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Defensoria Pública encerra Mutirão Esse é o Meu Nome

Mais de 480 pessoas de um total de 30 municípios participaram do projeto “Mutirão Esse é Meu Nome – Retificação de Nome e Gênero de Pessoas Transexuais e Travestis”, promovido pela Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) ao longo do mês de julho.

Mais de 480 pessoas de um total de 30 municípios participaram do projeto “Mutirão Esse é Meu Nome – Retificação de Nome e Gênero de Pessoas Transexuais e Travestis”, promovido pela Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) ao longo do mês de julho. Foi a primeira edição em âmbito estadual, realizada de forma simultânea em Belo Horizonte. Montes Claros e outras 28 Unidades do interior. Em Montes Claros, o evento de encerramento ocorrerá nesta sexta-feira (2/8), a partir das 9 horas na Unidade da DPMG (Rua Espírito Santo 110, bairro Ibituruna).

A programação inclui palestra de Letícia Imperatriz, mulher trans, cientista social, mestranda em Desenvolvimento Social na Unimontes e coordenadora do Projeto Transidentidade.

Cidadania e inclusão social. No total, o “Mutirão Esse é o Meu Nome” teve 483 inscritos em 30 unidades da DPMG. A iniciativa foi uma importante oportunidade para que pessoas transexuais e travestis de todo o Estado pudessem ter acesso pleno à cidadania, inclusão social e resgatasse sua autoestima.

Johan, 31, esperou por quatro anos pelo momento em que fosse receber seus documentos retificados. Ele conta que ficou sabendo do projeto através de uma postagem de um amigo no Instagram. Mesmo com o processo correndo normalmente, Johan não deixou de se sentir ansioso.

“As pessoas, muitas vezes, não entendem que essa é uma grande vitória na vida de uma pessoa trans. É muito complicado chegar aos lugares e nos apresentarmos. Não são todos que respeitam”, explica Johan. “Sabemos que esse não é o início da transição para ninguém, mas é uma grande vitória!”

Outra questão que se sobressalta sobre a população trans e travesti no Brasil é o fato de a grande maioria desse público estar submetida a condições de emprego informal e à prostituição. Segundo levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), 90% da população trans e travesti tem a prostituição como fonte de renda e de sobrevivência.

Bianca, 27, conta que passou por um processo de transição extremamente complexo. “O início foi bem difícil pela falta de aceitação do meu pai. Para não entrar na prostituição, acabei trilhando um caminho bem mais errado e cheguei a ser presa”, relata.

Depois de muito tempo, a família acabou oferecendo apoio e Bianca conseguiu continuar a transição. Atualmente, ela é cabelereira, cuidadora de idosos e também atende em uma distribuidora de sorvetes.

“Hoje, estou muito satisfeita com essa conquista que, para mim, até alguns anos atrás era impossível. Estou mais tranquila e vejo que algumas portas vão se abrir com o nome retificado”, conta Bianca.

O MUTIRÃO

O mutirão foi uma realização da DPMG, com a coordenação da Defensoria Especializada em Direitos Humanos, Coletivos e Socioambientais (DPDH), com o apoio da Coordenadoria de Projetos, Convênios e Parcerias (CooProC) e da Associação das Defensoras e Defensores Públicos de Minas Gerais (ADEP-MG).

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