Lei Maria da Penha completa 20 anos e reforça prevenção à violência
A violência contra a mulher não escolhe território, mas as condições de acesso à proteção podem ser muito diferentes. No campo, mulheres vítimas de violência doméstica enfrentam obstáculos que vão desde o isolamento geográfico até a dependência financeira e a dificuldade de chegar a delegacias, serviços de saúde, assistência social e equipamentos especializados.
Em Minas Gerais, onde a população rural mantém forte presença em centenas de municípios, discutir essa realidade é fundamental. Muitas vítimas vivem distantes dos centros urbanos e podem permanecer por mais tempo submetidas ao agressor antes de conseguir pedir ajuda.
O tema ganha ainda mais força em 2026, ano em que a Lei Maria da Penha completa 20 anos. Criada para ampliar a proteção e estabelecer mecanismos de enfrentamento à violência doméstica e familiar, a legislação transformou a forma como o Estado trata essas agressões. Duas décadas depois, porém, o desafio é fazer com que seus instrumentos sejam efetivamente acessíveis a todas as mulheres.
A prevenção continua sendo decisiva. Dados do governo federal apontam 741 feminicídios no primeiro semestre de 2026, número 2,5% menor que o registrado no mesmo período de 2025. A redução é importante, mas está longe de representar uma vitória: são centenas de mulheres mortas em circunstâncias relacionadas à violência de gênero.
Por isso, o Agosto Lilás deve ir além das campanhas. Prevenir significa identificar sinais de violência, facilitar denúncias, fortalecer medidas protetivas e ampliar a rede de atendimento, especialmente onde ela ainda chega com dificuldade.
A proteção precisa começar antes da ameaça se transformar em agressão e antes que a violência alcance o ponto sem retorno. Para mulheres da cidade ou do campo, informação, autonomia e acesso rápido à rede de proteção podem significar a diferença entre permanecer em um ciclo de violência e conseguir rompê-lo.