Moradores e comerciantes das localidades do distrito de Canto do Engenho, Morro Vermelho, Claraval, Parada Serrana, Lagoa dos Freitas, São Geraldo II, São João da Vereda, Calhau, Mato Seco, Santa Bárbara, entre outras áreas adjacentes estão pedindo mais policiamento como forma de prevenir a prática de crimes, principalmente, quando são realizadas festas e eventos com cavalgadas, entre outros nas épocas de São João, nos meses de junho, janeiro, agosto e final de ano.
No fim da semana passada, duas pessoas foram baleadas durante um forró, porque um homem convidou uma mulher para dança e ela se recusou e ainda gerou a confusão e tiroteio em Canto do Engenho, onde têm sido registradas várias ocorrências, sobretudo, em Claraval, com pessoas armadas com revólveres, facas e facões. Os atiradores fugiram e estão sendo procurados pelas Polícias Militar e Civil.
Eles solicitam da PM a Patrulha Rural, ferramenta importante no combate à criminalidade no meio rural em todo o país e em Minas Gerais, sobretudo, em Montes Claros e região. A Patrulha Rural Comunitária é um programa especializado de policiamento ostensivo e comunitário voltado para a segurança de áreas agrícolas e propriedades no campo e consiste em Equipes da Polícia Militar realizam rondas frequentes e visitas preventivas para estreitar o contato com os produtores e moradores locais.
As propriedades participantes fazem um pré-cadastro com o mapeamento via GPS, dados de moradores, veículos e maquinários agrícolas. As fazendas recebem placas numeradas indicando que a área é monitorada, o que facilita a localização exata em emergências. Com as coordenadas geográficas mapeadas, o tempo de atendimento da polícia em locais remotos ou de difícil acesso diminui consideravelmente.
As viaturas (geralmente caminhonetes) costumam contar com equipamentos modernos de comunicação. A Patrulha Rural Comunitária opera com base em um modelo de policiamento inteligente e adaptável, priorizando ações policiais preventivas e atuando de forma mais rápida.
Contudo, a Polícia Militar garantiu que está reforçando as ações da patrulha rural com objetivo de prevenir e aumentar a proteção e a sensação de segurança nas comunidades rurais do município. A iniciativa é uma resposta às demandas apresentadas pelos moradores das comunidades durante audiência pública realizada pela Câmara Municipal para debater a segurança na zona rural. Conforme relatos dos moradores, no decorrer da pandemia aumentou o número de ocorrências envolvendo a perturbação do sossego, ameaças e furto no campo.
“As audiências públicas promovidas pela Câmara têm o objetivo de fortalecer o diálogo com a comunidade e mediar a busca de soluções para problemas e dificuldades enfrentados pela população. A imediata resposta da Polícia Militar a esse problema de insegurança na zona rural debatido em audiência na Câmara denota como a gestão pública do município vem trabalhando com harmonia, parceria e união de esforços para que os nossos munícipes tenham realmente acesso aos serviços essenciais, a exemplo da segurança pública”, avalia o presidente da Câmara, vereador Claudim da Prefeitura (Cidadania).
A operação Segurança Rural, lançada em Montes Claros, envolve um esforço integrado da Polícia Militar, através dos 10º e do 50º Batalhões de Polícia Militar, da 11ª Companhia de Meio Ambiente, e a Guarda Municipal de Montes Claros. De acordo com o comando do 50º BPM, que sempre serão realizadas ações em todas as comunidades rurais de Montes Claros.
De acordo com a PM, sempre serão priorizadas as comunidades rurais com maior concentração populacional. “Com a pandemia, alguns eventos que ocorriam na cidade passaram a migrar para a zona rural, levando uma demanda para o campo, sobretudo relacionadas à perturbação do sossego. As pessoas estão se sentindo incomodadas, a PM está sensível a isso e estamos atuando nesse sentido”, informa.
O debate sobre a segurança na zona rural tem que ser realizado frequentemente pela Comissão de Agricultura e, de acordo com a vereadora Graça do Motor (União Brasil), presidente da Comissão e ex-vice-presidente da Câmara, existiam apenas duas viaturas (quatro policiais) para monitorar cerca de 104 comunidades no município. “Ainda ficam de fora da fiscalização pelo menos 76 localidades, uma vez que Montes Claros possui cerca de 180 pontos rurais, contando, povoados, comunidades, vilas e distritos”, relatou.
Na época, o então vice-presidente da Comissão, vereador Valdecy Contador (Cidadania) e o relator, vereador Eldair Samambaia (PSD), também destacaram a dificuldade para realizar o boletim de ocorrência, devido à falta de conectividade rural. Segundo eles, cerca de 60% da área rural não tinham acesso a este benefício. “Sem acesso à telefonia móvel e à internet, o morador precisa se deslocar até a cidade para registrar a ocorrência, e por causa desta dificuldade acaba não fazendo o registro e a PM não consegue gerar dados reais para seu planejamento de patrulha e monitoramento”.
Eles e os representantes das comunidades rurais solicitaram à Polícia Militar um reforço no patrulhamento e realização de ações preventivas em todas as comunidades do município.