Hoje, 4 de Fevereiro de 2026, marca exatamente um ano do falecimento de Humberto Guimarães Souto, o ex-prefeito de Montes Claros que, por mais de seis décadas, dedicou sua vida à política e ao desenvolvimento de Minas Gerais. Sua partida, em 4 de fevereiro de 2025, aos 90 anos, deixou um vazio profundo na região Norte de Minas, mas também um legado indelével de seriedade, trabalho incansável e visão estratégica para o futuro.
Nascido em 3 de junho de 1934 nesta mesma cidade, Souto era advogado, contador e, acima de tudo, um homem público que transitou com maestria por todos os escalões do poder, sempre com o olhar voltado para Montes Claros e seu povo.
Sua trajetória começou cedo, em 1962, quando foi eleito vereador na terra natal, aos 28 anos. Dali em diante, o caminho foi ascendente: deputado estadual em 1970, oito mandatos consecutivos como deputado federal a partir de 1974 – um recorde que o consagrou como vice-presidente da Câmara dos Deputados –, e, em 1995, a honrosa nomeação como ministro e presidente do Tribunal de Contas da União (TCU).
Foi no TCU, que Souto demonstrou sua expertise em contas públicas, fiscalizando com rigor os recursos que sustentam o Brasil. Mas foi o retorno a Montes Claros que o aproximou ainda mais do coração da população local.
Em 2012, candidatou- se a prefeito, obtendo 23,97% dos votos no primeiro turno. Quatro anos depois, em 2016, venceu no segundo turno com impressionantes 65,31%, assumindo o Paço Municipal em 2017 para dois mandatos até 2024.
Como prefeito, Humberto Souto priorizou obras de infraestrutura que transformaram a fisionomia da cidade. Sob sua gestão, Montes Claros viu a expansão de avenidas, a modernização do sistema de saneamento, investimentos em saúde e educação, e o fortalecimento da economia regional, com ênfase no agronegócio e no comércio.
Ele inaugurou unidades de saúde, revitalizou praças e impulsionou parcerias que atraíram empresas para o município, gerando empregos e renda. Sua administração foi marcada por uma gestão austera, sem escândalos, contrastando com tantos ciclos políticos turbulentos.
Souto era conhecido por sua franqueza mineira, pelo diálogo aberto com a população e pela capacidade de unir forças políticas em prol do bem comum. Recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Unimontes, reconhecimento à sua contribuição para a educação superior na região.
O declínio veio de forma inesperada. Em 22 de dezembro de 2024, sofreu um Acidente Vascular Cerebral (AVC), que o levou a uma internação prolongada em Brasília. Após semanas de luta, veio a falência múltipla dos órgãos, e ele partiu em 4 de fevereiro de 2025.
Montes Claros parou para chorar: a Câmara Municipal decretou luto oficial de três dias. Familiares, amigos, autoridades se uniram em despedida, ecoando o quanto Souto era um pai para a cidade.
Um ano depois, em 4 de fevereiro de 2026, Montes Claros reflete sobre o vazio deixado por esse gigante. Seu exemplo de integridade permanece como bússola para a nova geração de líderes. Obras como o complexo João XXIII e outras melhorias viárias ainda beneficiam milhares diariamente, e seu nome está eternizado em ruas, praças e na memória coletiva.
Mas nada substitui o homem que, com sotaque carregado do Norte mineiro, defendia Montes Claros no Congresso Nacional e no Palácio do Planalto.
Nesta edição especial, abrimos espaço para as vozes mais próximas: familiares e amigos que conviveram com Humberto Souto nos bastidores da vida pública e privada. Seus depoimentos revelam o homem por trás do político – o pai dedicado, o amigo leal, o visionário incansável.
A seguir, emocionantes relatos que humanizam essa lenda viva de Minas Gerais.
Namorada
Foram quase vinte anos de convivência. Trago comigo valores que aprendi com meus pais e que sempre nortearam minha vida: a certeza de que uma vida plena só faz sentido quando é colocada a serviço do bem, especialmente dos mais humildes e dos menos favorecidos.
Com Humberto, esses valores não apenas se confirmaram, como se fortaleceram ainda mais. Sempre acreditei e sigo acreditando que a felicidade está em fazer o bem, sem olhar a quem. O bem que se faz hoje pode ser esquecido amanhã, mas, no fim das contas, tudo é entre nós e Deus, nunca entre nós e os outros. Gosto muito de uma frase de Santa Madre Teresa de Calcutá que expressa bem isso.
Guardo dele apenas memórias boas e inúmeros ensinamentos. Muitos, muitos mesmo. O que trago hoje no meu íntimo é a saudade, as lembranças inclusive as mais difíceis do final de sua vida mas sobretudo a fé, o amor a Deus e a serenidade de quem tem a consciência tranquila, com o sentimento de missão cumprida.
