Presidenciável destaca educação, saúde mental e desenvolvimento regional
O candidato à Presidência da República Augusto Cury cumpriu agenda em Montes Claros, onde se reuniu com lideranças políticas, empresariais, comunitárias, religiosas e representantes do setor produtivo. A passagem pelo Norte de Minas, articulada pelo vereador e candidato a deputado federal PC Landim, serviu para apresentar propostas da candidatura e aproximar o debate nacional de temas considerados estratégicos para o desenvolvimento da região.
Durante a programação, Cury esteve na Sociedade Rural de Montes Claros, onde foi recebido pelo presidente da entidade, Flávio Gonçalves Oliveira, e pelo diretor financeiro Osvaldo Miranda Júnior. O candidato também visitou a Prefeitura, onde se reuniu com o prefeito Guilherme Guimarães, e participou de encontros com a imprensa, lideranças e representantes de diferentes segmentos.
Escritor, médico e pesquisador na área do comportamento humano, Cury colocou a educação e a saúde mental entre os principais pilares de sua candidatura. Na educação, defende a implantação do programa Escola da Inteligência em toda a rede pública, com foco no desenvolvimento de competências socioemocionais, como gerenciamento das emoções, empatia, resiliência, tomada de decisões e relacionamento interpessoal.
A proposta parte da ideia de que a escola deve ir além da transmissão de conteúdos, preparando crianças e adolescentes para enfrentar conflitos, frustrações, escolhas e os desafios da vida contemporânea. Ao recordar sua trajetória, Cury falou sobre a infância pobre, os estudos em escola pública e as dificuldades que enfrentou até chegar à Medicina.
“A vida é um grande contrato de risco. Risos e lágrimas, aplausos e vaias, sucessos e fracassos fazem parte da jornada”, afirmou. Em seguida, reforçou sua visão sobre as adversidades: “Nós não podemos jamais nos curvar à dor. Nós temos que usar os momentos mais difíceis para nos tornarmos pessoas que escrevem uma história que vale a pena ser vivida”.
Ao falar de sua formação, destacou sua origem na escola pública. “Eu sou aluno de escola pública. A vida toda: ensino fundamental, ensino médio e, na universidade, na faculdade de Medicina.” E acrescentou: “Mesmo que o mundo não te aplauda e as pessoas não abram as portas para você, você tem que ter coragem para abrir as janelas.”
Na área da saúde, o candidato propõe fortalecer a atenção primária e ampliar o acesso da população a psicólogos e psiquiatras pelo Sistema Único de Saúde, com maior investimento em prevenção e identificação precoce de problemas psicológicos e psiquiátricos. Em Montes Claros, relacionou a crise de saúde emocional também ao uso excessivo das tecnologias e aos desafios enfrentados pelas novas gerações.
Outro ponto central de seu discurso foi a crítica à polarização política. Cury afirmou defender uma alternativa que ultrapasse a tradicional divisão entre direita e esquerda e concentre o debate nas necessidades concretas da população.
“Eu não estou em cima do muro. Eu desci do muro, quebrei o muro e quero construir, com cada tijolo, pontes”, declarou.
Ao explicar seu posicionamento, afirmou: “A minha mente é capitalista, com meritocracia, com empreendedorismo, com preservação da família, com liberdade de expressão, mas o meu coração é um coração social.”
Para o candidato, “mais de 90% das dores humanas não têm cor partidária”. Cury disse ainda não pretender construir uma carreira política e classificou o ambiente político como excessivamente tóxico. “Eu não quero fazer carreira política. Eu nunca encontrei um ambiente tão tóxico, nunca encontrei um ambiente onde há tanta falta de solidariedade e generosidade.” Ao final, resumiu sua mensagem: “A dor de vocês importa.”
No campo econômico, Cury defende a simplificação tributária, especialmente para pequenas e médias empresas, o incentivo à inovação e a criação de condições favoráveis para investimentos e geração de empregos. A proposta associa estímulo à atividade produtiva com responsabilidade fiscal e maior eficiência na gestão dos recursos públicos.
O candidato também chamou atenção para os impactos que a inteligência artificial e a robótica poderão provocar no mercado de trabalho. Defendeu a criação de mecanismos de formação profissional e empreendedorismo, principalmente para os jovens, além de maior valorização do ensino técnico em áreas como tecnologia, informática, gestão, contabilidade e marketing.
“Nós temos que preparar a nação brasileira para ser a nação mais empreendedora do planeta”, afirmou. Para Cury, o país precisa se antecipar às transformações tecnológicas. “Talvez milhões de empregos serão perdidos e, se nós não prepararmos a nação brasileira, nós vamos ver os jovens colapsarem.”
Para o Norte de Minas, uma das propostas com maior potencial de repercussão é o **Brasil Oásis**, projeto voltado à transformação do semiárido em uma nova fronteira produtiva. A iniciativa reúne propostas de segurança hídrica, irrigação de precisão, reuso de água, expansão da energia solar, fortalecimento da fruticultura, tecnologia, agroindustrialização e atração de investimentos.
A ideia é transformar limitações históricas do semiárido em oportunidades de desenvolvimento, ampliando a capacidade produtiva da região, a geração de empregos e a participação nos mercados nacional e internacional. Entre os objetivos estão o crescimento das exportações de frutas e o aumento da produção brasileira de alimentos.
Para o Norte de Minas, a proposta dialoga diretamente com questões históricas e estratégicas, como disponibilidade de água, agricultura irrigada, energia renovável, fruticultura, agregação de valor à produção agropecuária e geração de renda.
O candidato a vice-presidente, Júlio Delgado, também participou da agenda e reforçou o discurso contra a polarização. “Fomos envenenados há oito anos por uma polarização que tem feito mal para o Brasil, uma polarização que dividiu famílias, uma polarização que segregou as pessoas.”
Segundo Delgado, sua origem no interior de Minas também representa uma tentativa de ampliar a presença de regiões afastadas dos grandes centros no debate político nacional. “Não dá para esperar mais quatro anos. O Brasil tem urgência de sair dessa polarização”, afirmou, resumindo a mensagem da chapa na frase: “O Brasil tem cura.”
A passagem de Augusto Cury pelo Norte de Minas foi articulada por PC Landim, que tem trajetória ligada a projetos sociais, juventude, educação e formação de lideranças. Fundador do Instituto Conexão, em 2013, Landim afirma que a organização já alcançou mais de 25 mil pessoas por meio de projetos sociais, esportivos, culturais e educacionais.
Durante o encontro, PC Landim relatou que se identificou com o projeto de Cury durante uma visita do presidenciável ao município de Mamonas. “Eu vi um homem humilde, um homem famoso, um homem grande do país, colocando o seu nome à disposição. Então eu colei com a sua história.”
Ao falar sobre sua própria trajetória, afirmou: “Na minha trajetória, o não nunca me parou.” E, ao defender a mobilização política, acrescentou: “Nós estamos aqui para quebrar a lógica desse país. Nós estamos aqui para gerar a transformação desse país.”
A agenda de Cury no Norte de Minas prossegue com novos compromissos, incluindo palestra e almoço com lideranças, antes de sua viagem para São Paulo. A passagem por Montes Claros colocou no centro do debate temas de interesse direto da região, como segurança hídrica, desenvolvimento do semiárido, agricultura, agroindustrialização, empreendedorismo, geração de empregos, educação, saúde mental e inovação.
Mais do que apresentar propostas, a agenda buscou aproximar a candidatura das lideranças políticas e produtivas do Norte de Minas e abrir espaço para que demandas históricas da região sejam levadas ao debate nacional.