Escritor da região destaca paixão e inspiração em suas obras
No universo das letras norte-mineiras, o nome de João Duque ecoa. O autor que possui 77 anos de idade e é jornalista por devoção, já atuou como ex-editor da página Literarte do Diário e Montes Claros, diretor e editor da Revista LiterAtus (Impressa). Além disso, possui especialidades em Direito Tributário e Prática em Administração Pública, entre outras. Atualmente, é aposentado do Ensino Superior da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes) e um eterno fiel à poesia.
João Duque só não se aposenta mesmo é da poesia e destaca-se pela longevidade e pela relação íntima com o lirismo. Com uma trajetória que atravessa quatro décadas, o escritor e compositor consolida um estilo marcado pela sensibilidade e pela busca constante de “perenizar momentos”. Entre poemas, crônicas e letras de música, sua obra é um inventário de vivências, alegrias e melancolias transformadas em arte.
Autodefinido como um “eterno apaixonado”, Duque foge do estereótipo do escritor disciplinado. Em seu processo criativo, o sentimento precede a técnica. “Escrevo por pura inspiração. Não escrevo quando quero e sim, quando sinto”, revela o autor, que encontra em suas musas inspiradoras o combustível para os devaneios que dão vida aos seus textos.
DA FAZENDA AO CORDEL
A gênese do escritor João Duque remonta à infância na Fazenda Vereda. Foi naquele ambiente rural que o contato com a literatura de cordel, levada por seu pai, plantou as primeiras sementes da poesia. Antes mesmo de ser alfabetizado, o autor já se encantava com as histórias narradas em versos, pedindo a terceiros que lessem os livretos em voz alta.
Essa base popular, mais tarde, encontrou eco na obra de grandes mestres. As referências do escritor transitam pelas belezas de Manuel Bandeira, pelo romantismo de Gonçalves Dias e pela simplicidade direta dos versos de Roberto Carlos. Influências que moldaram sua escrita e sua relação com a poesia.
DESAFIO DA ESCRITA INDEPENDENTE
Ao longo de sete livros publicados e com o oitavo já finalizado – intitulado “Marcas de um eterno amor” – Duque testemunhou as transformações do mercado editorial. Para ele, o autor independente enfrenta barreiras que vão desde os custos elevados de edição até a concorrência com grandes editoras e a transição para o mercado digital.
Atualmente, o escritor destaca a importância de mecanismos de fomento, como a Lei Paulo Gustavo, para a manutenção da produção artística regional. Para João Duque, o apoio governamental é o que permite que a poesia sobreviva aos desafios comerciais, garantindo que a cultura do Norte de Minas continue a ser registrada por meio de suas obras literárias e musicais.