Estado atinge 3ª melhor cotação do Brasil com forte suporte no mercado futuro
O mercado físico do boi gordo encerrou a primeira semana de setembro com firmeza e viés de alta nas principais praças de comercialização do país. Impulsionado pelo ritmo aquecido dos embarques de exportação e pelo abastecimento do mercado interno, o valor da arroba registrou valorização, com o “Boi China” sendo negociado na casa de R$ 350,00 no estado de São Paulo e R$ 340,00 nas praças mineiras.
No cenário nacional, Minas Gerais consolidou a terceira melhor cotação média para o boi gordo, registrando R$ 338,96 por arroba. O resultado coloca o estado atrás apenas de Mato Grosso do Sul (R$ 343,80) e de São Paulo (R$ 347,48). O destaque regional fica para a expressiva redução no diferencial de preços entre o mercado paulista e o mineiro, que recuou de um pico histórico de 7,0% para os atuais 2,45%. No âmbito estadual, o Norte de Minas e a região de Belo Horizonte lideram as cotações, com a arroba cotada a R$ 336,50, seguidos pelo Triângulo Mineiro (R$ 333,50) e Sul de Minas (R$ 331,00).
A reação do mercado físico encontra respaldo direto nas projeções do Mercado Futuro na B3. Os contratos negociados para os meses de outubro de 2026 a fevereiro de 2027 sinalizam uma trajetória ascendente, com estimativas variando entre R$ 373,95 e R$ 380,95 por arroba. O otimismo reflete a expectativa de menor oferta de animais terminados a pasto devido ao período de estiagem e à manutenção do apetite das matrizes exportadoras, garantindo previsibilidade e margem operacional para os recriadores e confinadores no fechamento do ano.
Custos de nutrição e ágio do bezerro pressionam margem do confinamento
Apesar da recuperação das cotações da arroba do boi gordo, o pecuarista que opera na terminação em confinamento enfrenta forte pressão nos custos de produção. De acordo com dados do Índice de Custo de Produção de Bovinos Confinados (ICBC/USP), a nutrição animal permanece como o item de maior peso, comprometendo de 80% a 84% da diária por cabeça. O milho grão, insumo base da ração e da silagem, segue sustentado pela alta demanda das usinas de etanol e pelas incertezas climáticas do El Niño, cotado a R$ 71,00 a saca em São Paulo, R$ 67,00 no Triângulo Mineiro e R$ 64,00 no Noroeste do estado. Atualmente, a relação de troca permite que uma arroba de boi gordo compre 4,90 sacas de milho.
Outro gargalo crítico para a atividade é a valorização da reposição. O preço do bezerro de desmama Nelore atingiu a média de R$ 3.400,00 por cabeça (R$ 486,00 a arroba do bezerro). Essa elevação elevou o ágio da arroba do bezerro em relação à do boi gordo para 39,66%, renovando a máxima histórica para o período e exigindo 9,77 arrobas de gado gordo para a compra de um único animal de reposição. Diante dessa conjuntura de insumos e reposição valorizados, especialistas do setor recomendam o uso rigoroso de ferramentas de trava de preços na B3 e planejamento nutricional para proteger a rentabilidade do confinador.