Autocuidado, como o próprio nome já anuncia, é cuidar de si. É escolher, mesmo em meio à correria das rotinas e às exigências do dia a dia, reservar um tempo para olhar para dentro. Não se trata de luxo, nem de vaidade. Trata-se de necessidade. A atenção que dedicamos a nós mesmas impacta diretamente nossa qualidade de vida, pois o autocuidado começa quando reconhecemos nossas necessidades físicas, mentais e emocionais e seguimos o caminho de atendê-las com responsabilidade e gentileza.
Quando o autocuidado passa a fazer parte da rotina, surgem mudanças concretas: a busca por hábitos mais saudáveis, a melhora no estilo de vida, a adoção de práticas de promoção da saúde e prevenção de doenças. Os reflexos aparecem no corpo, na mente e nas emoções, mas também na forma como trabalhamos, nos relacionamos e nos enxergamos. Cuidar de si fortalece a autoestima, melhora a produtividade e torna os vínculos mais saudáveis. Ao contrário do que ainda se acredita, autocuidado não é egoísmo. É uma expressão de amor-próprio e de maturidade emocional. Quando estamos bem, mais inteiras e conscientes de nós mesmas, ampliamos nossa capacidade de cuidar do outro, de sermos solidárias e empáticas. Ninguém oferece aquilo que não tem.
Parte essencial desse processo é estar conectada às próprias emoções. Reconhecer o que sentimos e aprender a lidar com esses sentimentos é um passo fundamental para a saúde emocional. Isso começa com pequenas atitudes: observar como reagimos a determinadas situações, pessoas ou ambientes; aceitar emoções difíceis sem julgá-las; permitir-se sentir, inclusive o choro, quando ele vier. Práticas simples também fazem diferença. Escrever sobre o que se sente, mesmo quando faltam palavras exatas, ajuda a tornar as emoções mais claras e compreensíveis. Reservar momentos de silêncio e reflexão, buscar atividades que despertem alegria, serenidade ou esperança, cultivar a gratidão e manter contato com a natureza são formas acessíveis de cuidado emocional. Conversas leves com quem confiamos, caminhadas agradáveis e expressões criativas como escrever, pintar, dançar ou cantar também aliviam a mente e aquietam o coração.
O autocuidado feminino acaba se tornando uma forma de aprender ou reaprender a estabelecer limites, a não tomar para si responsabilidades que devem ser divididas em casa ou no trabalho, a reservar tempo para si sem culpa. E isso é empoderador, pois coloca a mulher não mais no lugar de servir e cuidar, mas em relação horizontal e de trocas dignas com todos à sua volta. Muitas mulheres dizem se sentirem egoístas quando tiram esse tempo para cuidarem delas, mesmo que tenham passado o dia atendendo demandas do trabalho, da casa, dos filhos. Por isso, é importante, cada vez mais, revisarmos o papel da mulher como cuidadora em tempo integral e esclarecermos o quanto o autocuidado feminino é importante não só para a saúde da mulher, mas para seus relacionamentos também.
@gabiferreira.psi