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Mulheres transformam trabalho solo em negócio

Tecnologia ajuda empreendedoras a ganhar autonomia e ampliar mercados

A revolução do empreendedorismo feminino está acontecendo também atrás de uma tela. Cada vez mais mulheres estão transformando atividades individuais em negócios, usando redes sociais, aplicativos, plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial para vender, divulgar serviços, organizar a rotina e alcançar clientes sem precisar de uma grande estrutura física.

Uma pesquisa do Consumer Insights UOL, realizada com 1.300 pessoas, mostra que 63% das mulheres empreendedoras utilizam redes sociais para vender. Entre as ferramentas mais utilizadas estão o WhatsApp Business, citado por 67%, e o Canva, por 49%. A tecnologia, portanto, deixou de ser apenas um instrumento de divulgação e passou a fazer parte da própria operação dos pequenos negócios.

O movimento é especialmente importante porque muitas mulheres procuram no empreendedorismo algo além da renda. O estudo mostra que 62% delas valorizam muito o controle sobre o próprio tempo, enquanto a independência financeira, a flexibilidade e a possibilidade de conciliar diferentes responsabilidades aparecem entre as principais motivações.

Mas trabalhar por conta própria não significa necessariamente ter uma vida mais fácil. 61% das empreendedoras apontam o preconceito como obstáculo, enquanto 56% citam a sobrecarga provocada pela dupla jornada. Além disso, 46% sentem falta de redes de apoio e 39% encontram dificuldades para acessar investimentos.

É justamente nesse ponto que a tecnologia pode representar uma virada. Uma profissional que antes dependia de uma loja pode vender pelas redes sociais. Quem presta serviços pode conquistar clientes de outras cidades. Uma artesã pode apresentar seus produtos para um público muito maior. E ferramentas de inteligência artificial já começam a auxiliar pequenas empreendedoras em tarefas de marketing, atendimento, planejamento e produção de conteúdo. O próprio governo federal mantém iniciativa para capacitar 5 mil mulheres empreendedoras em inteligência artificial aplicada aos negócios, com formação, mentorias e capital semente.

Em Minas Gerais, o fenômeno também ganha força. O Sebrae mantém levantamento específico sobre o perfil, as motivações e os desafios das mulheres à frente de pequenos negócios no estado.

A chamada “revolução das solitárias”, portanto, não significa que as mulheres estejam escolhendo empreender sozinhas por falta de alternativas. Significa que muitas estão descobrindo como transformar autonomia, tecnologia e conhecimento em oportunidade.

O desafio agora é fazer essa transformação chegar mais longe: mais capacitação, crédito, redes de apoio, acesso à tecnologia e oportunidades para que trabalhar sozinha deixe de significar crescer sozinha.

Tecnologia permite que mulheres transformem habilidades em negócios
Tecnologia permite que mulheres transformem habilidades em negócios (Crédito: IA)

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