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CACAU ABRE NOVA FRONTEIRA DE VALOR NO NORTE DE MINAS

Mercado mundial e investimentos da Nestlé ampliam oportunidades para Minas

O cacau brasileiro volta a ganhar espaço no mercado internacional justamente quando grandes indústrias buscam ampliar e diversificar suas fontes de matéria-prima. A Nestlé anunciou aumento das compras de cacau produzido no Brasil e iniciativas com produtores para elevar produtividade, qualidade e sustentabilidade. O movimento acompanha a recuperação da produção nacional e pode abrir oportunidades para novas regiões produtoras.

O Brasil produziu cerca de 287,8 mil toneladas de cacau em 2024 e trabalha com a perspectiva de chegar a aproximadamente 400 mil toneladas nos próximos cinco anos. Pará e Bahia concentram a maior parte da produção, mas a expansão da cultura começa a alcançar novas áreas, impulsionada pela valorização do produto, tecnologias de cultivo e busca por sistemas mais eficientes.

É nesse cenário que o Norte de Minas apresenta potencial estratégico. A região já possui experiência com agricultura irrigada e fruticultura em ambientes de menor disponibilidade hídrica. O clima mais seco, associado ao manejo adequado da irrigação e ao material genético apropriado, pode ainda representar uma vantagem no controle de condições favoráveis a algumas doenças fúngicas que historicamente prejudicam a cacauicultura em regiões mais úmidas.

A oportunidade, porém, vai além da produção da amêndoa. O desenvolvimento do cacau pode estimular uma nova cadeia regional de valor agregado, envolvendo produção de mudas, assistência técnica, bioinsumos, beneficiamento, fermentação, secagem, classificação e processamento. A transformação local da matéria-prima também permitiria avançar para chocolates, manteiga, pó, nibs e produtos especiais, aumentando a renda gerada por hectare.

A presença da Nestlé em Montes Claros reforça a dimensão estratégica desse cenário. A multinacional anunciou R$ 450 milhões para ampliar e modernizar sua fábrica na cidade, fortalecendo a unidade como centro de produção e inovação em cafés. Embora o investimento não seja destinado à produção de cacau, sua presença evidencia a capacidade regional de receber grandes operações industriais e integrar fornecedores a cadeias nacionais e internacionais.

Para o Norte de Minas, o desafio será transformar condições naturais, conhecimento técnico e infraestrutura existente em produção competitiva, sustentável e de maior valor agregado. Se a adaptação agronômica do cacau for confirmada pela pesquisa e pelos produtores, uma cultura tradicional de outras regiões poderá encontrar no semiárido mineiro uma nova fronteira de desenvolvimento.

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