Só Deus e eu sabemos como foram os últimos anos das nossas vidas.
Aprendi com ele, inclusive, que a vida segue. Um dia após o outro. O que fica de Humberto para mim é a honestidade, o caráter e a gratidão palavra que sempre carreguei comigo e que, para mim, resume tudo.
Neste momento, prefiro não entrar em análises sobre o cenário político. Após sua partida, estou reunindo forças, pouco a pouco, para voltar a acompanhar a política nacional, algo que tanto o preocupava. Por ora, me resumo à saudade e à oração.
Todas as noites rogo a Deus que surjam grandes líderes no Brasil, com verdadeiro espírito público, dispostos a servir aos que mais precisam, seguindo um princípio simples e inegociável que sempre marcou sua trajetória: não roubar e não deixar roubar.
Um ano após sua partida, sigo recordando Humberto e trazendo para minha vida, especialmente, os ensinamentos que ele deixou para mim, sem deixar de reconhecer que ele deixou um legado para muitos: para o Brasil, para Minas Gerais, o Norte de Minas, para Montes Claros e, sobretudo, para as pessoas. Seu lema sempre foi cuidar das pessoas e ele cuidou.
Deixou um legado invejável de honestidade, uma marca que deveria servir de exemplo. Tive a honra e o privilégio de conviver com alguém assim. Ainda estou processando tudo o que aprendi ao seu lado, mas tenho a firme decisão de levar esse legado para minha vida.
Costumo dizer, até de forma leve, que Humberto ensinou a todos: quem quis aprender, aprendeu; quem não quis, não aprenderá. Eu, graças a Deus, aprendi.
Sou profundamente grata a Deus e a ele. E, ao longo da vida, espero colocar em prática tudo o que me foi ensinado, se Deus quiser e acredito que “Ele “quer.
Ex-reitor da Unimontes e presidente do HAT
Tive o privilégio de ter Humberto Souto não apenas na minha lista de amigos, mas como uma das maiores referências pessoais e profissionais de toda a minha trajetória. Conheci Humberto, quando eu atuava como jornalista e ele já era deputado federal, ainda nos anos 1970.
No início da década de 1980, fui convidado por ele para trabalhar em seu gabinete na Câmara dos Deputados. Assessorá-lo por mais de dez anos foi uma verdadeira escola de vida. Percorremos juntos não apenas os corredores de Brasília, sempre em busca de recursos, obras e investimentos para o Norte de Minas, mas também cada canto da nossa região. Eram viagens longas, muitas vezes por estradas ainda não asfaltadas, nas quais recebi ensinamentos que levo comigo até hoje.
Deixei o gabinete para me dedicar integralmente à vida acadêmica, assumindo cargos de direção na Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes). Ao lado de Humberto, lutamos pelo reconhecimento da antiga Fundação Norte Mineira de Ensino Superior (FUNM), como universidade. Ele foi um defensor incansável do sonho de termos, no Norte de Minas, uma instituição pública, gratuita e de qualidade.
Mais tarde, exerci o cargo de vice-reitor enquanto ele atuava como conselheiro e presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), e depois o de reitor, coincidindo com o seu retorno à Câmara dos Deputados, já nos anos 2000.
Quando Humberto realizou o sonho de ser prefeito de Montes Claros, e o fez de forma esplendorosa, sendo lembrado por muitos como o melhor gestor da história do município, acompanhei seus mandatos na condição de provedor e diretor-presidente do Hospital Aroldo Tourinho (HAT). Nossas trajetórias também se encontraram ali, já que Humberto havia sido provedor da instituição anos antes do meu ingresso.
Humberto Souto é sinônimo de honestidade, e fui testemunha direta disso. Mas, além do homem público exemplar, destaco o esposo dedicado, o pai atencioso, o amigo leal e sincero.
Convivi de perto com o homem por trás da figura pública: alguém que nunca teve duas posturas. Tratava um presidente da República da mesma forma que recebia um vereador de uma pequena cidade do interior; um grande empresário com o mesmo respeito dispensado a um pequeno produtor rural. Era inteiro, o tempo todo. E quando empenhava a palavra, ela era cumprida.
Outra marca profunda de sua personalidade era o espírito democrático. Mesmo quando discordávamos, ele sempre respeitou minhas opiniões e jamais tentou silenciá- las, inclusive quando eu era seu assessor. Aprendi com ele a defender argumentos com firmeza e dignidade, valores que ele próprio admirava e estimulava.
