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A trajetória do pintor Heberth e seus 40 anos de arte à mão livre

Com o coração cheio de alegria, Heberth celebra 40 anos de uma história que une talento, disciplina e sustento familiar

Pintor revela como o incentivo do pai foi decisivo para se tornar pintor

O coração do pintor Heberth César Luiz, de 72 anos de idade, ainda vibra de alegria toda vez que um novo cliente o procura para pintar uma fachada. O pintor que já trabalhou como engraxate e vendedor de picolé, conta com mais de quatro décadas dedicadas aos pincéis. Esse artista montes-clarense é um remanescente de uma era em que a propaganda não saía de impressoras modernas, mas sim de um processo artesanal e único: da ponta fina de um pincel, manejado com a precisão de quem exercita a arte da pintura e do desenho desde a infância.

O menino que desenhava o mundo

A jornada começou cedo, entre os 14 e 15 anos, no bairro Edgar Pereira. Enquanto os colegas focavam nos livros, Heberth se perdia nas curvas de heróis como Tarzan, Batman e Homem-Aranha. O talento era tanto que transbordava para as páginas dos cadernos escolares, rendendo-lhe alguns “puxões de orelha” das saudosas professoras Yolanda Martins e Iara Souto.

“Menino, agora não é hora de desenhar!”, ouvira ele tantas vezes. Mal sabiam elas que aqueles traços eram o rascunho de uma profissão que o acompanharia pela vida inteira. O incentivo decisivo veio de casa. Seu pai, percebendo o dom do filho, deu o conselho que mudaria tudo: “Desenha, pois você vai ganhar dinheiro com isso”.

Do isopor ao reconhecimento regional

Antes de dominar as paredes, Heberth esculpia. Usando isopor e uma máquina de corte a pilha, ele dava vida a cenas da Disney e personagens de sua própria imaginação. Com o tempo, a prática e a versatilidade do artista trouxeram o reconhecimento na cidade de Montes Claros. Hoje, ele é reconhecido pela versatilidade: de letreiros comerciais a murais lúdicos e coloridos, o pintor transita com naturalidade.

Uma de suas lembranças mais queridas é o trabalho na Clínica Branca de Neve, onde pintou a protagonista e os sete anões para o Dr. Hélio Rochales. Mas seu portfólio vai além da fantasia. Heberth já foi um exímio caricaturista, capaz de usar o humor para “unir o impossível”

“Eu pintei o Tadeu abraçando com o Jairo. Os dois eram inimigos políticos. O pessoal da Rádio Terra passava e morria de rir. O pessoal falou que ficou igualzinho. Eu fiz com um grafite bem forte”, recorda ele, orgulhoso do poder de sua arte.

A matemática do “golpe de vista”

Apesar da experiência, o ofício de pintor de letreiros exige um rigor técnico que muitos desconhecem. Heberth explica que o segredo está no equilíbrio. “Eu tiro a matemática da parede, a metragem, e depois uso o golpe de vista e a criatividade. Precisa medir centímetro por centímetro para centrar a propaganda”, detalha.

Mesmo enfrentando tempos difíceis, como a drástica queda de pedidos durante a pandemia, ele nunca abandonou os pincéis. Para ele, a pintura foi e continua sendo seu “salva-vidas” e o sustento de sua família.

Um legado em movimento

Ao ser questionado se ainda sente prazer no trabalho após 40 anos, a resposta vem com um sorriso de quem ainda mantém a pureza da infância: “Se a pessoa me pede a Magali comendo melancia porque ela é comilona, eu desenho sim! Faço tudo à mão livre, sem nada por cima”.

Seja em Janaúba, Bocaiuva ou nos bairros de Montes Claros, a arte de Heberth continua colorindo o cotidiano das cidades. Para o artista, cada pincelada é uma forma de manter viva a criatividade que nasceu nas salas de aula do Quinta Pereira e que, até hoje, faz seu coração vibrar.

Para quem deseja levar essa arte para seus próprios muros, basta entrar em contato através do número (38) 98815-4216. O que terá através do artista é, acima de tudo, um amor ao ofício que transborda através das tintas.

Com o coração cheio de alegria, Heberth celebra 40 anos de uma história que une talento, disciplina e sustento familiar

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