Montes Claros é uma terra fértil para a produção artística, com manifestações que se espalham por diferentes linguagens e tradições. O município se destaca pelo artesanato, que preserva saberes populares e identidades culturais, pela literatura que registra histórias, memórias e o cotidiano da região, e pela música, presente tanto nas expressões populares quanto nas produções contemporâneas.
O cinema também tem conquistado espaço, com iniciativas independentes, festivais e produções que retratam realidades locais e ampliam o diálogo com o Rio de Janeiro, além de outros Estado e também alguns países da América Latina (AL).
Nas artes plásticas, artistas da cidade exploram técnicas, estilos e temas variados, contribuindo para um cenário criativo diverso e em constante renovação. Esse conjunto de expressões revela uma cena cultural dinâmica, marcada pela diversidade, pela resistência e pela capacidade de transformar experiências locais em arte.
DA INFÂNCIA À VIDA ADULTA
Charles Ribeiro Aguiar, residente na Rua Coriolando Gonzaga (Antiga Dois), no Bairro Major Prates, desenhista da cena artística local, despertou o interesse pelo desenho ainda na infância. O primeiro contato mais marcante com essa linguagem aconteceu de forma espontânea, ao passar por uma praça e observar um artista desenhando em pleno espaço público.
A cena, aparentemente simples, foi decisiva para despertar a curiosidade e a admiração pela prática artística. A partir daquele momento, o desenho deixou de ser apenas uma atividade ocasional e passou a se transformar em um objetivo, alimentando o desejo de seguir esse caminho como forma de expressão e trabalho. Com o passar do tempo, o interesse amadureceu e se consolidou, dando início a uma trajetória construída a partir da observação, da prática constante e da identificação com a arte do desenho. Em 1991, Charles percebeu que poderia trabalhar desenhando retratos.
A história dele revela como o encontro precoce com a arte pode definir caminhos e construir identidades. O menino que um dia parou para observar um desenhista em uma praça transformou aquela cena cotidiana em ponto de partida para uma trajetória marcada pela persistência e pelo olhar atento aos detalhes. Ao longo dos anos, o desenho deixou de ser apenas um interesse pessoal para se tornar linguagem, ofício e forma de diálogo com o público, especialmente por meio dos retratos. Sua trajetória traduz a relação íntima entre vocação, prática e tempo, e evidencia como a arte pode nascer de experiências simples e se consolidar como projeto de vida.
Há três anos, Charles Aguiar se instalou num, banco de madeira, na Rua Simeão Ribeiro (Quarteirão do Povo), em frente ao tradicional Café Galo, depois de permanecer por muito tempo perto da Praça da Matriz e dos Correios, no mesmo local, perto do centro histórico da cidade.
