Setor produtivo cobra segurança econômica, juros justos e critica exigências ambientais centralizadas no produtor
À medida que o cenário político e econômico se consolida, o agronegócio brasileiro explicita com clareza o que espera — e o que teme — do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A instabilidade macroeconômica e a incerteza fiscal têm provocado uma forte retração nos investimentos tradicionais, com fundos e capitais migrando para fora do mercado organizado. Esse ambiente de escassez de crédito e volatilidade econômica encarece severamente a produção e alimenta uma escalada preocupante no endividamento do campo, agravada por dados recentes do Cepea que apontam um salto de 191% no custo dos juros da dívida rural acumulado nos últimos quatro anos.
Paralelamente à pressão financeira, o setor produtivo manifesta profunda insatisfação com a condução das políticas ambientais lideradas pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, sob a gestão de Marina Silva. Lideranças do agronegócio criticam o fato de que a fatura e o ônus da preservação recaem de forma quase exclusiva sobre o produtor rural na porteira, muitas vezes por meio de exigências burocráticas excessivas e baseadas em mapeamentos genéricos, enquanto falha uma autogestão ou fiscalização sistêmica e integrada que envolva com igual rigor os demais setores produtivos e urbanos da sociedade.
Para pequenos, médios e grandes produtores, o momento exige diálogo franco e pragmatismo por parte do governo federal. O campo espera que a administração pública compreenda que a segurança jurídica, a contenção de juros abusivos e a valorização de quem produz são condições inegociáveis para garantir a estabilidade alimentar e o superávit da balança comercial brasileira, alinhando preservação ambiental e desenvolvimento econômico sem sufocar a base produtiva do país.