Todo mundo sabe que Montes Claros é um território onde a cultura e a poesia se entrelaçam no cotidiano das pessoas. A cidade respira manifestações populares — do batuque dos tambores às festas tradicionais — e abriga uma forte produção literária, marcada por escritores, cordelistas e artistas que transformam a vivência sertaneja em versos e narrativas. Suas praças, grupos culturais e eventos dedicados às artes fazem de Montes Claros um ponto de encontro entre tradição e criatividade, onde cada esquina parece guardar um poema à espera de ser descoberto.
E é nesse contexto de efervescência cultural que Montes Claros reacende sua vocação artística ao destacar, no Painel Permanente de Poesia Juca Silva Neto, a escrita sensível de José Antônio Coutinho. A iniciativa, abrigada no Centro Cultural Hermes de Paula (CCHP) transforma o espaço, de segunda a sexta-feira, das 8 às 18h, em um refúgio literário de acesso gratuito, onde qualquer visitante pode se deixar tocar pela força dos versos.
Nome já familiar aos frequentadores do tradicional Festival Psiu Poético, José Antônio traz para o Painel uma poesia que parece brotar da terra e das emoções guardadas na memória. Seu olhar para o cotidiano é o fio que costura sentimentos de resistência, esperança e delicadeza, revelando um autor que sabe ouvir o mundo antes de traduzi-lo. Em cada poema, transparece a habilidade de transformar experiências íntimas em reflexões universais.
A relação de José Antônio com a escrita remonta à juventude, nos anos 1970, quando preenchia cadernos com impressões da vida e inquietações adolescentes. Curiosamente, foi somente décadas depois que esses registros reapareceram, resgatando lembranças que o autor julgava adormecidas. Dentro de um antigo caderno, reencontrou a matéria-prima de “Ecos de Coração”, obra que ganhará lançamento oficial no dia 18 de dezembro, às 19h, nu bar na Rua Justino Câmara, centro da cidade, celebrando mais um capítulo de sua jornada literária.
Para ele, estar presente no Painel Permanente vai além da simples exposição: trata-se de sentir-se parte de um projeto que acolhe e impulsiona os criadores da cidade. O espaço, que há anos recebe artistas de múltiplas vertentes, mais uma vez reafirma sua missão de fortalecer os laços entre comunidade, literatura e identidade local.