Demanda global por baterias impulsiona projetos em Salinas e Divisa Alegre
A busca global pela descarbonização e pela eletrificação dos transportes está redefinindo o mapa do desenvolvimento econômico em Minas Gerais. Projeções da consultoria especializada Benchmark Mineral Intelligence indicam que a demanda global por equivalente de carbonato de lítio (LCE) saltará de 2 milhões de toneladas em 2026 para aproximadamente 7 milhões de toneladas até 2050. O levantamento aponta que os veículos elétricos responderão por 76% do consumo do insumo na metade do século, exigindo a abertura de mais de 134 novas minas e aportes superiores a US$ 100 bilhões em capital intensivo no mundo.
Nesse cenário de transição, o Brasil se consolida como o sexto maior produtor e detentor da sétima maior reserva mundial de lítio, com a produção concentrada no território mineiro. Em 2025, Minas Gerais atraiu R$ 42,2 milhões em investimentos destinados exclusivamente à pesquisa mineral do insumo — valor que representa mais da metade de todo o orçamento investido no setor em âmbito nacional, segundo dados da ANM.
A força do ciclo mineral manifesta-se no eixo produtivo formado pelo Vale do Jequitinhonha e pelo Norte de Minas. A região destaca-se pela presença de operações de grande porte, como a Companhia Brasileira de Lítio (CBL), a Sigma Lithium e a AMG Brasil. A CBL destaca-se pela operação de sua refinaria instalada em Divisa Alegre, no Norte do Estado, sendo a pioneira na produção de carbonato e hidróxido de lítio com alto valor agregado. Em paralelo, novos projetos avançam na fase de implantação e pesquisa, como os empreendimentos da Atlas Lithium, Lithium Ionic e o projeto da PLS em Salinas.
O dinamismo atraiu a governança estadual, que instituiu o programa Vale do Lítio para desburocratizar o ambiente de negócios e atrair fornecedores da cadeia de baterias. Contudo, relatórios internacionais reforçam que a reciclagem de componentes cobrirá quase metade da demanda futura até 2050, exigindo que os polos mineradores desenvolvam tecnologia própria para processamento sustentável.
Para o Norte de Minas, a expansão da cadeia do lítio vai além da extração primária. A presença de refinarias e projetos em Salinas e Divisa Alegre fixa inteligência técnica no semiárido, estimula o surgimento de fornecedores locais e qualifica a infraestrutura regional. Ao transformar reservas geológicas em ativos de alta tecnologia, a região consolida sua liderança na economia mineral verde do país.
Refino local e
agregação de valor
no semiárido
O protagonismo do Norte de Minas na corrida global do lítio reside no diferencial estratégico de não atuar apenas como exportador de minério bruto. A operação da refinaria da CBL em Divisa Alegre e os novos projetos de pesquisa em Salinas demonstram a capacidade da região de processar o insumo em compostos químicos de alto valor agregado, como o carbonato e o hidróxido de lítio essenciais para a fabricação de baterias.
Essa infraestrutura industrial instalada retém receita tributária no estado, exige a formação de mão de obra altamente qualificada pelas universidades regionais e atrai fornecedores de componentes tecnológicos para o interior mineiro. Ao conectar o potencial geológico a investimentos de longo prazo e políticas de transição ecológica, o Norte de Minas deixa de ser uma fronteira extrativista tradicional para se firmar como polo de inovação em minerais do futuro.