A Delegacia de Homicídios concluiu, nessa quinta-feira (5/2), o inquérito que investigava a morte da esteticista Simone Martins Soares (42 anos) durante um procedimento estético realizado em uma clínica na Avenida José Corrêa Machado, no Bairro Melo, em Montes Claros. Segundo a Polícia Civil, a apuração identificou uma série de falhas graves que não se enquadram como erro médico.
A vítima, natural de Porteirinha, sofreu uma parada cardiorrespiratória enquanto realizava uma mini lipo no dia 11 de dezembro de 2025.
A Polícia Militar e o SAMU foram acionados após a paciente apresentar sinais de cianose e evoluir para a parada. De acordo com informações do SAMU, ao chegar à clínica, a equipe encontrou uma médica de 28 anos e um auxiliar realizando manobras de ressuscitação. Os socorristas assumiram o atendimento e realizaram sete ciclos de reanimação durante cerca de 20 minutos, mas o óbito foi confirmado no início da noite.
A delegada responsável pelas investigações, Francielle Drumond, afirmou que o procedimento foi realizado em um ambiente sem estrutura adequada. “Houve uma série de erros graves, que não são considerados erro médico. O primeiro deles é que o estabelecimento não possuía suporte adequado para a realização de um procedimento desse porte, nem equipamentos compatíveis com a complexidade da intervenção,” esclareceu.
Nas investigações também foi identificada a utilização de anestesia de uso restrito ao ambiente hospitalar. “Foi utilizado o propofol, uma anestesia de uso restrito a unidades hospitalares, que exige, obrigatoriamente, a presença de um médico anestesista, o que não ocorreu neste caso. O laudo pericial apontou que a vítima sofreu uma perfuração da artéria femoral durante o procedimento, o que provocou a parada cardiorrespiratória e, consequentemente, o óbito, acrescentou a delegada.”
A profissional responsável pelo procedimento não possuía especialização na área. “A médica não tinha especialização para realizar esse tipo de procedimento. O que foi apurado é que ela estava apenas com uma pós-graduação em andamento.”
Outro ponto destacado, segundo a delegada, foi a falha no socorro prestado à vítima”, pontuou. Para Francielle, houve negligência na prestação do socorro. O próprio SAMU relatou dificuldades de acesso ao local onde a paciente se encontrava, o que comprometeu o atendimento.
INDICIAMENTO – Com a conclusão do inquérito, a médica foi indiciada por homicídio doloso, na modalidade de dolo eventual, ocorre quando a pessoa não deseja diretamente o resultado morte, mas assume o risco de que ela aconteça. A médica vai responder ao processo em liberdade. Caso condenada pode pegar uma pena que varia de seis a vinte anos de reclusão. Franciele Drummond aconselhou que as pessoas que pretendem fazer procedimentos estéticos se atentem à qualificação do profissional e também à estrutura oferecida em casos de haver intercorrências.
Por meio de nota, o advogado Warlem Freire Barbosa, que defende a médica, informou que discorda do indiciamento e que vai aguardar o posicionamento do Ministério Público para tomar as medidas pertinentes.