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Fim da 6×1 avança na Câmara dos Deputados

PEC prevê 40 horas, mais folga e transição de 14 meses

A Câmara dos Deputados aprovou, em dois turnos, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais e põe fim à tradicional escala 6×1, em que o trabalhador atua seis dias para descansar apenas um. O texto agora segue para análise do Senado Federal, última etapa antes da promulgação da mudança constitucional.

A proposta estabelece uma transição gradual de 14 meses. Dois meses após a promulgação da PEC, os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos. Nesta primeira fase, a jornada semanal cairá de 44 para 42 horas. A redução definitiva para 40 horas ocorrerá um ano depois.

O texto aprovado deixa claro que a diminuição da carga horária não poderá provocar redução salarial, nem cortes proporcionais ou alterações em pisos salariais já estabelecidos. A intenção é garantir mais tempo de descanso e qualidade de vida sem perda de renda aos trabalhadores.

A aprovação foi celebrada por parlamentares ligados à base do governo e por entidades sindicais, que tratam a medida como uma atualização necessária das relações de trabalho no país. O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou durante a votação que desenvolvimento econômico e dignidade humana devem caminhar juntos. O governo federal também passou a defender a proposta como uma pauta social estratégica.

Por outro lado, representantes do setor empresarial e parlamentares da oposição demonstraram preocupação com os impactos econômicos da mudança. Entre os principais argumentos estão o possível aumento dos custos operacionais, a pressão sobre preços e o risco de crescimento da informalidade ou de demissões em alguns segmentos da economia.

A PEC prevê exceções para profissionais com diploma de nível superior e renda acima de 2,5 vezes o teto do INSS. Esses trabalhadores poderão ficar fora das regras de jornada e controle de ponto, desde que haja previsão em acordo coletivo, convenção ou decisão do empregador. Segundo o relator da proposta, o objetivo é evitar o avanço da pejotização em cargos de alta renda.

O texto também permite regimes diferenciados para setores específicos, como saúde, segurança pública, transporte e limpeza urbana. Nessas áreas, acordos coletivos poderão definir formas próprias de compensação de jornada, desde que sejam mantidos os dois dias de repouso semanal remunerado.

A discussão sobre o fim da escala 6×1 reacende um debate antigo sobre produtividade no Brasil. Especialistas apontam que o país possui uma das maiores cargas horárias entre economias relevantes, mas apresenta produtividade por hora inferior à registrada em países desenvolvidos. O desafio, segundo analistas, envolve fatores como qualificação profissional, tecnologia, infraestrutura e modernização das relações de trabalho.

Caso o Senado confirme a proposta, o Brasil poderá iniciar uma nova fase nas relações trabalhistas, com promessa de maior equilíbrio entre vida pessoal e profissional. O principal desafio será adaptar os diferentes setores da economia à nova realidade sem comprometer competitividade, geração de empregos e sustentabilidade das empresas.

A Câmara aprovou, em dois turnos, a PEC que reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas(CRÉDITO: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados)

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