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Banco Master explode em Brasília e arrasta ministros do STF para o centro da crise

Daniel Vorcaro, em prisão domiciliar desde 2025, deve comparecer ao Senado na segunda-feira (23).

Empresário do Banco Master falará ao Senado pela primeira vez desde a prisão. Três comissões disputam acesso a documentos sigilosos e pressionam por respostas sobre fraude em empréstimos consignados.

No epicentro de um escândalo que já conecta o mundo financeiro ao topo do Judiciário, o caso Banco Master deixou de ser apenas uma crise bancária e passou a ameaçar diretamente a imagem de ministros do Supremo Tribunal Federal. Um contrato de R$ 129 milhões com o escritório da esposa de Alexandre de Moraes, a contratação de outro ex-ministro da Corte como consultor e a suspeita de que o banco usou fundos e operações para fraudar bilhões em empréstimos consignados e lavar dinheiro ao lado da gestora Reag, investigada por ligação com o PCC, transformaram o depoimento de Daniel Vorcaro no Senado em ponto de inflexão política e institucional.

Atenção no Senado
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deve comparecer ao Senado Federal na segunda-feira (23), às 16h, para depor na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
A data foi antecipada em três dias, em decisão do presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), que quer acelerar o andamento das investigações.
Em prisão domiciliar desde novembro de 2025, Vorcaro volta aos holofotes em meio a um escândalo financeiro que movimentou cerca de R$ 12 bilhões e expôs uma rede de contratos fraudulentos de crédito consignado a aposentados e pensionistas.

“A CPMI atuará com firmeza, responsabilidade e celeridade, colocando a verdade acima de qualquer disputa política e a justiça acima de qualquer interesse circunstancial.”
— Carlos Viana, presidente da CPMI do INSS

A engrenagem das investigações
O foco da CPMI são 324 mil contratos de consignado formalizados pelo Banco Master. Desse total, 251 mil não apresentam comprovação de anuência dos beneficiários, segundo auditoria do próprio INSS.
A última sessão da comissão havia ouvido o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, que explicou por que decidiu suspender o convênio com o banco:
“Verificando a quantidade de reclamações dos segurados, entendemos por bem não renovar o acordo de cooperação técnica”, declarou em 5 de fevereiro.
Entre as irregularidades apontadas estão ausência de valor emprestado, taxas de juros indefinidas, custo efetivo total e falta de QR code para validar as assinaturas eletrônicas dos beneficiários.

“Não havia os elementos mínimos de controle”, reforçou Waller Júnior.

Três comissões, uma guerra por sigilos
O caso Vorcaro tomou proporções políticas. Além da CPMI, outras duas comissões investigam o mesmo escândalo:
a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e a CPI do Crime Organizado.
O presidente da CAE, senador Renan Calheiros (MDB-AL), tem pressionado o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF) por acesso integral aos documentos sigilosos apreendidos com o banqueiro.
Nesta semana, Calheiros se reuniu com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o ministro Edson Fachin, para fundamentar o pedido jurídico com base na Lei Complementar 105.

“A reunião foi muito produtiva. Vamos solicitar todas as informações para colaborar na responsabilização dos envolvidos”, afirmou Calheiros.
Perguntado pelo Correio Braziliense sobre o acesso ao conteúdo do celular de Vorcaro, o senador confirmou: “Sim, teremos acesso”.

A Reag na mira da CPI
Já na CPI do Crime Organizado, o presidente Fabiano Contarato (PT-ES) pediu a quebra dos sigilos bancário e fiscal da gestora Reag, ligada ao Banco Master.
De acordo com relatórios da Polícia Federal, a empresa teria sido usada em esquemas de desvio e lavagem de dinheiro associados ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A multiplicação de frentes investigativas cria um clima de tensão no Senado. Fontes ouvidas pela CNN Brasil avaliam que o depoimento do empresário tende a ser carregado de atritos, com o plenário dividido entre aliados e críticos ferrenhos.

“Ele pode revelar muito ou nada”, resumiu, sob reserva, um senador da CAE à Jovem Pan.

Esquema de segurança e bastidores
O transporte e a custódia de Vorcaro no dia do depoimento serão coordenados pela Polícia Federal, sob medidas rigorosas de segurança. Na avaliação de analistas políticos, o comparecimento do banqueiro pode definir o rumo de todas as comissões – e até reverberar no Supremo, caso surjam novos indícios de envolvimento de servidores públicos, operadores financeiros ou …
Parlamentares de oposição e governo já se preparam para o embate. Enquanto uns defendem a quebra total dos sigilos bancário e telefônico do grupo Master e suas associadas, outros alertam para o risco de exposição indevida de dados de terceiros.
Nos bastidores, fontes ligadas à CPMI afirmam que há expectativa de o empresário tentar reforçar sua defesa, reafirmando inocência e alegando prisão injusta.

Daniel Vorcaro, em prisão domiciliar desde 2025, deve comparecer ao Senado na segunda-feira (23).

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