião Ordinária de 25 de fevereiro, foi lido o Requerimento nº 16.418/2026 e constituída a Comissão Especial responsável pela sabatina. Integram o colegiado Cássio Soares (efetivo) e Gil Pereira (suplente), pelo Bloco Minas em Frente; Noraldino Júnior e João Magalhães (efetivos), Douglas Andrade e Roberto Andrade (suplentes), pelo Bloco Avança Minas; Ulysses Gomes (efetivo) e Cristiano Silveira (suplente), pelo Bloco Democracia e Luta; Bruno Engler (efetivo) e Sargento Rodrigues (suplente), pela bancada do PL.
Após a sabatina — que deve ocorrer na primeira quinzena de março — o parecer será votado pela comissão e, em seguida, submetido ao plenário. A expectativa é de tramitação rápida, diante do consenso consolidado.
O Tribunal de Contas do Estado é órgão responsável por fiscalizar a aplicação dos recursos públicos estaduais e municipais. Analisa contas de governador, prefeitos e gestores, julga contratos, licitações e convênios, além de emitir parecer prévio sobre as contas do chefe do Executivo estadual. Dos sete conselheiros da Corte, quatro são indicados pela Assembleia e três pelo governador. A vaga foi aberta com a aposentadoria compulsória do conselheiro Wanderley Ávila, que ocupou o cargo por 26 anos.
Natural do Norte de Minas, Tadeu Leite construiu trajetória política marcada pela articulação suprapartidária. Tornou-se um dos presidentes mais jovens da ALMG e consolidou perfil conciliador, transitando entre governo e oposição. Ao anunciar a candidatura, afirmou que tomou a decisão após ouvir os colegas e agradeceu o apoio unânime, prometendo manter postura responsável na nova função.
Sua saída abre disputa pela presidência da Assembleia e cria um vácuo momentâneo de poder para o Norte de Minas, que ganha espaço estratégico na Corte de Contas.
Embora o TCE tenha natureza técnica, decisões do órgão influenciam investimentos, convênios e grandes obras estruturantes. A leitura política é que o Norte perde protagonismo imediato no Legislativo, mas ganha uma cadeira estratégica e de longo prazo em um dos órgãos mais influentes do Estado.
Se confirmada pelo plenário, a indicação de Tadeuzinho marcará uma transição de peso na política mineira, com reflexos diretos no equilíbrio regional e na fiscalização das contas públicas em Minas Gerais.
