Embora o Brasil tenha registrado uma queda de 18,2% nos casos confirmados de meningite entre 2023 e 2025, a doença continua a ser uma preocupação no país. Somente em 2026, já foram confirmados 8.623 casos, sendo 305 no estado da Bahia, segundo o Painel Epidemiológico de Meningite, do Ministério da Saúde.
Celebrado nessa segunda-feira, 5, o Dia Mundial da Meningite chama a atenção para a importância da prevenção e do diagnóstico rápido, especialmente para crianças, que estão entre os grupos mais acometidos. Já idosos e imunocomprometidos têm maior risco de desenvolver formas graves da doença.
A meningite é a inflamação das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Pode ser causada por vírus, bactérias, fungos e parasitas, além de fatores não infecciosos, como traumas e certos medicamentos. O agente causador define a gravidade, o tratamento e a forma de prevenção.
“A causa muda tudo. A meningite bacteriana é uma emergência médica, com risco de morte e de sequelas, enquanto a viral costuma ter evolução mais branda”, afirma o infectologista Marcelo Cordeiro.
A forma viral da doença é a mais frequente. Em geral, tem curso mais leve, mas ainda exige avaliação médica para que seja diferenciada da bacteriana e para definição do acompanhamento adequado. Enquanto isso, a bacteriana é a mais preocupante.
Os principais agentes, neste caso, são o meningococo, o pneumococo e o Haemophilus influenzae tipo b (Hib). Entre essas formas, a doença meningocócica tem maior relevância pela transmissão entre contatos próximos. O meningococo pode passar de pessoa para pessoa por secreções respiratórias, especialmente em situações de contato próximo e prolongado, como no ambiente domiciliar, em creches ou em outras situações de contato íntimo.
Contatos próximos de pessoas com doença meningocócica podem receber indicação de quimioprofilaxia (antibiótico preventivo). Nos casos da doença, podem surgir manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele, sinal de gravidade.
Já o pneumococo pode estar presente no nariz e na garganta de pessoas saudáveis. A meningite ocorre quando a bactéria invade a corrente sanguínea ou alcança as meninges, podendo estar associada a infecções como otite, sinusite ou pneumonia. “Não é considerada contagiosa como a meningocócica e, em geral, não exige quimioprofilaxia dos contatos”, esclarece Cordeiro.
O Hib também é transmitido por gotículas respiratórias e atinge sobretudo crianças pequenas não vacinadas, com queda expressiva de casos após a vacinação. As meningites fúngica e parasitária são menos comuns e atingem sobretudo pessoas com imunidade comprometida. Há ainda a meningite tuberculosa, causada pela bactéria da tuberculose.
