Elogios e prestígio não se traduzem em equidade salarial ou participação nos lucros
O avanço das mulheres no mercado jurídico brasileiro é incontestável em termos numéricos, representando a maioria dos inscritos na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). No entanto, a ascensão institucional e financeira ainda esbarra em estruturas corporativas rígidas. Em artigo publicado na revista Consultor Jurídico (ConJur), a disparidade entre o reconhecimento formal das advogadas e sua efetiva inclusão nos quadros societários e na divisão de honorários das grandes bancas de advocacia ganha
debate central.
A análise aponta que, embora o talento e a capacidade técnica das profissionais sejam amplamente elogiados no cotidiano dos escritórios, essa validação verbal raramente se converte em participação societária real ou em remuneração equitativa. Trata-se de uma barreira invisível que restringe o acesso das mulheres às decisões estratégicas das bancas e à divisão dos lucros mais expressivos da categoria.
A disparidade é alimentada pela permanência de vieses de gênero, dupla jornada de trabalho e ausência de políticas corporativas de apoio à maternidade. Para as profissionais do interior mineiro e dos polos jurídicos de Minas Gerais, a busca por equidade na advocacia exige que escritórios adotem critérios transparentes de promoção, valorizando a produção intelectual e a liderança sem distinções salariais.
Garantir que o prestígio profissional se traduz em autonomia financeira e paridade institucional é indispensável para democratizar a advocacia, valorizar as profissionais do direito e construir um ambiente jurídico verdadeiramente justo e representativo.
