A escolha do eleitor define o ritmo de investimentos e obras na região
O VOTO COMO INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO DECENAL
O voto é um ato estritamente pessoal, livre e soberano de cada eleitor e eleitora que habita as bacias do São Francisco, do Jequitinhonha, do Mucuri e do Pardo. Contudo, a soma dessas escolhas individuais na urna no pleito de 2026 não se encerra no cômputo dos votos ou no encerramento da apuração.
O gesto democrático depositado na urna determinará, de forma direta e irreversível, se o Norte de Minas, o Noroeste, os Vales do Jequitinhonha e Mucuri e a Central Mineira — o vasto e soberano território dos Geraes — avançarão na velocidade de suas imensas vocações produtivas ou se continuarão represados por gargalos históricos de logística, escassez hídrica e desassistência institucional.
As decisões políticas tomadas pelos governantes e parlamentares eleitos para o próximo ciclo de mandato afetarão o orçamento público, a atração de capitais privados, o asfaltamento de rodovias, a construção de barragens, a industrialização dos minérios e a oferta de serviços públicos fundamentais nos próximos trinta anos.
Uma escolha consciente e fundamentada no compromisso com a nossa terra tem o poder de romper décadas de isolamento e consolidar a nossa região como a nova e principal fronteira econômica, biotecnológica e logística de Minas Gerais, do Brasil e do Mercosul.
O PAPEL INSTITUCIONAL DO NOVO JORNAL DE NOTÍCIAS
Atento à sua responsabilidade histórica com o interesse público e com a defesa intransigente de nossa gente, o Novo Jornal de Notícias não assume postura passiva no debate político. Este periódico reitera sua independência apartidária e seu compromisso absoluto com o desenvolvimento regional sustentável. Publicamos esta Edição Especial — dividida nas Páginas 2 e 3 do nosso caderno impresso e portal digital — como um documento vivo de acompanhamento, cobrança e fiscalização.
Compilamos e explicitamos nesta Carta de Demandas dos Geraes as pautas estruturantes, as obras físicas e as políticas públicas indispensáveis para o progresso do nosso povo. Nosso objetivo é duplo: oferecer ao leitor geraizero uma régua clara e objetiva para avaliar os candidatos durante o processo eleitoral e, ao mesmo tempo, constituir um inventário de cobrança editorial diária para cobrar, acompanhar e fiscalizar a atuação dos eleitos ao longo de seus mandatos.
Os Geraes não aceitam mais promessas genéricas, discursos de ocasião ou palanques efêmeros. O futuro da nossa gente exige metas claras, cronogramas rigorosos e orçamento garantido. O voto é seu, leitor; a cobrança e o registro histórico do seu cumprimento são compromissos inegociáveis deste jornal.
A Carta dos Geraes: o mapa de cobrança e desenvolvimento regional
EIXO I: MALHA RODOVIÁRIA E INFRAESTRUTURA DE INTEGRAÇÃO
A malha de transporte dos Geraes permanece como um dos maiores gargalos para a competitividade econômica e a segurança das famílias. O asfaltamento, a duplicação e a manutenção contínua das rodovias estaduais e federais são exigências emergenciais para salvar vidas e escoar a produção da agricultura, pecuária, mineração e indústria.
Exigimos a imediata inclusão no plano de obras estaduais e federais, com orçamento garantido e cronograma auditável, dos seguintes trechos prioritários:
Matias Cardoso a Espinosa: Ligação vital para o fechamento do circuito produtivo do Extremo Norte de Minas com a divisa baiana, garantindo o escoamento de hortifrúti e grãos do Perímetro Irrigado do Jaíba sem o estrangulamento em vias de terra.
Varzelândia a Verdelândia: Trecho crucial para a integração sanitária, logística e de transporte de passageiros entre os municípios da Bacia do Verde Grande, reduzindo custos de frete para o pequeno e médio produtor.
São Francisco a Pedras de Maria da Cruz (MG-161): Asfaltamento e reestruturação da MG-161 ao longo da margem esquerda do Rio São Francisco, vetor essencial para integrar as comunidades ribeirinhas, escoar a produção de gado de corte e promover o turismo histórico e ecológico.
Rodovia MG-479: Requalificação e pavimentação completa da rodovia que conecta o Noroeste ao Norte de Minas, assegurando a ligação direta entre os grandes polos produtores de grãos (Unaí e Paracatu) e os centros de processamento urbano.
Jequitaí a Francisco Dumont: Veto ao isolamento asfáltico desses municípios centrais, cuja pavimentação é condicionante biótica e socioeconômica para o desenvolvimento turístico da Serra do Cabral e para a futura logística do Complexo Hidroprodutivo do Jequitaí.
