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“DOMINAÇÃO DIGITAL”: LULA, RUSSELL E BENGIO ALERTAM SOBRE PODER CONCENTRADO DA IA NA CÚPULA HISTÓRICA DA ÍNDIA

Presidentes Lula (Brasil), Narendra Modi (Índia) e Emmanuel Macron (França) durante a plenária principal da India AI Impact Summit 2026, no Bharat Mandapam, em Nova Déli. Ao fundo, CEOs de big techs como Sundar Pichai (Google) e Jensen Huang (Nvidia).

Nova Déli consolida Sul Global na agenda mundial, mas tensão entre inovação e riscos existenciais domina debates

NOVA DÉLI, 19 de fevereiro de 2026 — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chocou a elite global da tecnologia nesta quinta-feira ao declarar que o controle da inteligência artificial (IA) por poucas empresas e países não representa inovação, mas “dominação”. Falando diante de Narendra Modi, Emmanuel Macron, Sundar Pichai (Google), Sam Altman (OpenAI) e Jensen Huang (Nvidia), Lula defendeu a ONU como centro de governança global da IA, alertando para riscos como deepfakes em eleições, armas autônomas e pornografia infantil.

A fala do brasileiro ecoou as advertências de dois gigantes da pesquisa em IA — Stuart Russell (UC Berkeley) e Yoshua Bengio (Turing Award) —, que classificaram o ritmo atual de desenvolvimento como “roleta-russa com a humanidade” e um descompasso de “1000:1” entre investimentos em capacidade e segurança. A India AI Impact Summit 2026, primeira cúpula global de IA no Sul Global, consolidou a Índia como potência tecnológica, mas expôs fissuras profundas entre promessas de inovação e temores existenciais.

LULA COLOCA O DEDO NA FERIDA: “DOMINAÇÃO, NÃO INOVAÇÃO”

Na sessão plenária de alto nível, Lula não poupou críticas ao modelo de negócios das big techs: “O modelo depende da exploração de dados pessoais, da renúncia ao direito à privacidade e da monetização de conteúdo sensacionalista que amplifica a radicalização política”, disparou.

O presidente brasileiro listou riscos concretos da IA:

  • Armas autônomas
  • Discurso de ódio e desinformação
  • Pornografia infantil
  • Feminicídio e violência contra mulheres
  • Precarização do trabalho
  • Deepfakes que distorcem eleições

“Quando poucos controlam os algoritmos e as infraestruturas digitais, não estamos falando de inovação, mas de dominação”, repetiu Lula, conectando tecnologia a desigualdades históricas. Ele defendeu as Nações Unidas como fórum central para governança inclusiva, apresentando o Plano Nacional de IA do Brasil (lançado em 2025) e o marco regulatório em tramitação no Congresso.

RUSSELL E BENGIO: “ROLETA-RUSSA” E “1000:1” DE DESIGUALDADE

Enquanto líderes políticos debatiam geopolítica, dois dos maiores cientistas da IA soaram o alarme sobre riscos existenciais.

Stuart Russell, coautor do principal livro-texto de IA e ex-presidente da Associação Internacional de IA, acusou governos de “negligência total”:
“Permitir que entidades privadas joguem roleta-russa com cada ser humano na Terra é, na minha visão, uma derelitação completa do dever”.

Russell alertou para um “arms race” (corrida armamentista) entre empresas tech e previu desemprego em massa: “Estamos criando imitadores humanos. O uso natural desses sistemas é substituir pessoas” — mirando setores como call centers e suporte técnico.

Yoshua Bengio, “pai do deep learning” e presidente do International AI Safety Report, foi igualmente direto: “O investimento em tornar IAs mais capazes está na proporção de mil para um em relação à pesquisa em segurança”. Ele estima que sistemas com inteligência humana podem surgir em cinco anos (2031), com riscos de “comportamento enganoso” e “misalignment” (sistemas fora de controle).

Bengio ecoou Lula na concentração de poder: “A IA é vendida como ‘para o bem de todos’, mas concentra poder em poucos países, ampliando desigualdades globais”. Citando Mark Carney (Davos), avisou ao Sul Global: “Se você não estiver à mesa, estará no cardápio”.

MODI: “ÍNDIA LIDERANDO A REVOLUÇÃO HUMANA DA IA”

O anfitrião Narendra Modi apresentou uma visão otimista, centrada nos “Três Sutras” indianos: Povo, Planeta e Progresso. “A Índia não está apenas participando da revolução da IA, está liderando e moldando-a”, declarou o primeiro-ministro.

