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El Niño e seca extrema ameaçam a safra no Norte de MG

Combinação de calor, baixa umidade e déficit hídrico eleva riscos para o agro

A intensificação das anomalias térmicas globais e a confirmação do fenômeno El Niño recolocam o clima no centro das preocupações do agronegócio brasileiro. No Norte de Minas Gerais, a transição para setembro consolida um cenário de extrema vulnerabilidade para o setor produtivo, unindo escassez de chuvas, elevadas temperaturas e umidade relativa do ar em níveis de alerta sanitário e ambiental.

Em Montes Claros, as medições meteorológicas registraram marcas críticas na virada do mês, com os termômetros atingindo 37°C e a umidade do ar despencando para 18%. Esse quadro de aridez estende-se por toda a malha municipal vizinha — alcançando desde polos como Janaúba, Januária, Pirapora e Paracatu até os pequenos municípios e distritos rurais do Vale do Jequitinhonha e Mucuri. A combinação entre calor sufocante e ar seco atua diretamente na evapotranspiração do solo, esgotando rapidamente os reservatórios de água e reduzindo a capacidade de recuperação das pastagens locais.

Para a pecuária extensiva, motor econômico regional, o impacto é imediato. A degradação dos pastos força o uso antecipado de ração concentrada e silagem, elevando substancialmente o custo de produção e pressionando a margem dos criadores de gado de corte e leite. Paralelamente, o estresse térmico sofrido pelos rebanhos reduz a taxa de natalidade e a produtividade leiteira, exigindo intervenções veterinárias rápidas e suplementação hídrica emergencial.

Na agricultura, a irregularidade do regime de chuvas prevista para o início da safra 2026/27 acende o sinal vermelho. Historicamente, o El Niño altera a distribuição das precipitações e encurta a janela ideal de semeadura de culturas como soja e milho no Cerrado mineiro. Para evitar perdas de produtividade e falhas no estabelecimento das lavouras, órgãos de pesquisa e extensão rural recomendam o estrito cumprimento do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). O uso de técnicas de plantio direto, a manutenção da cobertura vegetal no solo para conservação da umidade e a escolha de cultivares mais resistentes à seca surgem como estratégias indispensáveis de sobrevivência no campo.

Além da produção agropecuária, a baixa umidade e a vegetação ressecada elevam o risco de incêndios florestais e queimadas descontroladas na Bacia do Rio São Francisco e Bacia do Verde Grande. O aumento do fogo não apenas devasta áreas de preservação permanente e Reservas Legais, como destrói cercas, instalações rurais e compromete a qualidade do ar nas zonas urbanas e rurais.

Diante de um ambiente econômico e climático adverso, a articulação entre sindicatos rurais, cooperativas, órgãos de assistência técnica e prefeituras torna-se vital. A busca por crédito para irrigação eficiente, o fortalecimento do seguro rural e a gestão coletiva das bacias hidrográficas deixaram de ser pautas secundárias para se tornarem pilares de resiliência e sustentabilidade para todo o Norte de Minas.

Estiagem e altas temperaturas reduzem umidade do solo e preocupam produtores rurais
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