Malha Geral dos Vales e Noroeste: Reestruturação asfáltica definitiva das rodovias de ligação nos Vales do Jequitinhonha e Mucuri, eliminando gargalos históricos entre Almenara, Pedra Azul, Teófilo Otoni e Salinas.
A travessia sobre os grandes rios da região não pode depender de balsas obsoletas ou estruturas precárias que paralisam o tráfego nos períodos de cheia ou causam prejuízos milionários ao setor logístico:
Conclusão das Pontes de Manga e São Francisco: Exigência de término e entrega operacional imediata das obras das pontes sobre o Rio São Francisco nos municípios de Manga e São Francisco, obras históricas que representam a libertação logística da margem esquerda do Velho Chico.
Reforma e Ampliação de Pontes Existentes: Intervenção engenheirada e ampliação de capacidade de carga das pontes sobre o São Francisco e afluentes nos municípios de Várzea da Palma, Pirapora e Januária, além das pontes que cortam o Rio Jequitinhonha no trecho dos Vales.
Pontes nos Afluentes: Construção e substituição de pontes de madeira por estruturas de concreto armado nos rios Verde Grande, Pardo, Gorutuba, Pacuí, Jequitaí, Fanado e Mucuri, garantindo a trafegabilidade contínua da zona rural para os centros urbanos durante o ano todo.
Exigimos a mudança do modelo de manutenção rodoviária nos Geraes. O atual sistema de “tapa-buracos” emergencial deve ser substituído por contratos de conservação de longa duração (Programas de Contratualização de Restauração e Manutenção – CREMA), com fiscalização comunitária e empresarial, assegurando sinalização horizontal e vertical, roçada de acostamentos e drenagem eficiente antes do período chuvoso.
EIXO II: SEGURANÇA HÍDRICA, BARRAGENS E NAVEGABILIDADE
A água é o recurso divisor de águas nos Geraes. O Semiárido mineiro necessita de uma política de Estado para o barramento, reservatório e uso múltiplo das águas, superando a lógica assistencialista da seca e convertendo a disponibilidade hídrica em fator de produção, dessedentação e geração de empregos.
Complexo Hidroprodutivo do Jequitaí: Cobrança prioritária pela aceleração das obras, reassentamento justo de famílias e efetivação do projeto irrigado. O Complexo do Jequitaí é a obra mais importante do século para o Norte de Minas, capaz de regularizar o vaza-mar do São Francisco, irrigar mais de 35 mil hectares e garantir segurança hídrica para mais de 20 municípios.
Barragem de Berizal: Retomada das licenças ambientais e liberação de verbas federais para a conclusão da Barragem de Berizal, garantindo água para o consumo humano, pequena irrigação e dessedentação animal em toda a região do Alto Rio Pardo, uma das áreas mais atingidas pelas estiagens prolongadas.
Barragem de Congonhas: Finalização das obras da Barragem de Congonhas, entre Grão Mogol e Itacambira, assegurando o sistema adutor permanente para socorrer o abastecimento urbano do polo de Montes Claros e apoiar empreendimentos industriais no leito do rio.
Barragem do Rio Verde Grande: Implantação do reservatório de regularização na Bacia do Rio Verde Grande, garantindo a sobrevivência hídrica dos municípios de Verdelândia, Varzelândia, Jaíba e Mato Verde.
Barragens de Vacarias e Caatinga: Liberação de aportes do orçamento federal e estadual para a construção das barragens de Vacarias (no Jequitinhonha) e Caatinga, assegurando infraestrutura hídrica para o suporte à mineração sustentável, à piscicultura e ao consumo humano.
Rede de Barragens no Vale do Jequitinhonha: Mapeamento e construção de pequenos e médios barramentos nos rios afluentes da Bacia do Jequitinhonha (Araçuaí, Salinas, Fanado, Capelinha), retendo o fluxo de água nos períodos chuvosos para uso nos períodos de seca.
Veto absoluto ao modelo de barragens que servem apenas como espelhos d’água inertes. Exigimos que todo projeto de reservatório no semiárido nasça com a obrigatoriedade legal e o orçamento integrado para:
Piscicultura em Tanques-Rede: Fomento à produção intensiva de tilápias e espécies nativas com associação de produtores locais.
Perímetros Irrigados de Pequeno Porte: Disponibilização de água canalizada para produtores familiares do entorno.
Estruturação Turística: Regulamentação do uso náutico, lazer e ecoturismo nas margens das represas.