Modi comparou a IA à energia nuclear: “Pode destruir ou contribuir positivamente — depende da direção”. Ele enfatizou uma IA “humanocêntrica, sensível e responsiva”, com aplicações em saúde, educação e agricultura.

INOVAÇÕES ANUNCIADAS: MODELOS INDIANOS E CORRIDA POR GPUS

A cúpula não foi só alerta — houve anúncios concretos:

Sarvam AI (Índia)

  • Modelos de 30 e 105 bilhões de parâmetros
  • Kaze Smartglasses: Primeiros óculos AR/VR indianos com IA em tempo real (testados por Modi)

BharatGen Param2 (Governo indiano)

  • 17 bilhões de parâmetros
  • Suporta 22 idiomas indianos
  • Multimodal (texto, imagem, áudio)

Infraestrutura

  • +20 mil GPUs para a Índia (total: 58 mil)
  • US$ 50 bilhões da Microsoft para países de baixa renda

Ministro Ashwini Vaishnaw detalhou plano em cinco camadas: compute, modelos locais, governança pública, ética e serviços.

CEOS DAS BIG TECHS: SILÊNCIO ESTRATÉGICO DIANTE DAS CRÍTICAS

Executivos de peso marcaram presença, mas evitaram confrontar diretamente as críticas:

  • Sundar Pichai (Google): Reuniu-se com Lula, destacando investimentos no Brasil (Centro de Engenharia em SP). Sinalizou “parcerias mais profundas”.
  • Sam Altman (OpenAI) e Dario Amodei (Anthropic): Presentes, sem declarações polêmicas.
  • Jensen Huang (Nvidia): Controla 90% do mercado de chips para IA — sua presença reforçou debates sobre dependência de hardware.

[Tabela: Presenças Confirmadas]

ExecutivoEmpresaPosição/Relevância
Sundar PichaiGoogleReunião com Lula; investimentos Brasil
Sam AltmanOpenAILíder em modelos de linguagem
Jensen HuangNvidia90% mercado GPUs IA
Dario AmodeiAnthropicFoco em “AI safety”
Demis HassabisGoogle DeepMindPesquisa avançada (AlphaFold)
Shantanu NarayenAdobeCriatividade por IA

TENSÕES E O QUE NÃO FOI RESOLVIDO

A cúpula expôs contradições:

  1. Concentração vs. Democratização: Modi fala em inclusão; Lula e Bengio, em “dominação”.
  2. Segurança vs. Velocidade: Russell pede freio; Índia acelera.
  3. Soberania Digital: Modelos indianos avançam, mas dependem de chips Nvidia.
  4. Governança: Lula quer ONU; atual “Processo de Bletchley” é mais técnico que vinculante.

Ausências críticas:

  • Moratória em sistemas perigosos
  • Fundo global para pesquisa de segurança
  • Plano contra desemprego em massa
  • Regra internacional sobre deepfakes

IMPACTOS PARA O BRASIL E NORTE DE MINAS

Para o Brasil: Lula reposicionou o país como voz do Sul Global. A Pressão cresce pela aprovação do marco regulatório de IA. Parcerias com Google podem trazer investimentos, mas deepfakes ameaçam eleições de 2026.

AS 10 FRASES QUE ABALARAM A CÚPULA

  1. “Dominação, não inovação” — Lula
  2. “Roleta-russa com a humanidade” — Russell
  3. “1000:1 em segurança” — Bengio
  4. “Não à mesa, no cardápio” — Bengio
  5. “Índia lidera a revolução” — Modi
  6. “Imitadores humanos substituem pessoas” — Russell
  7. “Exploração de dados é o modelo” — Lula
  8. “Deepfakes destroem democracia” — Lula
  9. “IA humanocêntrica” — Modi
  10. “Armas autônomas e pornô infantil” — Lula

A India AI Impact Summit 2026 (16-20/02, Bharat Mandapam) não resolveu as tensões, mas marcou época: o Sul Global agora dita a pauta da IA mundial. Resta saber se as palavras virarão ações — ou se a “dominação” que Lula teme já está em curso.

Presidentes Lula (Brasil), Narendra Modi (Índia) e Emmanuel Macron (França) durante a plenária principal da India AI Impact Summit 2026, no Bharat Mandapam, em Nova Déli. Ao fundo, CEOs de big techs como Sundar Pichai (Google) e Jensen Huang (Nvidia).

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