Preços do cereal seguem em queda no mercado interno com colheita recorde nos EUA e dólar em baixa
Os preços do milho mantêm trajetória de queda no mercado brasileiro, impactados pela elevada disponibilidade do cereal, pelo recuo das cotações internacionais em Chicago e pela desvalorização do dólar. Levantamento do Cepea indica que a combinação desses fatores reduziu a paridade de exportação do produto nacional, enquanto compradores operam com cautela e monitoram o bom ritmo de semeadura da safra 2026/27 no país. Na praça paulista de Campinas, a saca de 60 kg fechou cotada na casa dos R$ 64,00, registrando recuos contínuos.
Em Minas Gerais, levantamento do Radar Agro (Sistema Faemg Senar) aponta cotações médias de R$ 63,50 no Triângulo Mineiro e R$ 58,00 no Noroeste do estado. A pressão compradora no ambiente doméstico também reflete a menor liquidez nas negociações imediatas e o comportamento das indústrias de etanol de milho, que já concluíram boa parte de seus programas de suprimento para o ano. Diante do receio de novas perdas e da necessidade de fazer caixa, os produtores rurais têm se mostrado mais flexíveis na comercialização.
No cenário global, a Bolsa de Chicago (CBOT) registrou perdas acumuladas de até 3,85% na semana, impulsionadas pelo avanço da colheita nos Estados Unidos, onde o USDA projeta uma safra expressiva de 407 milhões de toneladas e elevados estoques finais. Esse excedente externo restringe o apetite tomador das exportações brasileiras no curto prazo. Se por um lado o cenário exige atenção do agricultor no momento da venda, por outro traz alívio significativo aos custos de ração e nutrição animal para pecuaristas em todo o país.