Rio São Francisco: Retomada e intensificação do programa de desassoreamento, dragagem de canais, recuperação de matas ciliares e remoção de bancos de areia no leito do Rio São Francisco, no trecho entre Pirapora, Januária, Manga e a divisa com a Bahia. O objetivo é devolver a navegabilidade comercial ao rio, permitindo o transporte hidroviário de grãos, gado e insumos industriais de baixo custo.
Rio Jequitinhonha: Ações urgentes de desassoreamento e conservação da Bacia do Jequitinhonha, combatendo a erosão provogada por atividades desordenadas e devolvendo ao rio a capacidade de manter vazão ecológica e navegação de pequeno e médio porte em seus trechos históricos.
EIXO III: LOGÍSTICA MULTIMODAL, FERROVIAS E PORTOS SECOS
A consolidação dos Geraes como vetor de liderança econômica exige a interconexão entre os modais rodoviário, ferroviário, aéreo e hidroviário. A posição geográfica da região é a porta de entrada e saída natural para a integração entre o Sudeste, o Centro-Oeste e o Nordeste brasileiro.
Exigimos a estruturação, desembaraço aduaneiro e incentivos fiscais para a implantação imediata de três Portos Secos estratégicos:
Porto Seco de Montes Claros: Focado na armazenagem, industrialização e exportação do grande polo farmacêutico, de tecnologia, biocombustíveis, produtos têxteis, piscicultura e fruticultura irrigada, aproveitando a posição central da cidade como hub de transportes.
Porto Seco de Unaí: Estruturação de estação alfandegada no coração do Noroeste mineiro para suporte ao agronegócio de alta produtividade, facilitando a exportação direta de grãos (soja, milho, feijão, gergelim) e a importação de fertilizantes sem dependência do Porto de Santos.
Porto Seco de Araçuaí: Terminal alfandegado no Vale do Jequitinhonha vocacionado para o processamento, controle e exportação dos minerais críticos e estratégicos — com destaque absoluto para o Lítio e o Quartzo —, garantindo que o valor agregado da tributação e dos serviços permaneça na região.
Ferrovia EF-030 (Juscelino Kubitschek): Apoio irrestrito e cobrança inflexível ao Governo Federal e ao Ministério dos Transportes pela implantação da Ferrovia EF-030 em bitola mista (métrica e larga). A linha deve conectar o Centro-Oeste brasileiro, atravessando o Noroeste de Minas, o Norte de Minas e os Vales do Jequitinhonha e Mucuri até atingir o Oceano Atlântico. Essa obra é a espinha dorsal para consolidar os Geraes como o corredor de escoamento transcontinental mais competitivo do Mercosul.
Retomada da Ferrovia Minas-Bahia: Reativação e modernização do traçado fervedouro da antiga malha ferroviária ligando o Norte de Minas ao Sul e Recôncavo da Bahia, garantindo o transporte de cargas pesadas (minério de ferro, calcário, cimento) a custos freteiros significativamente reduzidos em comparação com o modal rodoviário.
EIXO IV: AGRO, FRUTICULTURA E POLOS INDUSTRIAIS
A industrialização do setor primário é a chave para transformar matéria-prima bruta em empregos de alta qualificação e renda para a população jovem dos Geraes. O fortalecimento das cadeias produtivas exige incentivos fiscais regionais, apoio tecnológico e infraestrutura energética estável.
Polo de Bovinocultura de Corte de Coração de Jesus e São Francisco: Fomento público para o melhoramento genético do rebanho, implantação de unidades frigoríficas com Selo de Inspeção Federal (SIF), incentivo à terminação em confinamento e estruturação de leilões com suporte a pequenos e médios pecuaristas.
Expansão Plena do Projeto Jaíba: Aceleração do plano de licitação e entrega das Fases 3 e 4 do Projeto Jaíba, permitindo a incorporated de dezenas de milhares de novos hectares irrigados com tecnologia de ponta para a produção de manga, banana, limão, uva e hortaliças voltadas à exportação.
Projeto SAM Metais e Bloco 8: Defesa da adequação e aprovação das licenças ambientais e operacionais do projeto de minério de ferro da SAM Metais e Bloco 8 no Norte de Minas, desde que condicionadas à integração obrigatória com a malha ferroviária (para eliminar o tráfego pesado de carretas), ao uso de água reaproveitada e ao investimento social compulsório nos municípios minerados.
Incentivo e Fiscalização da Mineração Ecológica: Estabelecimento de um marco de conformidade ambiental rigoroso para o setor extrativo de minerais críticos no Vale do Jequitinhonha (Lítio), assegurando que o beneficiamento químico ocorra localmente, que haja proteção absoluta dos aquíferos e que os royalties da CFEM sejam reinvestidos em infraestrutura de saúde e educação para a população local.
