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HDG alerta para os riscos da desinformação da obesidade

A médica nutróloga do Hospital Dilson Godinho, Juliana Couto Guimarães, reforça que o tratamento precisa ser conduzido com responsabilidade.

A OMS já classifica doença crônica como uma epidemia global

Nesta quarta-feira, 4 de março, a ciência chama a atenção para um tema que ainda carrega preconceito, desinformação e simplificações perigosas: a obesidade. Reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença crônica, complexa e multifatorial, a obesidade vai muito além de questões estéticas. Trata-se de uma condição que envolve fatores genéticos, hormonais, metabólicos, ambientais, comportamentais e psicológicos, exigindo abordagem individualizada e baseada em evidências científicas.

Apesar disso, ainda é comum reduzir a obesidade a uma suposta “falta de força de vontade”. Essa visão ignora mecanismos biológicos sofisticados que regulam fome, saciedade e gasto energético.

O organismo possui sistemas de defesa do peso corporal, o que explica por que manter a perda de peso pode ser tão desafiador quanto emagrecer.

A médica nutróloga do Hospital Dilson Godinho (HDG), Juliana Couto Guimarães, reforça que o tratamento precisa ser conduzido com responsabilidade.

“A obesidade é uma doença crônica e precisa ser tratada como tal. Não se trata apenas de reduzir calorias ou aumentar a atividade física. Existem mecanismos hormonais e metabólicos que influenciam diretamente o apetite, a saciedade e o gasto energético. Por isso, o tratamento deve envolver acompanhamento médico, orientação nutricional estruturada, prática de atividade física adequada, cuidado com o sono e atenção à saúde mental”, ponderou a especialista.

A Organização Mundial da Saúde já classifica a obesidade como uma epidemia global. E nos últimos anos, medicamentos injetáveis utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 ganharam ampla visibilidade, como Wegovy, Ozempic e Mounjaro.

Esses fármacos atuam em hormônios relacionados à saciedade, ajudam a reduzir o apetite e podem contribuir significativamente para a perda de peso quando há indicação clínica adequada.

No entanto, a especialista alerta para os riscos do uso indiscriminado. “Esses medicamentos representam um avanço importante e podem transformar a vida de muitos pacientes quando bem indicados. O problema é quando passam a ser vistos como solução estética rápida. O uso sem avaliação médica pode causar efeitos adversos como náuseas intensas, vômitos persistentes, perda excessiva de massa muscular, deficiências nutricionais e alterações metabólicas. Além disso, sem acompanhamento estruturado é comum ocorrer reganho de peso após a suspensão”, explicou.

A especialista destaca, ainda, que os medicamentos são ferramentas terapêuticas, não substitutos das mudanças no estilo de vida. Eles não eliminam a necessidade de reeducação alimentar, prática regular de exercícios e acompanhamento clínico contínuo.

Para o diretor-presidente do HDG, Helder Leone Alvez de Carvalho, o combate ao estigma é parte essencial dessa discussão. “Precisamos tratar a obesidade com respeito, responsabilidade e ciência. Combater o preconceito é tão importante quanto oferecer tratamento adequado. Informar a população sobre os riscos do uso de medicamentos sem orientação médica é uma medida de proteção à saúde coletiva. Saúde não é moda nem tendência. É compromisso de longo prazo”, ressaltou Leone.

A médica nutróloga do Hospital Dilson Godinho, Juliana Couto Guimarães, reforça que o tratamento precisa ser conduzido com responsabilidade.

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