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Enfrentar a crise climática é proteger a infância 

As imagens de enchentes, secas prolongadas, queimadas e outros desastres ambientais se tornaram frequentes no noticiário brasileiro. Por trás dessas tragédias estão famílias que perderam casas, renda e a perspectiva de um futuro mais seguro. Entre os mais afetados estão milhões de crianças e adolescentes, que vivenciam os impactos da crise climática em uma fase decisiva do desenvolvimento.

Um estudo recente do UNICEF revela a dimensão desse desafio: cerca de 16 milhões de crianças e adolescentes brasileiros estão expostos simultaneamente a três ou mais ameaças climáticas e ambientais, como ondas de calor, secas, enchentes e escassez hídrica. Em outras palavras, três em cada dez crianças e adolescentes do país convivem com múltiplos riscos que afetam sua saúde, educação, proteção e bem-estar.

Ao longo dos últimos anos, temos acompanhado de perto essa realidade. O ChildFund Brasil atuou em respostas emergenciais nos estados do Rio Grande do Sul e do Paraná, apoiando comunidades atingidas por eventos climáticos extremos. Nesses contextos, além das perdas materiais, observamos impactos profundos na saúde mental de crianças e adolescentes, que precisam lidar com medo, insegurança e a ruptura de suas rotinas.

A situação também é desafiadora em regiões historicamente vulneráveis, como o Semiárido brasileiro. Em comunidades onde a seca é recorrente, muitas famílias enfrentam dificuldades diárias para acessar água suficiente para consumo e produção de alimentos. A crise climática amplia desigualdades já existentes e afeta de forma mais severa quem possui menos recursos para se adaptar.

Mas, existem caminhos possíveis. No Maranhão, por meio de uma parceria entre o ChildFund e o programa ADM Cares, escolas públicas passaram a desenvolver ações de educação climática, hortas comunitárias e iniciativas voltadas à segurança alimentar. O resultado foi o fortalecimento da conscientização ambiental e do protagonismo de crianças, adolescentes e famílias na construção de soluções locais.

Ações como essa mostram que a adaptação às questões climáticas também exige informação, participação comunitária e educação. A escola ocupa papel central nesse processo, especialmente após a aprovação da Lei nº 14.926/2024, que fortalece a abordagem de temas relacionados ao clima, à biodiversidade e aos riscos ambientais nas escolas.

As recomendações dos especialistas apontam na direção correta: proteger crianças e adolescentes dos impactos da crise climática, incluí-los nas estratégias de redução de riscos e garantir que suas vozes sejam ouvidas nas decisões que afetam seu futuro.

A crise climática já é uma realidade. Cabe a todos nós (governos, empresas, organizações sociais e cidadãos) agir com urgência e responsabilidade. Colocar as crianças no centro dessa agenda é uma questão de proteção de direitos e compromisso com o futuro do país. 
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Mauricio Cunha tem 30 anos de experiência em projetos sociais com crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. É administrador de empresas, engenheiro, mestre em antropologia social e doutor em políticas públicas. Ex-secretário nacional dos direitos da criança e do adolescente, é o atual Presidente executivo do ChildFund Brasil, organização internacional que atua em mais de 70 países e que alcança cerca de 24 milhões de beneficiários no mundo.

  

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