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Ascensão do prefeito Luiz Falcão: de Patos de Minas à liderança do municipalismo mineiro

Entrevista exclusiva para o NOVO JORNAL DE NOTÍCIAS no Aeroporto de Montes Claros - Mário Ribeiro

No tabuleiro político de Minas Gerais, o nome de Luiz Eduardo Falcão Ferreira deixou de ser uma aposta local para se tornar uma peça estratégica no cenário estadual. Aos 42 anos, o bacharel em Direito e atual prefeito de Patos de Minas carrega no currículo um feito inédito: a primeira reeleição da história de sua cidade, conquistada em 2024 com esmagadores 85% dos votos válidos. Mas quem observa apenas os números da última urna não enxerga a trajetória de preparação que começou muito antes da política institucional.

Falcão, como é conhecido, forjou sua base na liderança estudantil e no associativismo. “Ali para 2006 eu entrei na faculdade de Direito e acabei me elegendo presidente do diretório acadêmico”, relembra. Antes de assumir a cadeira do Executivo em 2021, ele circulou pelas veias produtivas de Patos, atuando como comerciante e empresário da construção civil, além de presidir o Conselho de Segurança Pública e a Associação Comercial. Essa vivência no setor privado e nas entidades de classe moldou o perfil de um gestor que prioriza muito a agilidade.

O batismo de fogo: pandemia e enchentes Assumir a Prefeitura de Patos de Minas em 2021

não foi o cenário idealizado nos planos de governo. Falcão enfrentou o que chama de “auge da pandemia” logo nos primeiros meses, somado a um passivo financeiro considerável e a um capricho devastador da natureza: três enchentes em um curto período. ‘’A gente pegou o auge da pandemia e também todas as dívidas que a prefeitura tinha naquele momento. Além das enchentes, algo que não acontecia no município há 30 anos. Mais de mil pessoas fora de casa e muitos desafios, que transformamos em motivação’’. pontua o prefeito enquanto recorda das dificuldades iniciais.

A resposta às dificuldades veio através de uma gestão de choque. Em seu primeiro mandato, o prefeito destaca a abertura do maior hospital da região, a universalização da iluminação de LED e um robusto programa de pavimentação rural. Para Falcão, a chave do sucesso nos primeiros 100 dias foi o diálogo com os 4 mil servidores municipais. “Não adianta o prefeito querer trabalhar sozinho, ele precisa dos servidores. Quem aplica a política pública na base é o enfermeiro, o técnico, o professor, a merendeira”, afirma com a consciência de quem compreende que o sucesso da gestão municipal depende de uma equipe qualificada que atua na linha de frente.

A bandeira do municipalismo: o “ativista” da AMM Atualmente à frente da Associação Mineira de Municípios (AMM), Falcão elevou o tom contra a concentração de recursos em Brasília e Belo Horizonte. Ele se autodefine como um “ativista” pela mudança na divisão do bolo tributário. “Só 10% do que a população paga de imposto fica nos municípios. O resto vai tudo para Brasília e Belo Horizonte. Os municípios estão cada vez mais sufocados”, critica o gestor.

Sua ascensão na AMM também foi marcada por reformas internas. Falcão liderou a alteração estatutária para garantir que apenas prefeitos em exercício comandem a entidade, sob a premissa de que “prefeito vota em prefeito” e que somente quem vive o dia a dia das “dores” municipais pode representar a classe. Sob sua gestão, Patos de Minas tornou-se um “ponto fora da curva”, com dívidas praticamente zeradas, contrastando com a realidade de centenas de cidades mineiras que dependem exclusivamente de repasses estaduais para serviços básicos como limpeza e tapa-buracos.

A força que vem do interior Um dos pontos mais contundentes da plataforma de Falcão é a crítica à “bolha” da capital e a defesa intransigente do interior mineiro, que para ele, é onde está a verdadeira identidade do estado de Minas Gerais. Para o prefeito, a lógica de poder em Minas Gerais precisa ser invertida.

As ações têm que acontecer de fora para dentro, da base para a capital, do interior para a capital, e não o contrário”, defende com firmeza.

Falcão argumenta que o interior não pode ser apenas um coadjuvante eleitoral que recebe “santinhos prontos” vindos de Belo Horizonte. “Este ano, se nós não nos unirmos, eles vão definir candidato a governador, vice e senador e só falar ‘apoia aí’. Não. Nós queremos participar das decisões”, dispara. Ele enfatiza que cada região — seja o Norte, o Sul, o Triângulo ou o Vale do Rio Doce — possui vocações e desafios distintos que não podem ser tratados com uma “receita única” vinda da capital.

2026 e o horizonte estadual O futuro de Falcão parece trilhar o caminho da Cidade Administrativa. Com a possibilidade de compor uma chapa majoritária em 2026, possivelmente ao lado do senador Cleitinho Azevedo, o prefeito já elenca os gargalos que Minas precisa superar. Para ele, a infraestrutura é a prioridade “para ontem”. Com a reforma tributária equalizando impostos entre os estados em cinco anos, Falcão alerta que a logística será o único diferencial competitivo.

“Minas está atrás de Goiás, Mato Grosso e Paraná em investimento em infraestrutura. O orçamento para estradas precisa ser priorizado. É para centro, para esquerda e para direita”, afirma, citando a necessidade de R$ 2 bilhões anuais apenas para manutenção asfáltica.

Sobre a política de alianças e o campo conservador, Falcão mantém a postura equilibrada de quem vem do interior: “Estrada não tem partido político, cirurgia não tem ideologia, vaga na creche é para todo mundo”. Apesar de se declarar de direita e estar alinhado ao Republicanos, ele defende um projeto que regionalize as ações governamentais, ouvindo o interior antes de decidir na capital.

Rupturas e diálogo A saída do Partido Novo após 2 anos e 4 meses e o desentendimento público com o vice-governador Matheus Simões — a quem classificou como autor de “manifestações infelizes e desequilibradas” — não parecem abalar seus planos. Falcão reafirma seu respeito ao governador Romeu Zema, mas deixa claro que sua liderança na AMM foi conquistada sem o apoio do Estado, consolidada pela confiança dos prefeitos.

Inspirado por figuras como Juscelino Kubitschek e Itamar Franco, Luiz Eduardo Falcão encerra reforçando que Minas Gerais é terra de entendimento. Resta saber se o modelo de “velocidade e transparência” que aplicou na Capital do Milho terá o fôlego necessário para conquistar o restante do vasto território mineiro em 2026.

Entrevista exclusiva para o NOVO JORNAL DE NOTÍCIAS no Aeroporto de Montes Claros - Mário Ribeiro

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