Humberto Souto faz muita falta. Foi um homem único, marcante, e um político essencial para as grandes conquistas do Norte de Minas. Sua história permanece viva nas instituições que ajudou a fortalecer e, sobretudo, na memória e no coração de todos que tiveram o privilégio de caminhar ao seu lado.
Diretora das Rádios Pop e Educadora FM
Nesta quarta-feira (4) faz um ano em que o ex-prefeito Humberto Souto faleceu. Homem exemplar que fez história na vida pública, como deputado, presidente do Tribunal de Contas da União, então prefeito de Montes Claros, cidade que ele transformou, gerando desenvolvimento e crescimento.
Essa é a verdade que se perpetua na vida das pessoas que conheceram Humberto. Nunca será esquecido porque combateu o bom combate, fez história como vencedor e soube dignificar a vida das pessoas. Sábio, forte, verdadeiro, amigo.
Mas estou aqui para lembrar do homem, deste grande homem. Suas qualidades são grandiosas. Sei disso. Convivi com ele. Pessoa simples, humano, coração grandioso ao ponto de nem ele se lembrar de benefícios que proporcionava. Era sensível e admirador das belezas da vida.
Agradeço a Deus por ter proporcionado uma convivência tão intensa. Fico emocionada sempre ao falar do tio Humberto Souto. Olhos lacrimejam de saudade. Mas agradeço pela sua vocação de servir e pelo tempo que esteve conosco. Sempre estará vivo nos nossos corações.
Vice-prefeito de Montes Claros
Humberto foi merecedor de todos os aplausos e honrarias recebidas. Prestou relevantes serviços ao país e especificamente à sua cidade, seja como vereador, deputado estadual, deputado federal, Ministro do Tribunal de Contas da União e, finalmente, como prefeito.
Dr. Humberto sempre foi um protagonista de sua vida. Se me é possível descrever sua atuação, usando de uma Alegoria, diria que no teatro da vida, Humberto Souto escolheu ser um Protagonista!
Toda grande história, e a vida é uma história, precisa de seus protagonistas, coadjuvantes, antagonistas e até mesmo dos figurantes. Todos os dias, “cada um de nós escreve a sua história” e exerce esta função.
Na história de Humberto Souto, este é o papel que lhe coube: Protagonismo. Isto não quer dizer que nesta história, “os outros” não tenham sido importantes ou fundamentais. Humberto soube dividir esta cena. Dividiu o palco com todos, permitiu que outros também brilhassem e esforçou-se para que neste teatro da vida, a “apresentação” fosse a melhor possível.
Ensinou! Foi um professor! Mais do que isto: colocou-se, com a força do EXEMPLO, a guiar os passos e a atuação dos demais.
Ao relembrar o legado de Humberto, lembrei-me de um poema, de que gosto muito, lido pela primeira vez ainda em minha infância, após ser presenteado com um pequeno livro, pelo meu pai. O Poema, de Casimiro de Abreu, chama-se Borboleta.
Com o brilhantismo peculiar dos poetas, Casimiro fala de amor de forma brilhante. Usando também uma metáfora: A Borboleta volúvel, passeia por diversas flores e, deixa a Rosa e vai a um Jasmim. A Flor traída, logo fenece, nem mais estremece, sequer com os beijos que a brisa dá!
“Dr. Humberto” foi como a Rosa. Precisou que todas as Borboletas estivessem com ele. Não se realizou, senão na presença e participação de todos. Nunca deixou de ser o motor da mudança.
Mas toda Rosa, além da beleza e do perfume, tem seus espinhos, a lhe proteger. Humberto também protegia-se da vida e dos outros com seus espinhos, mostrou- se não raras as vezes, duro, inflexível. Quem lhe conheceu, verdadeiramente, sabe que isto foi apenas uma proteção. Um homem que dedicou sua vida aos outros, que pensou sempre nos outros, antes de si.
E já finalizando, cito outro poeta: Carlos Drummond de Andrade.
E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
E agora Humberto?
E agora Montes Claros?
Um ano sem nosso professor, amigo, companheiro, um ano sem nosso exemplo. Saudade é sentimento que não se explica. Saudade é sentimento que se vive. Restam as lembranças. Fica a tristeza da ausência. A vida é um sopro, às vezes ventania!
Humberto foi-se, mas continua vivo em nossos corações e como força para continuar o trabalho por uma cidade e por um país mais justo.
As luzes da Ribalta se apagaram na apresentação de Humberto. Mas a vida não pode parar. Vivamos com a certeza de que sua passagem no mundo terrestre iluminou a todos. Seu exemplo, para todos nós e principalmente para nossa amada Montes Claros será inspiração e sobremodo, compromisso para um país melhor.
Obrigado meu amigo! Nós não vamos te esquecer! Até a algum dia.