O distrito de Terra Branca, em Bocaiuva, no Norte de Minas, se prepara para se tornar o centro de uma mobilização ambiental decisiva nos dias 4 e 5 de abril. A comunidade sediará a segunda edição do Encontro “Salve o Rio Jequitinhonha”, reunindo ribeirinhos, autoridades, ambientalistas, pesquisadores e artistas em torno de um objetivo comum: evitar o colapso de um dos rios mais importantes do estado.
Mais do que um evento, o encontro se consolida como um movimento de resistência. O Rio Jequitinhonha, que sustenta cerca de 1,5 milhão de pessoas direta ou indiretamente, enfrenta um cenário crítico marcado por seca extrema, assoreamento e avanço de atividades ilegais, como o garimpo mecanizado. Dados recentes acendem o alerta: a vazão do rio caiu drasticamente, atingindo níveis muito abaixo da média histórica, enquanto trechos inteiros já apresentam leitos de lama e escassez de água para comunidades inteiras.
Diante desse cenário, a proposta do encontro vai além da conscientização.
A programação inclui caminhada ecológica pelas margens afetadas, palestras técnicas sobre reflorestamento e monitoramento ambiental, além de rodas de conversa que devem resultar em uma carta-compromisso com medidas urgentes. Entre as propostas discutidas estão a criação de um plano de recuperação do rio, investimentos em proteção de nascentes e ações mais rigorosas de fiscalização contra crimes ambientais.
O protagonismo das comunidades tradicionais é um dos pilares do evento. Ribeirinhos e moradores locais, que vivenciam diariamente os impactos da degradação, terão espaço para compartilhar experiências e contribuir com soluções baseadas no conhecimento popular. A ideia é integrar saberes técnicos e vivências práticas, fortalecendo uma rede de proteção coletiva em defesa do rio.
Além do debate ambiental, o encontro também celebra a cultura do Vale do Jequitinhonha. A programação cultural inclui apresentações de capoeira, congados, manifestações religiosas e shows musicais. Um dos momentos mais aguardados é a apresentação do cantor Paulinho Pedra Azul, cuja obra dialoga diretamente com a identidade e as paisagens da região. O “Luau do Jequitinhonha”, previsto para a noite de sábado, promete simbolizar a conexão entre cultura, natureza e pertencimento.
O evento também movimenta a economia local, atraindo visitantes de diversas cidades e gerando oportunidades para moradores, que se organizam para oferecer hospedagem e gastronomia típica. Ao final dos dois dias, a expectativa é consolidar uma articulação regional mais forte, capaz de pressionar por políticas públicas efetivas e garantir a preservação do rio.
Coincidindo com o Dia Municipal do Rio Jequitinhonha, o encontro reforça a urgência de ações concretas. Em um cenário onde a água já começa a faltar, a mobilização em Terra Branca surge como um chamado coletivo: proteger o rio não é apenas uma questão ambiental, mas uma necessidade vital para o presente e o futuro do Norte de Minas.