Flávio afirmou, durante agenda em São Paulo, que considera o episódio uma “página virada” e disse que a prestação de contas sobre o financiamento do filme já foi realizada
A corrida pela Presidência da República começa a ganhar contornos mais acirrados enquanto diferentes candidatos enfrentam questionamentos judiciais e investigações que podem repercutir no ambiente eleitoral. Entre os principais nomes colocados na disputa, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) são alvo, diretamente ou por meio de pessoas próximas, de episódios que envolvem suspeitas de tráfico de influência, relações com instituições financeiras, financiamento irregular de produção cinematográfica e ações movidas pelo Ministério Público Federal (MPF). Os casos ainda estão em diferentes estágios e, até o momento, não representam condenação dos envolvidos.
No campo governista, uma das principais frentes de desgaste envolve Luís Inácio Lula da Silva, o Lulinha. O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou investigações sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo o empresário, que vive na Espanha. Os procedimentos tramitam sob sigilo e buscam esclarecer se ele teria atuado para intermediar interesses de terceiros junto a órgãos públicos, entre eles o Ministério da Saúde e a Dataprev, empresa estatal vinculada ao governo federal. As apurações também alcançam o ex-chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana, o Marcola. A defesa de Lulinha nega irregularidades e afirma que ele é vítima de interesses eleitorais.
O presidente Lula declarou acreditar na inocência do filho, mas afirmou que as investigações devem seguir seu curso. Em entrevista nesta semana, o petista disse que não pretende interferir no processo e enfatizou que, caso seja comprovada alguma responsabilidade, Lulinha deverá responder pelos atos. A manifestação procura separar a atuação política do presidente das suspeitas que atingem o empresário.
Entre os nomes da oposição, Flávio Bolsonaro enfrenta questionamentos relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O longa, ainda inédito e estrelado pelo ator norte-americano Jim Caviezel, recebeu recursos atribuídos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e atualmente preso no âmbito de investigações sobre irregularidades financeiras. O STF autorizou a apuração sobre a origem dos recursos destinados ao filme. Mensagens divulgadas pela imprensa mostram Flávio cobrando dinheiro de Vorcaro no fim de 2025. O candidato inicialmente negou ter relação com o empresário, mas posteriormente admitiu ter pedido recursos para a produção e afirmou que não havia proximidade pessoal entre os dois.
Flávio afirmou, ontem, durante agenda em São Paulo, que considera o episódio uma “página virada” e disse que a prestação de contas sobre o financiamento do filme já foi realizada. O candidato também voltou a atacar o governo e citou as investigações envolvendo Lulinha. A declaração ocorreu durante uma agenda no Mercado Municipal de São Miguel Paulista, na zona leste da capital, onde o candidato esteve acompanhado de aliados políticos e apoiadores.