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Aliados de senador e candidato se articulam para postergar a votação para depois das eleições

Aliados de Flávio se articulam para postergar a votação da PEC na CCJ para depois das eleições. A avaliação é de que se a matéria for aprovada neste momento, as chances do presidente Lula ser reeleito aumentam. Por isso, a oposição deve apresentar pedidos de vista — instrumento que suspende temporariamente a discussão de um projeto em uma comissão — e emendas para alterar o texto.

Na CCJ, também tramita uma PEC protocolada pelo líder da oposição no Senado Federal, Rogério Marinho (PL-RN), que cria um regime alternativo à CLT e ao modelo de fim da escala 6×1 apresentado pelo governo. O texto defendido pela oposição estabelece a remuneração de acordo com as horas trabalhadas, em comum acordo individual entre empregado e empregador.

Conforme o regime interno do Senado, o pedido de vista somente pode ser aceito por uma única vez e pelo prazo máximo e improrrogável de cinco dias. Nesse cenário, Otto pode optar por prazos menores, como de algumas horas, para garantir a tramitação ágil da matéria no colegiado.

Durante evento no fim de semana, a coordenadora do plano econômico de governo de Flávio Bolsonaro, Daniella Marques, afirmou que a PEC é “um debate populista e inócuo na realidade atual das famílias brasileiras”. “É uma ficção dizer que está se concedendo alguma coisa enquanto quem produz não vai ter condição e vai ter um custo enorme em relação a isso”, acrescentou.

Aziz, no entanto, afirmou que a proposta não deve ser incluída no seu relatório da PEC 221/19 e avalia que a medida poderia abrir uma brecha na legislação. “O que você está tentando é melhorar a saúde mental das pessoas, porque você está tendo um excesso de carga horária, e isso não permite que a pessoa conviva com a família. Se você colocar hora extra, vai ter gente que vai querer fazer, então, a lei não vai valer”, explicou.

Da parte da oposição, há uma expectativa, também, de que, adiando a votação para depois das eleições, o texto defendido por eles seja debatido em conjunto com o do governo. Um líder falou ao Correio, sob reserva, que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), estaria descumprindo um acordo firmado anteriormente, em que garantiu que a matéria só teria andamento após as eleições.

A expectativa da oposição é de que haja, no mínimo, audiências públicas para debater a matéria antes de ela ser apreciada pelo colegiado. Segundo fontes, há uma negociação em curso para que audiências públicas sobre a matéria ocorram também na semana de esforço concentrado prevista para a semana que vem.

O senador Eduardo Braga (MDB-AM), líder do partido na Casa, apresentou um requerimento de audiência pública para um aprofundamento da discussão sobre a importância e os impactos da mudança para a sociedade e para os setores produtivos. Ele sugeriu a presença de representantes de centrais sindicais, assim como dos setores que devem ser impactados economicamente com a medida.

A PEC 221/19 estava travada no Senado desde maio deste ano, quando foi aprovada na Câmara dos Deputados. Entre outras medidas, a proposta estabelece o limite de 40 horas semanais e oito horas diárias, com dois dias de folga semanais remunerados. A redução das 44 horas para 40 será gradual, reduzindo para 42 horas após 60 dias da publicação da emenda. Somente após 12 meses do término desse primeiro prazo é que o limite de 40 horas semanais passará a ser obrigatório.

A matéria teve andamento na Casa após uma melhora na relação entre Lula e Alcolumbre. Nas últimas semanas, eles tiveram uma série de encontros informais fora das agendas, em que discutiram o andamento de propostas prioritárias para o governo. Além do fim da escala 6×1, outra prioridade do governo, a PEC da Segurança Pública, também teve andamento na CCJ. Essa aproximação beneficia o petista, que consegue destravar uma proposta que cria uma forte bandeira popular voltada para os trabalhadores em ano eleitoral. Se aprovada, entra no rol de grandes entregas sociais da gestão atual.

Na CCJ, também tramita uma PEC protocolada pelo líder da oposição no Senado Federal, Rogério Marinho
Na CCJ, também tramita uma PEC protocolada pelo líder da oposição no Senado Federal, Rogério Marinho (Crédito: MARCOS CORRÊA)

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