Acelen Agripark e Cadeia da Macaúba: Fomento ao investimento do Acelen Agripark no Norte de Minas, promovendo o plantio em grande escala da palmeira da macaúba para a produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF).
Integração ILPF e Recuperação de Solos: Utilização dos cultivos de macaúba em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), promovendo a recuperação de áreas degradadas no semiárido, gerando renda para agricultores familiares e sequestrando carbono.
Refinaria Regional de Biodiesel: Cobrança pela instalação de uma unidade refinadora de biodiesel e combustíveis verdes no Norte de Minas, processando óleos vegetais locais e abastecendo a frota de transportes da região.
Cadeia do Cacau de Alto Valor Agregado: Fomento ao cultivo do cacau agroflorestal em áreas irrigadas do Jequitinhonha, Mucuri e Norte de Minas, estimulando a instalação de fábricas de chocolates finos e derivados de alto valor no mercado internacional.
EIXO V: MEIO AMBIENTE, LEGISLAÇÃO E PEQUENO EMPREENDEDOR
O desenvolvimento dos Geraes deve caminhar em perfeita harmonia com a preservação do seu patrimônio natural único. As leis ambientais e fiscais precisam refletir as especificidades do semiárido, sem impor burocracias sufocantes aos pequenos produtores que preservam a terra.
Exigimos a revisão urgente da atual legislação sobre a Mata Seca em Minas Gerais. É indispensável criar a Lei de Proteção e Uso Sustentável da Biodiversidade do Semiárido, substituindo regras restritivas obsoletas por modelos de manejo sustentável que permitam o desenvolvimento da agricultura e da pecuária de baixo impacto, ao mesmo tempo em que garantem a conservação efetiva das reservas legais e da fauna nativa.
Criação de um regime diferenciado de incentivos fiscais, desburocratização e crédito subsidiado para micro e pequenos empresários, produtores rurais familiares e comerciantes estabelecidos na área mineira da SUDENE. As intempéries climáticas e o histórico de isolamento do semiárido justificam alíquotas e condições financeiras que permitam ao pequeno negócio prosperar frente às grandes corporações.
Programa de Proteção e Cercamento de Nascentes: Implementação de uma política pública estadual de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) para produtores rurais que cercarem, reflorestarem e conservarem as nascentes de água em suas propriedades.
Zoneamento Agroecológico e Produtivo por Bacia: Elaboração do Zoneamento Ecológico-Econômico (ZEE) detalhado para cada bacia hidrográfica dos Geraes, definindo áreas vocacionadas para agricultura irrigada, pecuária, mineração, conservação ambiental rigorosa e desenvolvimento do turismo ecológico.
EIXO VI: PESQUISA ACADÊMICA APLICADA E PROTEÇÃO SOCIAL
O conhecimento produzido nas universidades públicas dos Geraes precisa romper os muros institucionais e servir diretamente à resolução dos problemas históricos da nossa população, acompanhado de uma forte rede de assistência social para os grupos mais vulneráveis.
Exigimos que as universidades e institutos federais e estaduais presentes na região (Unimontes, IFNMG, UFVJM, UFMG) direcionem suas linhas de pesquisa e verbas de extensão para o atendimento direto das demandas produtivas e sociais do semiárido. Chega de bolhas acadêmicas desconectadas da realidade: a ciência local deve desenvolver soluções para o combate à seca, melhoramento genético de sementes crioulas, tecnologias de irrigação de baixo custo, automação para o pequeno produtor e inovação farmacêutica a partir da flora do Cerrado e Caatinga.
Ampliação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM): Instalação de unidades com funcionamento 24 horas nos principais polos regionais (Montes Claros, Januária, Janaúba, Paracatu, Unaí, Teófilo Otoni, Almenara e Salinas), garantindo suporte psicológico e jurídico às vítimas de violência doméstica nas zonas urbanas e rurais.
Centros de Convivência e Atendimento ao Idoso: Criação de centros de referência para a terceira idade nas áreas com maior índice de envelhecimento populacional decorrente do êxodo juvenil.
Rede Integrada de Proteção à Infância e Adolescência: Fortalecimento dos Conselhos Tutelares, ampliação das creches em tempo integral na zona rural e combate rigoroso à exploração infantil nos centros urbanos e frentes de trabalho informal.
Estruturação dos circuitos turísticos dos Vales e Sertão (Circuito do Guimarães Rosa, Circuito das Grutas, Circuito do Lítio e Ouro, Caminhos do São Francisco), promovendo a infraestrutura hoteleira, a gastronomia sertaneja, o artesanato em argila do Vale do Jequitinhonha e as festas culturais tradicionais como patrimônio imaterial gerador de emprego, renda e orgulho para a nossa gente.